sexta-feira, 28 de agosto de 2015

I & II - The Mission (singles, 1986).


Nos idos de 1988...


Esperei mais de 25 anos para encontrar em sebos ou feiras estes dois primeiros singles da banda. À época em que foram lançados receberam repercussão apenas da Fluminense (“Maldita”) FM, a qual tocava os b-sides e alternativos do rock inglês para uma legião de ouvintes fiéis. Gravei estas músicas copiando do k7 de uma amiga. E bem lembro que cheguei a fazer a capinha da fita utilizando uma foto da extinta revista BIZZ...bons tempos. O The Mission, pra quem não sabe, é fruto do racha nos Sisters of Mercy e seguia a linha gótica, com vocais guturais, temas densos e visual dark.

O show no Brasil...

A apresentação da banda de Leeds, Inglaterra, no Canecão (RJ) me lembro bem. Eles estavam na turnê da divulgação do “Children”, seu segundo LP, buscando atingir o público norte-americano (realizaram extensa turnê por lá) e passaram aqui na América do Sul também. Show abarrotado, porém consegui ficar com amigos bem lá na frente do palco. A banda deu a impressão de entrar “chapada”, mas fez um grande show, com todos os hits da época. Em certa hora, atiraram um morcego de pelúcia no palco (!), que foi bem recebido por Wayne Hussey e compartilhado com toda a banda. Uma amiga minha levou flores - entregues ao final do concerto ao vocalista. Enfim, um show inesquecível. Pude inclusive, no dia seguinte – e com informações quentes vindas de contatos – comparecer no Pão de Açúcar para esperar a banda descer do passeio no morro e angariar autógrafos de 3 integrantes. O baixista Craig Adams, muito arredio, saiu de fininho e ficou de fora.  Pena que à época, não tínhamos celular...

Os singles...

THE MISSION I – may 1986 UK Chapter 22 label 3-track 12 single: SERPENTS KISS / NAKED AND SAVAGE/ WAKE;  catalog number CHAP6/7.


THE MISSION II – july 1986 UK Chapter 22 label 4-track 12 single: LIKE A HURRICANE / GARDEN OF DELIGHT / OVER THE HILLS AND FAR AWAY / THE CRYSTAL OCEAN; catalog number 12CHAP7.

O “I” traz a melhor música da banda, “SERPENTS KISS”, a bela e sensual  “NAKED AND SAVAGE” e a climática “WAKE”, que parece ter saída de um conto infantil macabro... Creio apenas “NAKED...” não tenha sido tocada ao vivo. Este single chegou à posição 12 nas paradas independentes. O “II” traz a versão para  LIKE A HURRICANE de Neil Young, muito classuda e com a timbragem bonita de guitarras que o The Mission sempre utilizou. No mesmo clima rock´n´roll tem “OVER THE HILLS AND FAR AWAY”. Já “GARDEN OF DELIGHT” é mais sensual e “CRYSTAL OCEAN” fecha o trabalho com bela harmonia. GARDEN OF DELIGHT” ostentou por 2 semanas o topo da parada independente britânica em 86.
Estes são raríssimos por aqui. Single é algo que não tem reedição em 180 gramas, não tem em cd, não tem um grande número circulando no mercado –como os LPs - ,então é raro mesmo. Ainda por cima trazendo ilustrações bonitas de Sandy Ball nas capas, que perduraram até o single IV da banda e marcaram o lado visual  deles tanto quanto Derek Riggs marcou o Iron Maiden. Que o diga o palco utilizado na turnê britânica do primeiro LP da banda.

As timbragens, somadas à  voz inconfundível de Hussey e a afinada cozinha – característica de muitas bandas britânicas dos anos 80 – fazem uma mistura única que certamente encantou muita gente. Depois a banda meio que abandonou o lado gótico que predominou até o “God´s own medicine” (foto 3) e passou a investir – como já citei – no mercado dos EUA e em músicas no formato pop. Emplacaram mais hits, como a belíssima “Butterfly on a wheel” ou "Hands Across the Ocean" mas já tinham deixado o lado dark de lado. É isso aí, pessoal. Vale a pena conhecer o LP “The first chapter” que traz a maioria destas canções aí. Porém, eu prefiro o charme dos singles...
Foto 1 - LP "God´s own medicine"- crédito: acervo de Gilber de Oliveira Pontes (grupo Facebook Vinil e LP´s colecionadores).
 





 

 






 










 



segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Hatfull of hollow - The Smiths (1984).


Eles foram a melhor e mais popular banda Pop inglesa desde Beatles/Stones/Who. Foram responsáveis também pela retomada das guitarras numa época em que bandas "posers" assolavam as rádios. Foram os responsáveis pela parceria mais original e prolífica desde Lennon/McCartney. Foram os responsáveis pelo nascimento de uma legião de fãs fiel, tocados pela beleza das texturas sonoras, pelo conteúdo das letras e pela entrega no palco. Poucos vocalistas se sentiram tão à vontade para falar de temas principalmente emocionais/existencialistas como Morrissey... O mundo Pop está até hoje à espera do surgimento de outro talento e genialidade como o de Johnny Marr... De sua simplicidade musical a seu distinto conceito de mídia (como as ilustrações de capas, o lançamento de singles diversos, a postura de não realizar video clips no formato padrão,etc.), a banda introduziu em grande estilo seu nome na galeria dos maiores nomes do Rock em todos os tempos. Eles foram a mais original banda das Ilhas nos anos oitenta, e para sempre continuarão sendo porta-vozes dos sonhos, das opiniões e dos sentimentos de milhares de pessoas no mundo todo. Os Smiths foram grandes porque falaram a linguagem que o ser humano mais entende: a das emoções.

 


                                                  crédito da foto: acervo de Edgar Soares (grupo Facebook
"Vinil e LP´s colecionadores"). 
 
Este é o álbum que melhor retrata o rock inglês dos anos oitenta. Também o melhor álbum dos Smiths. Recheado de algumas gravações contidas no primeiro álbum da banda, como "Reel around the fountain" ou "What difference does it make" e outras  realizadas em sessões com o legendário radialista John Peel,  o trabalho traduz tudo o que o grupo soube dar à música Pop e àos fãs: de situações caricatas presentes no cotidiano das relações humanas ("Girl afraid" - espécie de música símbolo da banda, tema por muitos anos do programa juvenil televisivo "Realce"), à conotações homossexuais ("Handsome devil"). De insatisfações político-sociais com o governo de Meg Tatcher ("Still ill"), ao rolo-compressor existencialista "How soon is now", considerada por muitos como a verdade-mor de sua carreira. E como não falar da criatividade musical do fenômeno Johnny Marr ("William it was really nothing"), a guitarra mais original do reino unido nos anos 80? Mas este disco se caracteriza por três canções simples, diretas e algo deprimidas, próprias da personalidade de Morrissey e da sensibilidade de Marr: "Back to the old house", "Please please please let me get what I want" e "This night has opened my eyes". Se só tivessem lançado este álbum, já teriam escrito seu nome na galeria dos grandes do Rock inglês e deixadas registradas as verdades de muitos de nós em pérolas musicais...

 
crédito da foto: acervo de Ricardo Santos (grupo Facebook
"Vinil e LP´s colecionadores"). 
 
 
Eu particularmente não possuo a versão em vinil deste disco, mas agradeço aos colegas de Facebook pelo pronto envio das fotos ilustrativas desta postagem. Valeu pela contribuição!