quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Rumble Fish Original Soundtrack - Stewart Copeland.


                Este é o filme a que mais vezes assisti. Seja no cinema, em vhs ou mesmo em dvd. O que me encanta nesta película são vários aspectos: A amizade entre irmãos oriundos de uma família pobre e sem horizontes. A fúria da juventude, com suas dúvidas, medos, seu sentimento de não pertencimento à sociedade (tema igualmente proposto em The Outsiders  também da escritora Susan E. Hinton e filmada por Francis Coppola no mesmo ano). A passagem inevitável do tempo. O que já foi e não volta mais – a fama do Motorcycle Boy (interpretado por Mickey Rourke) em cuja sombra se espelha o personagem de seu irmão. A repressão, na figura do policial que espera o momento do acerto de contas. O drama com atípico final como não se deve esperar de filmes americanos. E minha própria estória de vida, na época (1986) com tantas descobertas e novidades (salve galera do cine Estação Botafogo!). Memórias... 
              
 
 
               Coppola utilizou elementos do expressionismo, do gênero policial noir norte-americano e da escola francesa dos anos 60 para criar um belo retrato da sociedade norte-americana na cidade abafada de Tulsa, Oklahoma. Baseou-se quase integralmente no livro homônimo de 1975, da jovem escritora citada. Coppola estava em baixa neste período, com seu Zoetrope Studios em dificuldades financeiras. Obteve, porém, críticas positivas (como também várias negativas). Já li em algum canto que Coppola o considera seu melhor filme.

                Inicialmente o diretor visualizava um experimento rítmico para complementar as imagens. Ao começar a trabalhar com Stewart Copeland ele deixou o ex-The Police manejar os tempos da trilha, dando-se conta da grandiosidade do baterista como percussionista. Copeland gravou sons ao vivo na cidade e utilizou-os mixando com a trilha composta por ele utilizando-se de um software/hardware chamado Musync que modificou o tempo para sincronizar as composições com a ação do filme. Todas as composições são dele, exceto Don´t box me in que foi composta com o vocalista Stan Ridgway – que canta na faixa título. O personagem Rusty James (interpretado por Matt Dillon) acabou por ser tema também de uma canção dos Manic Street Preachers, além da faixa “Hey Rusty” presente no  álbum “Mainstream” dos Commotions de Lloyd Cole em 1987.


 
                O resultado soa como uma das mais perfeitas trilhas dos últimos 30 anos no cinema, um casamento único. O som marca o filme tanto quanto as alusões ao tempo. Minimalista em vários momentos, jazzista em outros, surreal , com utilização contida de guitarras, piano, incursão de vários objetos incorporados à harmonia...enfim, ouvir este disco é lembrar de cenas, diálogos, olhares, sombras - é mergulhar na beleza da sétima arte como um todo! A sutileza e riqueza do trabalho é digno de louvor – foi indicado ao Golden Globe (que acabou não levando) de melhor trilha sonora daquele ano. Veja o filme, reveja e pense seriamente em adquirir esta obra prima. A minha cópia é americana da extinta loja Modern Sound (Copacabana,RJ) e traz na capa a arte do cartaz europeu do filme. Saudações aos audiófilos e cinéfilos!    


                 A All Music Guide (AllMusic) deu 4 ½ (em 5 estrelas) a este álbum.  Foto1: Cartaz americano do filme (Internet), Foto2: Cartaz europeu do filme (en.wikipedia.org), Foto3: coleção pessoal, Foto4: loja Modern Sound (Internet).

ENGLISH VERSION

                This is the movie that more often I´ve watched. In cinema, on vhs or dvd format. What I love in this film are various aspects: the friendship between brothers from a poor family and without horizons. The fury of the youth, with his doubts, fears, his feeling of not belonging to the society (theme also proposed in The Outsiders also by author Susan e. Hinton and filmed by Francis Coppola in 1983). The inevitable passage of time. What's gone and will not coming back - the fame of the Motorcycle Boy (played by Mickey Rourke) in whose shadow mirrors the character of his brother ... The repression, in the figure of the police officer who expects the moment of reckoning. The atypical drama end as one should not expect from American movies . My own story of life at the time (1986) with so many discoveries and innovations. Memories...

                Coppola used elements of expressionism, of the american film-noir and the French school of 60´s to create a beautiful portrait of American society in the city drowned out of Tulsa, Oklahoma. It was based almost entirely on the 1975 book of the same name by the young writer. Coppola was low during this period, with his Zoetrope Studios in financial difficulties. Obtained, however, positive reviews (as well as several negative). Coppola thinks this as his best and perfect film.

                Initially the Director visualized a rhythmic experiment to supplement the images. Start working  with Stewart Copeland he left the former The Police handle the trail, realizing the greatness of the drummer as a percussionist. Copeland recorded live sounds in the city and used them mixing with the score composed by him managing a software/hardware called Musync that modified time to synchronize the compositions with the action of the film. All the compositions are his except Don ´ t box me in which was composed with vocalist Stan Ridgway – who sings on the title track. The character Rusty James (played by Matt Dillon) turned out to be a theme in a song of Manic Street Preachers and also on the track "Hey Rusty" from album "Mainstream" by the Commotions and Lloyd Cole in 1987.

                The result sounds like one of the most perfect trails for the last 30 years at the movies, a unique marriage. The sound fits the images as much as the allusions to time. Minimalist at various times, jazz in other, surreal, with constraint use of guitars, piano, incursion of several embedded objects to the beat ... well, listening to this work is to remind scenes, dialogues, glances, shadows…is diving into the beauty of the seventh art as a whole. The subtlety and richness of the work is worthy of praise – was indicated to the Golden Globe (which ended up not taking) for best soundtrack of that year. See the film, review it and think seriously purchasing this masterpiece. My copy is an american one from  the defunct store Modern Sound (Rio de Janeiro) and brings on the cover the art of the European movie poster. Greetings to audiophiles and cinephiles!

                 Allmusic (AllMusic guide) gave 4 .5 (5 stars) to this album.  Photo1: American movie poster (Internet), Photo2: European movie poster (en.wikipedia.org), Photo3: personal collection, Photo4:  Modern Sound store (Internet).