quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Let the snakes crinkle their heads to death - Felt (1986).


                Quem não sabe da existência do FELT, vale dizer que é uma banda oitentista de Birmingham (UK) e que teve seu centro na figura de Lawrence (na foto p&b), seu líder, guitarrista e compositor.  A banda lançou 10 álbuns e 10 singles ao longo da década com muita rotatividade em sua formação, destacando-se o EXCEPCIONAL guitarrista Maurice Deebank, responsável por texturas únicas com suas semi-acústicas. Lawrence foi influenciado – até no nome da banda – pelos americanos do Television de Tom Verlaine e gravaram os trabalhos por três independentes inglesas nesta ordem:  Cherry Red, Creation e ÉL.
                Não vale a pena falar de letras ou melodias, visto que o vocal preguiçoso presente mais como acompanhamento nas canções não é digno de nota. Mas as harmonias...aí sim, é onde a banda deixou seu legado e influenciou bandas como o Belle & Sebastian nos anos 90. A banda também primava pelas excepcionais capas de seus álbuns – principalmente nos trabalhos com a Cherry Red Records.

 
                Este álbum é de 1986 – primeiro pela Creation records – e retrata canções curtas, bem estruturadas em sua concepção de singeleza e simplicidade. Não é considerada uma obra de extrema importância, pois sua obra-prima se daria no álbum seguinte (Forever breathes the lonely word) segundo uma própria fonte da Creation Records.  Claro, isso sem falar dos 4 primeiros trabalhos maravilhosos com o já citado Deebank.       
                Let the snakes... é um de seus dois álbuns instrumentais e...dura APENAS 19 minutos! Evoca para mim, acima de tudo, espiritualidade, infância, utopias, momentos, desejos, bem-estar...imagens, imagens e...imagens! É o que a banda nos brinda com este trabalho. Lawrence pela primeira vez tocou todas as guitarras num álbum e as faixas foram compostas depois de Ignite the seven cannons. Vale a pena mencionar que este disco figura em listas de melhores álbuns de audiófilos como o do colega do Reino Unido Adrian Denning (http://www.adriandenning.co.uk/extra/top100.html).  O que achei interessante ao escrever esta resenha foi escutar as canções e não falar muito de estruturas de composição, deixando o imaginário funcionar e compartilhar o que algumas delas me remetem.  Vamos lá...

                Song for William S. Harvey lembra um destes filmes engraçados do diretor francês Jacques Tati (Meu tio, As férias do Sr. Hullot) ou bem poderiam ilustar cenas de filmes de Chaplin. Ou um carro rodando numa estrada numa tarde ensolarada de verão. Uma delícia e grande trabalho dos teclados.  Ancient city where I lived parece ter sido retirada da atmosfera dos sons de uma cidade litorânea, inclusive com sons de pássaros. E que guitarra matadora! The Seventeenth century  traz um maravilhoso entrelace de teclados e guitarra que fica densa do nada e te faz gravitar entre lembranças boas do passado. Uma das mais sublimes da banda. The Palace remete a uma era vitoriana com camadas sonoras que se sobrepõem. Jewel sky  parece mais uma vinheta – imagine estar num agradável café em Paris ou Buenos Aires com aquela confusão de transeuntes para cá e para lá na avenida...vc escolhe... Viking dress  é de um teclado marcante e me lembra a infância e toda a sua magia, profunda de sentimentos e pureza. A utopia das amizades.  Sapphire mansions  remete ao clima do início do disco - prá cima, com arranjo cheio e o clima da cidade grande e seu vai-e-vem interminável.  E cada um que conte o que lhe vem à mente!

 
                O FELT não teve grande sucesso fora da Europa, apesar de ser cultuada e de ter colocado um número 1 nas paradas britânicas com a brilhante “Primitive Painters” de 1985 ( do único álbum lançado no Brasil). Aos que querem conhecer a banda melhor, comece pelos 2 primeiros discos, um estrondo. Por exemplo, em minha opinião eles conseguiram compor o melhor tema instrumental da década, com “Serpent Shade”.  Foi praticamente a única banda da qual não tive coragem de me desfazer de nenhum item em 2011 quando dei uma “limpa” em minha coleção. Uma banda (ao lado dos Smiths) que me influenciou no foco em composições simples. Boa viagem e um viva à mágica da música com esta pequena obra-prima...
                Veja a biografia da banda em: http://www.adriandenning.co.uk/feltbiog.html

                Para quem curte os anos 80, indico o Projeto AutoBahn (SP) com muita coisa sobre a música e a mídia da década em http://www.autobahn.com.br/index.html.
 
