terça-feira, 16 de agosto de 2016

Lapis de cor - Fátima Guedes (1981).

[post em: 21/MAR/16]
               A música de Fátima está no meu inconsciente desde a adolescência por causa da execução nas rádios da fenomenal "Cheiro de mato" (1980) que marcou muito aquela fase da minha vida e
de nossa MPB. Curioso por querer conhecer mais da artista, terminei conhecendo outros
trabalhos dela e destaco este!


               Lápis de cor (1981) é seu terceiro álbum pela EMI Odeon e teve boa receptividade de crítica
após dois álbuns muito fortes e a participação na final do MPB Shell 80 com "Mais uma boca".
Fátima chegou neste trabalho maduro já com a respeitabilidade da mídia e de artistas consagrados.
O álbum, na minha visão, é uma ode ao amor, às lembranças da infância, ao sentimento da mulher
ainda lutando para liberar seus medos na ainda machista sociedade do começo da década. Vamos a ele...
               "Arco íris" tem o piano de Eduardo Souto Neto - maestro do Rei Roberto Carlos - permeando a linda melodia onde Fátima passeia entre a fantasia de fadas e gnomos. "Fraqueza" e "Desacostumei de carinho" (segunda do lado B) falam da mulher em estado de ruptura no dilaceramento de relações afetivas, tema tão presente na obra da cantora. "Pelo Cansaço" é um samba à Paulinho da Viola (pelo menos me remeteu a tal) com excelente presença de metais e arranjo cheio, com muito balanço. Em "No fim da casa" ela descreve com ternura imagens e momentos vividos com seu avô - em letra comovente - ao lembrar tempos passados nos detalhes de uma convivência que suplanta o tempo. Os versos muito especiais e a entrega interpretativa da cantora fazem desta uma faixa muito emotiva. Impossível não lembrar do meu próprio avô...Saudades... "A bailarina" encerra o lado A apenas com teclado e voz. Faz uma ponte entre a solitária dançarina da caixinha de música e o sentimento da compositora. Linda, suave, quase se podendo vislumbrá-la num quarto triste num fim de tarde a alegrar a alma da casa...


               O lado B abre com a canção-título, obrigatória para quem escolhe manter a criança que vive dentro de nós ativa, mesmo face aos desequilíbrios da vida! Emociona com uma interpretação magistral de Fátima - dando um acento propositalmente infantil - que permeia a linda melodia formando um conjunto harmônico irresistível e majestoso. Esta é uma das canções que me faz chorar sempre que a escuto..."Celeste" é como o título: calma, com harmonia belíssima liderada pelo teclado sempre marcante de Gilson Peranzetta. "Bicho medo" traz uma levada com arranjo de sotaque nordestino deliciosa. "Eu" fecha o disco numa letra desabafo maravilhosa com a presença de Simone, num arranjo deslumbrante pontuando a melodia. Não há como descrever o contraponto vocal entre as duas lá pelo fim da música!


               Eu havia me desfeito deste LP em 2011, porém fui atrás e o recuperei na mesma loja que havia comprado meu lote. Foi uma injustiça contra a minha pessoa. Fátima o autografou. Este é definitivamente um LP que me emociona fundo. A leveza e afinação da voz da Fátima, combinada às belas harmonias em canções ternas e cheias de saudosismo nas letras atinge em cheio o coração. Se você gosta de MPB corra atrás desta obra que traz a capa (do consagrado artista Elifas Andreato) em formato de encaixe, como se fosse mesmo a saudosa caixa de lápis de cor da Faber Castell. Obra maiúscula de nossa música. 

        
                Seu mais recente trabalho é "Transparente", o qual me permitiu estar com a cantora
no show de lançamento do Rio de Janeiro (fotos 3 e 4), um luxo! Saudações. A página oficial de Fátima é:

 
http://www.cantorasdobrasil.com.br/cantoras/fatima_guedes.htm  

domingo, 7 de agosto de 2016

Cinco álbuns fundamentais(2): Here at last...BEE GEES...live - Bee Gees (1977).

[post em: 21/JUL/16]
Este é mais um tributo meu a uma das bandas que contribuiu para meu gosto e opção musical ao longo dos anos. Um dos 5 álbuns fundamentais da minha existência também. O trio vocal mais famoso de todos os tempos, os irmãos Gibb. Este disco foi escolhido porque, além de servir como um resumo da primeira fase da banda, foi o único registro musical que tive nos 3 formatos: k7, vinil e optei por ficar com o atual em cd. Os Bee Gees foram meus primeiros professores, eu diria.
                

                Ao contrário de álbuns ao vivo em que o público nem mesmo é captado com clareza e se tem a impressão de se estar escutando um disco de estúdio comum – como no caso do “Arena” do Duran Duran – este é quente, bem mixado, e o burburinho está lá para se sentir parte do show.

                A banda já estava no caminho sem volta do rhythm´n´blues  desde o “Main course” de 1975 (para mim o melhor deles) e em 1976 consolidou esta opção com “Children of the world”. Partiram para uma turnê e deixaram este registro impecável gravado em Los Angeles em 20 de dezembro de 1976. Na verdade, se poderia escrever sobre todas as faixas mas resolvi dar um highlight nos grandes momentos deste disco duplo.



                Disco 1: A abertura de “I´ve gotta get a message to you” com metais traz o público numa explosão receptiva que contagia, enquanto Robin entoa os primeiros versos. Esta canção não é das preferidas do público, mas funciona muito ao vivo devido a seu arranjo que traz elementos como o country, por exemplo. “Love so right” é minha balada predileta e o público feminino vem abaixo com o falsete de Barry, sua marca registrada. É uma versão que – creio – nunca conseguiram igualar, pois o arranjo de vozes do fim da canção – com Maurice (não tenho certeza) pontuando os trinados de Barry já vale o disco. Prestem atenção. Maravilha.  “Come on over” traz Robin transformando uma música balada country normal num crescendo com sua voz distinta. Muito superior à versão em estúdio. Olivia Newton John creio já a havia gravado também, mas não há como comparar. Virando o lado (rs) temos o meddley anunciado por Barry que passou a fazer parte de todos os shows dos irmãos – trazendo o material pop- romântico deles de sua fase pré-balanço. Já vale o disco (de novo) com destaque para o impecável arranjo vocal da sinistra “New York mining disaster  1941” e o hino de Robin “I started a joke”. Depis do meddley, este set fecha com chave de ouro com a mulherada caindo de prantos com o falsete de Barry que marcou pra sempre a linda “How can you mend a broken heart”. Esta desde já um dos pontos altos de shows do trio.

Disco 2: O lado 3 é o mais “fraco” dos 3, com ênfase no balanço em 3 músicas da fase mais moderna do trio e fechando com o grande momento de Barry – “Words”, outra que não pode faltar nunca.  O último lado é poderoso, com destaque para a banda de apoio e traz os dois principais hits do já citado álbum de 1975. “Wind of change” traz um falsete de outro mundo (!) de Maurice – que sabia como ninguém pontuar o que os outros dois faziam nos vocais principais – e os metais pegando fogo. A minha canção pop preferida deles vem em seguida. “Nights on Broadway”  traz uma mensagem da noite, das ruas, de vivência. Já era poderosa em estúdio e ficou ainda mais aqui. Há espaço para os três brilharem e merece atenção redobrada. Notem como Barry muda de entonação vocal como somente um mestre é capaz de fazer. Robin entra na “bridge” antes do refrão com uma afinação impecável e Maurice tem o seu ponto alto do show com um falsete que começa terminando os versos de cada refrão até explodir numa estridência típica deles lá pelo final. Uma apoteose. A triste mas linda balada “Lonely days” fecha o disco com o bye-bye da banda e a sensação de que esta turnê foi – pelo menos nos arranjos – a melhor da história da banda.


Há vasto material do trio na Internet e não quero discorrer muito. Apenas a citação de que, depois dos Beatles, foram a única banda com 3 músicas no top five dos Estados Unidos no final dos anos 70, ajudaram a estabelecer a onda disco sem nunca perder as raízes pop e country, flertaram com o rhythm´n´blues e marcaram gerações.  Compre para ontem se for escolher apenas um item da discografia da banda. Saudações.


crédito das fotos: A. Andrady.

ENGLISH VERSION

This is another tribute to one of the bands that contributed to my taste and musical option over the years. One of the 5 albums of my existence, too. The most famous vocal trio of all time, the brothers Gibb. This album was chosen because, in addition to serve as a summary of the first phase of the band, was the only musical registry I got in 3 formats: k7, vinyl and I chose to stay with the cd format. They were my first teachers, I'd say.

Unlike live albums which the audience is not captured with clarity and you have the impression to be listening to a common studio work – as in the case of "Arena" by Duran Duran – this is hot, well mixed, and the buzz is there to make you feel part of the show. 

The band was already on the path of no return by choosing rhythm´ n´ blues since the "Main course" of 1975 (for me the best one) and in 1976 consolidated this option with "Children of the world". They went on tour and left this impeccable record registered in Los Angeles in December 20, 1976. In fact, one could write about all the tracks but I decided to give a highlight on the big moments of the double disc. 

Disc 1: the opening  "I've gotta get a message  to you with horns brings the audience in a contagious explosion, while Robin sings the opening lines. This song never was a public's favorite, but it works very well live due to its arrangement that brings such elements as country, for example. Next "Love so right" is my favorite ballad and the female audience went mad with Barry´s falsetto, his trademark. Is a version that – I believe – they never equaled again live because of that voice arrangement here. Maurice (not sure) punctuates the trills of Barry making the record worths the price. Pay attention. Wonderfull.  "Come on over" features Robin transforming a normal country ballad music into something big with its distinctive voice. Far superior to the studio version. Olivia Newton John I believe already had recorded that tune, but there's no way to compare. Turning the side (rs) we have the meddley announced by Barry that became part of every show of the brothers – bringing them pop material throughout their earlier phase to the stage. Worth the price (again) with the impeccable vocal arrangement of the sinister "New York mining disaster 1941" and Robin´s anthem "I started a joke". After medley is gone, this set closes with a golden key with the chicks in tears with Barry´s falsetto which  marked forever the beautiful "How can you mend a broken heart". This already shows one of the high points of the trio.

Disc 2: the side 3 is the less interesting, with emphasis on disco sounds in 3 songs and closing with the great moment of Barry -"Words" (another that cannot be out of their gigs).  The last side is powerful, especially the work of the backing band and shows  the two main tracks of the aforementioned album of 1975. "Wind of change" brings a falsetto (from another world!) by Maurice – who knew well how to punctuate what the other two did in lead vocals - and the horns & brass on fire. My favorite pop song of them comes next. "Nights on Broadway" brings a message of the night, the streets and of human experience. That track was already powerful in studio and became even more here. There's room for the three musketeers shine and deserves attention. Notice how Barry changes his vocal intonation as only a master can do. Robin enters the bridge with an impeccable tuning and Maurice has its high vocal point of the show with a modulation in falsetto that starts by the ending of the verses until he explodes in a typical stridency.  An apotheosis. The sad but beautiful ballad "Lonely days" closes the disc with the bye-bye and the feeling that this tour was – at least in the arrangements – the best in the band's history. 