ENGLISH VERSION:
                Those who do not know of the existence of FELT, I tell you it's an 80´s band of Birmingham (UK) and had its center in the figure of Lawrence, their leader, guitarist and composer. The band released 10 albums and 10 singles throughout the decade with a lot of turnover in its formation, highlighting the exceptional guitarist Maurice Deebank, responsible for unique textures with his acoustic guitar. Lawrence was influenced – even in the name of the band-by Tom Verlaine of Television and recorded the work for three British independent labels in this order: Cherry Red, Creation and Él.
                It's not worth talking about lyrics or melodies, as their sound is full of lazy vocals accompaniment to the songs and not worthy of note. But the harmonies ... then Yes, it is where the band left their legacy and influenced bands such as Belle & Sebastian in the 90´s. The band was also exceptional on their album´s cover subject -mainly in the work with the Cherry Red Records.
                This album is from 1986 – first by Creation records - and portrays short songs, well-structured in its design simplicity and singleness. Is not considered a work of the utmost importance, because their masterpiece would rest on the next album (titled Forever breathes the lonely word) as told by a source of Creation Records itself. Of course,  not to mention the 4 early wonderful works with the aforementioned Deebank.
                Let the snakes... is one of their two instrumental albums and ... only lasts 19 minutes! Evokes for me,  above all, spirituality, childhood, utopias, moments, wishes, welfare ... images, pictures and pictures! That's what the band gives us with this work. Lawrence for the first time played all guitars in an album, and the tracks were composed after Ignite the seven cannons. It is worth mentioning that  this record figure on lists of best albums of audiophiles as the colleague from the United Kingdom Adrian Denning (a hard FELT fan). What I found interesting when writing this review was to listen to the songs and not talk so much about composition structures, leaving the imagination to work and share what some of them refers to me. Let´s go...
                Song for William S. Harvey reminds me one of these funny movies from french director Jacques Tati (My uncle, The vacation of Mr. Hullot) or might as well illustrate Chaplin movie scenes…or a car running on a road on a sunny summer afternoon. Dellicious and great job of keyboards. Ancient city where I lived seems to be retract from the atmosphere of a seaside town, including sounds of birds. What a killing guitar! The Seventeenth century brings a wonderful weave of keyboards and guitar that is dense and makes you gravitate between good memories of the past. One of the band´s most sublimes. The Palace refers to a Victorian era with overlapping sound layers. Jewel sky looks more like a sticker-imagine being in a cosy café in Paris or Buenos Aires with that confusion of passers-by on the promenade ... you choose… Viking dress has a remarkable keyboard and reminds me of childhood and all its magic, deep feelings and purity. The utopia of friendships.  Sapphire mansions refers to the climate in the beginning of the album - up, with full arrangement and the climate of the big city and his endless back-and-forth. And each of you tell me what comes to your minds.
                FELT hadn´t great success outside Europe, in spite of being worshipped and have placed a number 1 in the UK charts with the brilliant "Primitive Painters" in 1985 (the only album released in Brazil). Those who want to know the band better, start with the 2 first albums, a bang. In my opinion, they have managed to compose the best instrumental theme of the Decade, with "Serpent Shade". It was virtually the only band which I didn't have the heart to get rid of any item in 2011 when I gave a clean in my collection. A band (alongside the Smiths) that influenced me in focus on simple compositions. Have a good trip and a long live the magic of music with this little masterpiece.
See biography at: http://www.adriandenning.co.uk/feltbiog.html
 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

XV Feira de vinil - Instituto Bennet, 08 de novembro.


              Mais um dia feliz. Ou um dia de fúria, tal o enxame de pessoas que já se acotovelavam nos stands nas primeiras horas... E assim permaneceu até – pelo menos – umas 18:30 hs. Foi a XV feira de vinil no Instituto Bennet. Muitos expositores novos se fizeram presentes, como o pessoal da Engenharia do Vinil (Centro SP) e a Informal discos (que faz parceria atualmente com a Mara Records). Outros da capital paulista que já tem participação tradicional como a Zoyd (da galeria do Rock) e a BigPappa Records se fizeram presentes. Outros destaques foram a Sensorial Discos (SP) que trouxe lp´s lacrados da última geração indie, a  Zoeira (SP) com seu tradicional furgão azul,  a já famosa Tropicália (com seu staff super gente boa), o Jerry (com seus itens sempre bem cuidados) e a Renaissence da Tijuca entre mais de 60 expositores.
 
 
                A feira organizada pela Satisfaction Discos (RJ) trouxe como plus 2 ex-integrantes da banda setentista Azymuth (foto acima) que estiveram pelos corredores dando a esta edição um charme especial.  Eles receberam o troféu Feira do Vinil do Rio 2015 das mãos do organizador do evento, Marcelo (ao fundo na mesma foto). Junte-se a isto a venda de camisetas, cds, dvds e discotecagem na área 2 (pátio) e teremos os ingredientes ideais para um dia inesquecível para os fãs da bolacha negra. 

 
Ézio da Zoyd discos (esquerda) e Lúcio da Sensorial discos (direita) 
 
                Também agora – e para futuras feiras – o Instituto serve almoço na própria cantina do local, o que é garantia de conforto para os ávidos garimpadores que não querem se afastar de seu local sagrado nem perder tempo em dias como estes nem mesmo para encher a pança...! Fica apenas a ideia – se já não está sendo feito – para que a organização possa publicar na rede a doação para a Casa de Francisco de Assis dos alimentos não perecíveis que é pedida como entrada para o evento. Transparência é sempre bom nestes casos, certo?

                           
                             Junto ao batera do Azymuth (Mamão) e perdido no paraíso.

                Sem dúvida - e mesmo sem conhecer muitas - esta está entre as 3 melhores feiras de vinil do  país. Seguem os itens comprados:
  • Born sandy devotional - The Triffids;
  • Roupa nova (83);
  • Choque - Kiko Zambianchi;
  • The greatest hits of the Lovin´ Spoonful (import);
  • Main course - Bee Gees;
  • Tudo passará - Nelson Ned;
  • Autobahn (capa azul) - Kraftwerk;
  • A la demand espéciale - Charles Aznavour;
  • Speak like A child - The Style Council (compacto import);