There are vast material of the trio on the Internet and I don't want to talk much. Only quote that, after the Beatles, they were the only band with 3 songs in the top five in the United States at the end of the 70´s, help to stablish the wave disco era without ever losing the roots in pop and country, flirted with the rhythm n blues ´ and scarred generations.  Buy this item if you choose just one of their discography. Greetings.

photo credits: A. Andrady.

Cinco álbuns fundamentais(1): War - U2 (1982).

[post em: 21/JUN/16]
  Este foi um dos álbuns que me levaram a cantar, a formar uma banda, a tentar uma carreira, a povoar minha mente de fantasias musicais, de contestações, de poesias...O U2 estourou nas rádios brasileiras em 1985, após a arrasadora apresentação da banda no Live Aid, em Wembley. As rádios começaram a executar “Sunday Bloody Sunday” e “New year´s day” bastante, ajudando a divulgar a banda e uma nova febre nascia aqui no Brasil. Este álbum e o “The Unforgettable fire” foram dois álbuns de cabeceira – mesmo! – pois nesta época cansava de escutar os dois álbuns em fita k7 tarde da noite, tentando mergulhar na conturbada Europa dos anos 80. Fundamental na carreira da banda, este álbum foi prejudicado pelo roubo das letras de Bono por alguém não identificado durante a confecção da obra (o que mostra a maestria do vocal com os escritos, pois conseguiu reunir de novo grandes ideias e insatisfações num álbum incrível).
               Outros discos também foram “barra pesada” (politicamente falando) nos anos 80, certo? Bandas como o Big Country, O Clash ou o New Model Army foram bandas politizadas, mas que não chegaram tanto ao mainstream quanto o U2 falando abertamente de seus conflitos à época. Vamos ao petardo em si...


“Sunday Bloody Sunday” abre o disco como um imortal grito de protesto anti-bélico referindo-se ao massacre da cidade de Londonderry em 1972 pelas tropas inglesas contra os católicos irlandeses. Até hoje é um símbolo da banda e da época. Resta dizer que o U2 não apoiava o IRA em suas ações terroristas contra o domínio britânico da coroa real. O destaque, além da letra, é o violino super bem-colocado por Steve Wickham na canção. Está entre as 500 maiores canções do pop para a Rolling Stone (#272). 
              “Seconds” é permeada por violão e uma letra que fala sobre a Guerra Fria da então URSS contra os EUA e a iminência nuclear de um simples apertar de botão vir a deflagrar o fim do mundo. Adam Clayton manda uma linha de baixo super interessante...Fria, com bateria marcante, não foi sucesso mas é muito boa faixa. The Edge divide o canto com Bono nesta, sendo inclusive a voz principal.

“New year´s day” dispensa comentários. A linda linha de teclado de The Edge, a letra ( referindo-se ao sindicato Solidariedade de Lech Walesa da Polônia) e a interpretação apaixonada de Bono fizeram desta um dos 10 maiores sucessos da carreira da banda, sem dúvidas. No disco, a duração dela é mais longa do que a que é executada pela banda ao vivo, com uma estrofe a mais. Está entre as 500 maiores canções do pop para a Rolling Stone (#435). 
“Like a song” não se destaca tanto, porém, é a performance mais dramática de Bono, colocando os pulmões pra fora e a banda chegando junto, super engajada.
“Drowning man” é belíssima, também contando com um violino marcante, com a banda quase flutuando (é esta a sensação que me traz esta música) e Bono declamando uma letra cheia de paixão e sentimentos nobres pelo seu amor. Destaque certo do disco.
Algumas fotos e clippings importados da banda. 

              O lado B abre com “The refugee”, também não muito conhecida. A bateria de Larry Mullen arrebenta tudo desde o início. Uma harmonia não tão rica, mas com um refrão que difere de suas estrofes raivosas, por assim dizer.  Seu final traz uma daquelas melodias típicas para a massa acompanhar junto. Faixa muito interessante, poderia muito bem ter sido incluída na trilha sonora do filme “Em nome do pai” – cuja música tema é de Bono, por sinal.

“Two hearts beat as one” foi o segundo single do disco. Dançante e pop – pelo menos em relação às demais – conta com um trabalho bacana da cozinha e uma letra mais para cima. Aqui no Brasil foi lançado um remix desta canção que chegou a tocar bastante nas danceterias (!) do Rio de janeiro em 1985/1986. 
“Red light” também é mais para cima, com trabalho de backing-vocals e letra (segundo a Wikipedia) em referência à prostituição. O trompete de Kenny Fradley entra muito bem, solando e encerrando a música em clima de trilha-sonora. Vale a audição com cuidado.
             Em seguida vem a minha preferida do disco. “Surrender” nunca foi igualada ao vivo...O clima desta gravação é único, coisa de estúdio, junção de pessoas e feeling de momento. A aflição de Sadie, a garota-tema da canção numa letra passional (mais uma) de Bono, os teclados incidentais, a bateria arranjada de forma minuciosa por Mullen, a estupenda performance vocal de Jessica Felton ao longo da faixa e o impressionante arranjo de vozes que fecha a canção – com o maestro Bono no comando das massas imaginárias - faz com que esta música seja uma das 10 gravações mais memoráveis do grupo em toda a carreira (cito aqui também a linda “A sort of homecoming” do ano seguinte). É o grande destaque em minha opinião.

“40” foi, durante muito tempo, a faixa que fechava os shows da banda. Espiritual, quente, onde a banda saía do palco e Mullen fechava sozinho o show. Preste atenção na colocação das vozes desta gravação. The Edge e Bono trazem muito lirismo à canção e te deixam com uma certa melancolia. Genial...

Minha coleção de revistas / livros tendo o U2 como tema e/ou capa. 
A respeito de outros aspectos do álbum: Foi todo gravado em Dublin em 1982 (lançado em 1983), tendo como produtor Steve Lillywhite. O garoto da capa (Peter Rowen), que era da vizinhança de Bono - esteve também presente na capa do álbum “Boy” - ilustrou a turnê do disco e se tornou um símbolo da banda. Outro fato interessante é que a arte é em cinza e vermelho, mesmas cores do jornal “Solidariedade Semanal” do movimento polonês. 

            Alguns números da Rolling Stone: A capa de “War” foi eleita pelos leitores em 1991 como a 42ª melhor de todos os tempos. O disco está entre os 40 maiores da década segundo os críticos da revista. O álbum é listado como um dos 500 maiores de todos os tempos (#223). Chegou a número 1 no Reino Unido e a número 12 nos EUA. 
            Respeito muito o “The Unforgettable fire” de 1984 – outro essencial da banda – porém, “War” consegue soar magnífico sem faixas descartáveis como o seu sucessor. Este disco foi um dos que não consegui me desfazer e até hoje me causa espanto ao escutar. Minha cópia é nacional de 1985, em estado de zero e comprada – quem se lembra – na extinta rede Gabriella Discos. Aqui eu pago uma dívida (mais uma) a uma banda de cabeceira, antes do U2 se transformar numa caricatura de si mesmo, com Bono (sic) se achando um business showman à la Sinatra, perder o rumo durante os anos 90 e perder o fã de carteirinha que vos fala. Meu respeito e agradecimento à banda, porém, são eternos...

Fotos: acervo pessoal. Review por Alvaro Az. Quer ler mais sobre este magnífico álbum? Saiba mais em:   https://pt.wikipedia.org/wiki/War_(%C3%A1lbum)



ENGLISH VERSION

This was one of the albums that send me to sing, to form a band, trying a career, to populate my mind of musical fantasies, objections, poetry... U2 blew in the Brazilian radios in 1985, after their overwhelming presentation at Live Aid in Wembley. The radios began to perform "Sunday Bloody Sunday" and "New year's day"  so much, helping to promote the band and a new fever was born here in Brazil. This and "The Unforgettable fire" were two bedside albums-really! - because this time I got “tired” of listening to these two albums on tape late at night, trying to soak in the troubled Europe of the middle 80´s. Vital in the band´s career, this album was hindered by the theft of Bono lyrics by someone unidentified. What shows the mastery of U2 vocal with the lyrics, as he managed to put all his disatisfaction and ideas on an amazing album.

Other discs were also "heavy" (in political aspects) in the 80´s, right? Bands like Big Country, the Clash or  New Model Army were politicized bands, but didn't make it to the mainstream as U2 – talking openly of world´s conflicts at the time. Let's go to the bomb itself…

"Sunday Bloody Sunday" opens the disc as an immortal anti-belicist cry referring to the Londonderry massacre back in 1972 by British troops against Irish catholics. Until today is a symbol of the band and that season. Needless to say that U2 did not support the IRA in its terrorist actions against the British rule of the Royal Crown. The highlight, beyond the letter, is the violin presence by Steve Wickham in the song.

"Seconds" is pervaded by acoustic guitars and a letter that talks about the so-called Cold War and the nuclear looming with a simple push of a button generating the end of the world. Adam Clayton puts a very interesting bass line. Cold - with striking drums  - was not a success but is very good track. The Edge is the mainly vocal in this track, dividing work with Bono.

"New year's day ´" waiver comments. Beautiful keyboard riff from The Edge, the lyrics (referring to the Lech Walesa´s Solidarnosc in Poland) and the passionate interpretation of Bono have made this one of the 10 biggest hits of the band's career, no doubt. On disk, the length is longer than the live version performed by the band, with one more stanza.

"Like a song" don't stand out as much, however, is the most dramatic performance of Bono, putting their lungs out and the band coming together, super committed.

"Drowning man" is beautiful, also counting on a violin, with the band almost floating (that is the feeling that brings me this song) and Bono declaiming a letter full of passion and noble sentiments for his love. Sure a presence on this work.

The B side opens with "The refugee", also not very known. Larry Mullen drums bursts from the top. A harmony not as rich, but with a chorus that differs from the rest, so to speak. The ending brings one of those typical melody lines as to make the masses come in and sing together. Very interesting track, could very well have been included in the soundtrack called "In the name of the father" – whose theme is sung by Bono.

"Two hearts beat as one" was the second single from the album. A pop dancing tune – at least compared to the others – has a cool drum & bass work and up lyrics.  Here in Brazil the market released a remix of this song that came to play hard in the danceclubs (!) of  Rio de Janeiro by 1985/86.

"Red light" is also uplift, with good backing-vocal work and lyrics (according to Wikipedia) in reference to prostitution. Kenny Fradley´s trumpet solo and work goes very well,  pushing the ending as in a soundtrack mood. Worth listening carefully.

Then comes my favourite on the disc. "Surrender" was never equaled live ... The climate of this recording is unique: a studio junction of people and feelings at that particular moment. Sadie's distress, the girl-theme song in a passionate lyric (another one) by Bono, the incidental keyboards, drums arranged meticulously by Mullen, the great performance of Jessica Felton along the track and the striking arrangement of voices that closes the song- with maestro Bono in charge at imaginary masses - makes this song one of the 10 most memorable recordings of the group throughout their career (I quote here also " A sort of homecoming " in the following year). This is the highlight - in my opinion.

"40" was, for a long time, the song that closed their concerts. Spiritual, "hot", where the band left the stage and Mullen would close the show alone. Pay attention to the placement of the voices in this tune. The Edge and Bono bring richness to “Bible” lyrics, leaving you with a certain melancholy. Genius.

Regarding other aspects of the album: it was all recorded in Dublin in 1982 (released in 1983), with producer Steve Lillywhite. The cover boy (Peter Rowen), which lived in Bono´s brotherhood, was also the cover model for "Boy". An image that illustrated the tour and became a symbol for the band. Another interesting fact is that the art is in gray and red, same colors of the weekly "Solidarnosc" journal in Poland´s movement.

Some Rolling Stone magazine pool numbers: The cover art was pointed as number 42 in a hundred list by Rolling Stone´s writers in 1991. Appears on the 500 greatest albuns of all time (#223) by its critics and also on the greatest albuns of the decade (#40). Reached number 1 in the UK and number 12 in the U.S.

I have great respect for the follower 1984´s "The Unforgettable fire" – another essential record - but "War" can sound magnificent without disposable tracks. This record was one that I couldn't get rid of and even today causes me passion to listen to. My copy is brazilian in mint condition and bought – who remembers that? – in extinct Gabriella disc store. Here I pay a debt (another one) to the band, before U2 become a caricature of theirselves, with Bono (sic) finding himself a business showman like Sinatra, lose their way during the 90´s and lose this fan who speaks. My respect and gratefulness to the band, however, are eternal.
Photos: personal collection. Review by Alvaro Az. Read more at: https://pt.wikipedia.org/wiki/War_ (% C3% A1lbum)

terça-feira, 21 de junho de 2016

XVII Feira de vinil no Instituto Bennet, RJ - 16 de junho.


A XVII feira de discos no Instituto Bennet arrebentou numa tarde de temperatura impecável e organização idem. Esta edição homenageou o músico Wilson das Neves. Vários expositores como de costume oferecendo preços – em sua maioria – muito bons. Às 11:30 a feira já estava com grande volume de aficionados se debruçando nas bolachas mais deliciosas do planeta.

 

Destaco nesta edição duas coisas: retiraram a discotecagem dos DJ´s da sala principal – o que atrapalhava a negociação com os lojistas e interação dos discófilos – para alocarem no pátio, onde o som se propaga melhor por ser mais aberto. E a deliciosa refeição da cozinha do colégio, muito bem feita, caseira e com preço acessível.



Partindo agora para as ofertas...estavam incríveis. Destaco a Sonzera de São Paulo (http://www.sonzerarecords.com) com seu furgão azul que trouxe um acervo espetacular com preços muito bons, além de atendimento de qualidade. Blocos bem divididos por gênero, LPs bem cuidados, enfim, todo um profissionalismo que deixa exemplos. Este pessoal se estabelece definitivamente como uma das forças do setor no Brasil. A Tropicália também não ficou atrás, com importados muito interessantes, aquele desconto sempre conhecido nas compras e o pessoal nota dez, que trabalha também em parceria com a Satisfaction discos do organizador Marcello Maldonado. A Supernut Records do Fabio levou pra feira – como de costume – sua promoção de leve 3 por um preço único que funciona. É saber escolher...


Compactos importados para todos os gostos muito bons, apesar do preço dos 7” ser um pouco salgado em relação àos long plays. Sempre me falta um pouco de paciência para garimpar compactos! Os importados beiravam a faixa de R$120,00, enquanto que os nacionais, pela maior oferta, variavam bastante.

Nesta feira consegui vários itens que vinha buscando há tempos e não havia adquirido ou por preços altos (como no Mercado livre) ou pelo estado do item. Destaco uma edição importada do “The crossing” do Big Country por apenas R$ 20 mangos com letras em alto relevo douradas e capa texturizada verde escuro. A nacional era de cor azul normal. Um luxo. Outros destaques foram o “Brain salad surgery” do ELP em sua edição completa de 1973 (a melhor capa da música pop em todos os tempos na minha opinião) e a edição de aniversário de 25 anos do “War” do U2 (com encarte envelope, mais letras e fotos num livreto caprichado). Vale dizer que esta edição está descontinuada. O álbum foi tema recente neste blog. Mesmo sem conhecer muitas feiras pelo país me atrevo a dizer que está entre as 3 maiores do Brasil.  Segue a foto dos itens que adquiri e algumas fotos do evento.  Aguardamos a próxima com ansiedade já...



Fotos:1,4 (Alvaro Az); 2 e 3 (Wilza Santos); filmagem: Wilza Santos.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Soy loco por ti America... - discos de artistas de lingua hispânica.

Neste post apresento alguns itens de artistas latinos (ou de língua latina) de minha coleção. Vamos lá:

"Baglietto" é o terceiro álbum de estudio do cantante rosarino argentino Juan Carlos Baglietto,publicado pela EMI Music em 1983. Destaco as músicas - e principalmente a letra -  "Carta de un león a otro" e "Amor en otras palabras". Deste álbum participou também Fito Páez. Vale destacar que, antes de Fito, Baglietto foi o primeiro artista a emplacar disco de ouro na categoria rock argentino.
                Mercedes Sosa dispensa comentários. Esta coletânea da série "A arte de" traz todos os sucessos da cantora em LP duplo, cujo destaque é um encarte - que não faz parte do álbum - à época de seu show aqui no Rio de Janeiro. Para ouvir com calma e se sentir latino...




LP: "A Arte de Mercedes Sosa"

                Silvio Rodriguez é um estupendo trovador cubano, excelente cantor, poeta e cujas letras remetem à revolução cubana, seu folclore, amor, isolamento. É considerado como o melhor compositor de seu país no século XX. Tenho de seus trabalhos os títulos: Días y flores (em cd, de 1975), Mujeres (1978),Rabo de nube (1980) e Unicornio (1982). Sua música é latina até a médula, doce,  mas também feroz em suas mensagens repletas de referências à história de Cuba e as lutas internas do ser. Maravilhoso.




LP´s "Rabo de nube", "Mujeres" e "Unicornio" de Silvio Rodriguez. E o de Baglietto.

                Alguns álbuns são curiosos como o disco "Et le Siens" do cigano Manitas de Plata gravado na cidade francesa de Camargue à época da procissão para Santa Sara de Kali (madrinha do povo cigano). Muito ligado à raiz de seu povo, foi durante anos parceiro de Jose Reys, nada mais nada menos que o pai de alguns integrantes dos Gipsy Kings e pai do violonista solo dos Kings, Tonino Baliardo. O disco por ser música de raíz é de difícil audição, porém, com uma arte (em formato gatefold) muito bonita - trazendo fotos da procissão.
                Outro disco curioso traz o espanhol Juan Manuel Serrat declamando poesias em "Dedicado a Antonio Machado, poeta",de 1969. Muito agradável de se escutar, de um lirismo impressionante.



LP´s "Dedicado a Antonio Machado, poeta" de Serrat e "Et les siens" de Manitas de Plata.

                De Fito Páez, todos que gostam de música pop já ouviram falar. O roqueiro número um da Argentina possui sólida carreira (tendo gravado também com os Paralamas nos anos 90), veio ao Brasil um par de vezes e com uma discografia muito respeitada. Para mim, um dos melhores álbuns da minha coleção é o ao vivo (cd) "Euforia",da turné do álbum "Circo Beat" que o consagrou em seu país. Este eu comprei para ter alguma coisa da música argentina quando estive por primeira vez em Buenos Aires em 1996...e para nada me arrependi. Esta foto é do álbum “Giros” de 1985.




LP de Fito Paez, sem título na capa.

                O recém-falecido saxofonista de jazz Gato Barbieri também diz presente em minha coleção. Do argentino tenho, além do excepcional trabalho (em cd) da trilha "O último tango em Paris", o álbum "Tercer mundo" do qual pude dedicar uma resenha individual neste blog. A arte é das mais lindas de minha humilde coleção. Um trabalho para ser apreciado com muita
atenção e em momentos de introspecção. Descanse em paz, Gato...    


Capa interna em formato gatefold do álbum de Iglesias ao vivo.

                Por fim, um disco de Julio Iglesias ao vivo no Olympia de Paris em 1976. Em formato gatefold caprichado e raro, pois saiu em outros mercados em formato simples e com a foto de capa reduzida. Traz reportagens impressas de jornais e revistas de época em lingua espanhola na parte interna e traz imagens da casa de espetáculos francesa por dentro e por fora. Desde já um dos meus itens-xodó da coleção. Aprecio o trabalho de Iglesias, embora não cogite em ter outros discos dele. Gosto, porém,de seu repertório romântico tanto quanto gosto de Charles Aznavour e Roberto Carlos!


Capa do álbum ao vivo de Iglesias.

                Bem, é isso, pessoal. Espero poder ter compartilhado de forma bacana estes itens latinos de minha coleção. Saudações!


ENGLISH VERSION

In this post I point at items of Latin artists (or latin language) present  in my collection. Here we go:
"Baglietto" is the third studio album of Argentine Juan Carlos Baglietto – a Rosario singer, published by EMI Music in 1983. I highlight the songs-and especially the lyrics - "Carta de un león a otro" and "Amor en otras palabras". This album also has Fito Páez contribution. Worth mention is that, before Fito, Baglietto was the first artist to go “gold” on sellings in Argentine rock category.
Mercedes Sosa dispenses comments. This compilation album from the "the art of" series brings all the successes of the singer in double LP, whose highlight is a booklet-which is not part of the album- from the time of her show in Rio de Janeiro. To listen calmly and feel like a latin one.
Silvio Rodriguez is a great Cuban Troubadour, excellent singer, poet and whose lyrics refer to the Cuban revolution, its folklore, love, isolation. Is regarded as the best composer of his country in the 20th century. From his work I have “Días y flores” (in cd, 1975), “Mujeres” (1978), “Rabo de nube” (1980) and “Unicornio” (1982). His music is latin to the spine, sweet  but also fierce in his posts filled with references to the Cuba history and the inner battles of humanity. Wondefull.
Some albums are curious like the album "Et le Siens" by Manitas de Plata recorded in the french city of Camargue at the time of the procession to Santa Sara Kali (godmother of the Gypsy people). Very attached to the roots of his people, the man was for years partner of Jose Reys, the father of some members of the Gipsy Kings and father himself of solo guitarist from the Kings, Tonino Baliardo. The disc is a difficult-hearing one for being root music, however, with an art (in gatefold format) very beautiful - bringing images of the procession.
Another curious work brings the Spanish Juan Manuel Serrat declaiming poetry in "dedicated to Antonio Machado, poet", 1969. Very pleasant to listen to, a stunning lyricism.
Of Fito Páez, everyone who likes pop music has ever heard of. The guy has Argentina's number one rock solid career (having recorded with Brazilians Paralamas do Sucesso in the  90´s), came to Brazil a couple of times and with a highly respected discography. For me, one of the best albums in my collection is live (cd) "Euphoria", the tour registry for the "Circo Beat" album that enshrined him in his country. This one I bought to have anything of Argentinian music when I was for the first time in Buenos Aires in 1996 ... and nothing to be regretted. This photo shows the cover for “Giros” album.
The late jazz saxophonist Gato Barbieri is also a presence in my collection. By Gato, I got, besides the exceptional work (on cd) "Last tango in Paris", the album "Third World" which I could devote a full review on this blog. This brings one of the most beautiful vinyl art of my humble collection. A work to be enjoyed with a lot of attention and in moments of introspection. RIP Gato…
Finally, an album of Julio Iglesias live at the Olympia in Paris in 1976. In gatefold format fancy and rare, released in other markets in simple format and with a small cover photo. Brings reports printed in some newspapers and magazines by the time in Spanish language inside and  images of French theater inside and outside. Already one of my favourite ones. I appreciate the work of Iglesias, although I don't consider having other works by him. I appreciate, however, the romantic repertoire as much as I do with Charles Aznavour and Roberto Carlos.

Well, that's all, folks. Hope I have shared this nice Latin items from my collection with you. Greetings!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Entrevista com a Zoyd Music, SP - dezembro 2015.



                Neste post trago uma mini-entrevista feita com o proprietário da Zoyd Discos de São Paulo, o Ézio. Situada na galeria vizinha à da Galeria do Rock, a Zoyd tem a tradição de vender bons vinis a um ótimo preço, com maior enfoque no Rock dos anos 80. Também é assídua participante na Feira de discos do Colégio Bennet no Rio de Janeiro.
                Já comprei altos itens com eles como um single do The Cure, o primeiro do A Flock of seagulls, uma coletânea dupla dos Housemartins, etc. Por ocasião de minha última visita à capital paulista, estive na minha loja preferida e publico aqui um bate-bola sobre a loja, seu dono e seu acervo.

•Quando a Zoyd iniciou os trabalhos - quanto tempo tem a loja de vida? ***R: A Zoyd foi fundada em 20/10/1990 pelo Rodnei e pelo Jose Carlos, que além da loja também foi um selo. Eu era cliente desde então e a partir de 1997 comprei a loja, mas como trabalhava em um banco, fui assumi-la somente a partir de 2001.
•Qual o estilo de rock que mais vende em sua loja? (Sei que os anos 80 são o forte da mesma, porém, qual seria o estilo que mais sai?) ***R: Além dos anos 80, Classic rock, alternativos anos 90 e obscuridades dos anos 70 e um pouco de musica brasileira independente. Não temos novidades e muito menos lançamentos de bandas a partir do anos 2000... só velharia !!!
•Quais suas 3 bandas preferidas? ***R: 3 bandas apenas é terrível, tinha que ser pelo menos 30...bem são: Roxy Music, James e Tindersticks.
•Você possui coleção particular - pode falar a respeito sobre o número de seu acervo e década principal dos grupos da mesma? ***R: Além de lojista sou colecionador... o que é uma loucura...minha coleção é bem eclética, tanto nos estilos como em formatos, claro que priorizando o vinil, mas tenho muitas fitas k7 ( + de mil ) originais, cds, compactos tanto em 7, 10 e 12 polegadas, vídeo lazer, vhs, dvd, São aproximadamente 4 mil discos, 2 mil cds e uns 300 compactos, indo desde Clementina de  Jesus, Cocteau Twins , Clash, Zappa , Blondie, Walter Franco, Itamar Assumpção, Big Country, Sigur Ros, Front 242, Tricky, Led Zeppelin, Free, Black Oak Arkansas, Alien Sex Fiend, Eleven Pound, etc.
•Um recado para o pessoal amante do vinil. ***R: É muito mais que um prazer, um estado de espirito.
                Vida longa às lojas de rua! Obrigado ao Ézio pelo tempo dispensado em responder às questões. A Zoyd fica no Centro Comercial Presidente, Loja 16 - 1º Andar - R. Vinte e Quatro de Maio, 116 – metrô República, São Paulo. Email: zoyddiscos@uol.com.br.
Fotos 3 e 2: Alvaro Az, Foto 1: site http://vinyleafins.blogspot.com.br.









    






                 

     






sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Night people - Classix Nouveaux (1981).

 
Este é um grupo inglês formado em 1979 (UK) e que teve relativo sucesso na Europa, tendo inclusive feito vários shows no Leste Europeu ainda na época em que poucos se aventuravam para além da cortina de ferro comunista. Inclusive tiveram algumas músicas no topo da lista de alguns destes países como Polônia e a antiga Iugoslávia. Tendo como destaques e como dupla de compositores seu líder e vocal Sal Solo e o baixista Mick Sweeney. O grupo foi inserido no movimento NEW-ROMANTIC do início dos anos 80 junto a grupos como Duran Duran, Spandau Ballet e Flock of Seagulls, sendo, porém, mais dark, denso e explorando muito bem o visual de vampiro de boutique de Sal Solo junto à onda fashion que acompanhou todo o movimento e foi um dos chamativos da banda.


“Night People” é o debut da banda, de 1981, tendo alcançado a posição 66 na parada inglesa. Foreward abre instrumentalmente o disco, climática e dark. Guilty é o hit radiofônico e presença certa em pistas de dança dos anos 80, com o falsete característico do vocal, baixo marcante e o riff de guitarra super bem manjado. Segue com Run Away que é agitada e demonstra toda a capacidade vocal de Solo - abusando de agudos - e com os backings precisos de seus membros, porém, sem estar entre as mais fortes deste trabalho. A Guerra Fria entre a então URSS e os EUA à época é tema muito interessante de duas músicas: A) Every home should have one, onde a letra discursa sobre o grampo em telefones nos lares de indivíduos, a espionagem e a falta de individualidade. B) Tokyo foi lançada como single e cita as 2 grandes potências como nações impotentes para deter o avanço tecnológico e mercadológico da indústria nipônica. 623 é um instrumental breve em que Solo utiliza uma pianola de mão e teve um clipe interessante valendo-se de um filme de terror em preto-e-branco. Or a movie explora o tema da solidão nos tempos modernos com grande arranjo coletivo e traz um som de relógio num tic-tac em seu início e fim. Inside outside foi o terceiro single do trabalho e tem ótimos vocais de apoio e parece também remeter à liberdade dos sonhos numa dura fase da sociedade. No violins, no sympathy tem um refrão muito bom e excepcional harmonia. Dois grandes petardos são Soldier com seu refrão de guerra, grande apoio vocal (de novo) e trabalho de bateria. A curiosidade fica por conta da introdução via teclado cuja harmonia lembra o tema de 2001 de Kubrick...A melhor do disco é justamente a última: Protector of night é dark, com excelente arranjo, retratando algo como um pesadelo e Solo em uma interpretação gutural, digna de nota. Tranquilamente poderia ser o tema de abertura da série “Salem”, ao invés da proposta pelo xarope Marilyn Manson.
 


A banda durou apenas 3 discos (até 1985) e vários singles, tendo destaque em países como Portugal, Israel...e alguma presença na parada do Reino Unido através da já citada Guilty, Is it a dream (top 20) e Never again. Uma banda que poderia tranquilamente ter avançado mais década adentro, não ficando a dever nada a seus compatriotas de movimento. Teve pelos menos os dois primeiros álbuns lançados por aqui. Indico este álbum a quem curte bandas como o The Mission, Sisters of mercy e afins... Minha cópia é portuguesa da época.

A All Music Guide (AllMusic), através de seus usuários, deu 4 (em 5 estrelas) a este álbum. Fonte: https://en.wikipedia.org. Foto1,2: acervo pessoal, Foto3: Jay Myrdal (internet).

Para quem curte os anos 80, indico o Projeto AutoBahn (SP) com muita coisa sobre a música e a mídia da década em http://www.autobahn.com.br/index.html

English version: 
 This is an English group formed in 1979 (UK) and had relative success in Europe, and even made several shows in Eastern Europe still at a time when few had ventured beyond the Communist iron curtain. Even had some songs at the top of the list of some of these countries like Poland and the former Yugoslavia. Having as highlights and mainly composers vocal Sal Solo and bassist Mick Sweeney.

The Group was inserted into the NEW-ROMANTIC movement of the early 80´s with groups like Duran Duran and Spandau Ballet, but more dark, dense and exploring very well the vampire figure of Solo next to the boutique fashion wave that accompanied the entire movement and was one of the band´s eye-catching.

"Night People" is the 1981 debut album of the band, having achieved the position #66 on english charts. Foreward opens instrumentally the album, darkly and climatic. Guilty is the radio hit, a right presence in dance floors of the decade with the characteristic falsetto vocals, bass and the easy-led guitar riff. Follows with Run Away that is stirred and demonstrates all the vocal ability of Solo (treble abusing) and with the precise backing-vocal of its members, however, without being among the strongest of this work. The cold war between the USSR and the USA at the time is a very interesting theme of two songs: A) Every home should have one, where lyrics speak about the individual home´s clip on phones, espionage and the lack of individuality. B) Tokyo was released as a single and cites the 2 great powers as nations so powerless to stop the technological advancement and marketing of Japanese industry. 623 is a brief instrumental in which Solo utilizes a hand-piano and had at the time an interesting clip using a horror movie in black and white. Or the movie explores the theme of solitude in modern times with great collective arrangement and brings a sound of a clock ticking in its beginning and end. Inside outside was the third single from work and has great backing vocals relating to such freedom of dreams in a tough stage of society. No violins, no sympathy has a very good and exceptional harmony chorus. Two big firecrackers are Soldier with his war chorus, great backing vocals (again) and drum work. Curiosity is an introduction via keyboard whose harmony reminds me of Kubrick's 2001 theme ... The best of the album is just the latest: Protector of night is dark, with excellent arrangement, portraying something as a nightmare and Solo in a throaty interpretation, worthy of note. Easily could be the open theme for the serie "Salem", instead of the proposal by Marilyn Manson syrup… The band lasted only 3 albums (until 1985) and several singles, having featured in countries such as Portugal, Israel and some presence in the United Kingdom charts with already cited Guilty, Is it a dream (top 20) and Never again. A band that could easy have lasted more years though the decade, owing nothing to their new-romantic pals. They had at least the first two albums launched in Brazil. I nominate this album to anyone who´s into bands such The Mission, Sisters of mercy and the likes ... My copy is a portuguese one (from Portugal).

Allmusic guide (AllMusic), through its users, gave 4 (5 stars) to this album. Source: https://en.wikipedia.org. Photo1,2: personal collection, Photo 3: Jay Myrdal (internet).