sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Low - David Bowie (1977).

Taí. O melhor álbum de Bowie (o preferido do cantor) na primeira prensagem brasileira de 1977 pela RCA. Coisa linda (NM). Eu tinha me desfeito de minha cópia em cd – erro quase imperdoável – mas agora me redimo ao adquirir o LP. Isto não é bem uma resenha, mas um bate-papo sobre este grande disco.


Me lembro de não “sacar” muito este disco quando o escutei pela primeira vez. Não soava pop, não soava rock, não soava a Bowie. Soava a música de elevador, descartável, difícil. Num certo sentido é isso mesmo, pois gerou um único single. Com o tempo e minha mudança de gosto musical (passei a curtir Kraftwerk, bandas instrumentais [ou quase] do selo 4AD, trilhas) este álbum passa a fazer sentido para os meus ouvidos agora mais ecléticos.

Confesso que o que ajudou a forjar minha simpatia por “Low” foi a íntima relação entre o som e a cortina de ferro que durou até a queda do muro de Berlim em 89.  O álbum teve dois locais de concepção: O Château d'Hérouville na França e o Hansa Studios em Berlim - a cidade que dividiu o mundo em dois durante quase 3 décadas (Bowie passou a morar no bairro de Kreuzberg em companhia de Iggy Pop para desintoxicar-se). Tenho uma queda pelo Leste Europeu socialista, escuro, frio, enigmático, sei lá...  Uma sensação parecida eu tive quando escutei a discografia do Ultravox - que também me remeteu à mesma concepção. Totalitarismo.

Sem ser fã de Bowie, me identifico com este disco por justamente sair de seu estilo. O disco parece uma bagunça sonora, mas consegue uma identidade pela participação de Brian Eno – que também teve papel fundamental na mudança sonora do U2 -e a ousadia forçada numa fase do cantor mergulhado no vício e buscando se apartar da realidade ocidental. No lado um destaco “Always crashing in the same car” e “A new career in a new town”. O lado dois...bem....é uma coisa. Eu diria que fica entre os 5 lados fundamentais da segunda metade da década, musicalmente em importância. É um marco na música pop, pois quebrou com tudo o que se esperava do Camaleão até aquele ponto de sua carreira.  Sua sonoridade abriu as portas para o Techno-pop, o gótico - influenciando bandas como o Joy Division (cujo primeiro nome Warsaw foi retirado da faixa “Warsawa”) e todo o pós-punk.

A capa – sempre um must em se tratando de Bowie, remete ao filme de 1976 “O homem que caiu na Terra”, estrelando o próprio – e que vale a pena ser visto!

Nos últimos anos, duas edições reavivaram este disco: As edições “Low Live” com registros ao vivo das canções e “Low sessions” com as sessões de gravação do mesmo. Também foi editado no Brasil o livro homônimo do escritor Hugo Wilcken pela editora Cobogó (o qual pretendo adquirir) que fala tudo o que se precisa saber sobre a feitura do álbum.
Enfim, um disco para escutar num dia nublado, introspectivo. Para sair deste mundo louco. Bowie vive...

Créditos das fotos: 1- coleção particular / 2- site rockontro.org / 3- internet. [Quem souber o crédito correto por favor informe]. Segue uma relação de sites que falam sobre o álbum com algumas referências (vale a pena a leitura):

https://www.revistacontinente.com.br/secoes/resenha/livro-do-disco---low---de-david-bowie-





https://rockontro.org/2016/06/02/disco-nota-11-low-david-bowie/ 

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

A música pop perfeita parte 2: The Dream Academy - same (1985).

O trio se formou em 85 buscando um som diferenciado com instrumentos pouco utilizados no pop de então.
Produziram 3 álbuns de estúdio, sendo que este foi seu trabalho mais significativo tendo gerado o single de sucesso "Life in a Northern Town", que foi composto em homenagem a ninguém menos que o saudoso Nick Drake.
Atingiu a vigésima posição na parada Billboard 200 (US). Sucesso de crítica - não tanto de público - o álbum merece uma audição cuidadosa, por ter elementos não convencionais na música popular/rock.


David Gilmour produziu todas as faixas deste álbum (com exceção de "The Love Parade"), tendo inclusive tocado nas faixas "Bound to Be" e "The Party". Peter Buck (REM) também toca guitarra na faixa ". Após o fim da banda, Laird-Clowes trabalhou com Gilmour nas letras do álbum "The Division Bell" do Floyd.

Seguem minhas impressões, tanto com relação à letras quanto à sonoridade.

1. "Life in a Northern Town"
Espirituosa, com um chorus poderoso, mas não está explícita a homenagem a Drake.
Se sustenta nos teclados e o cÕro, mas se constrói de a pouco. Nostálgica, com uma melodia que gruda no ouvinte.

2. "The Edge of Forever"
Faz um contraponto entre a idade do menino e do adulto na letra, com um belo solo
de sax. Igualmente nostálgica. A harmonia possui uma levada típica anos 80 - principalmente quanto ao timbre dos
teclados. Podia muito bem estar em qualquer trilha sonora teenage dos anos 80.

3. "(Johnny) New Light"
Fala sobre o progresso. Linha marcante de arranjo vocal. O violão faz um trabalho interessante como se possível
uma antítese sonora das diferenças temporais que tornaram os campos, cidades. Termina num fade interessante entre violão
e teclados.

4. "In Places on the Run"
Belíssimo arranjo! Uma grande balada que conta das possibilidades de um sonho, mas não foi nada. ("Nós corremos
em campos coloridos...lugares em fuga").Ponto alto do disco!

5. "This World"
Uma narrativa para "todos os solitários mal compreendidos, vivendo neste mundo e chegando a lugar algum". Um pop mais convencional, numa linha á la Aztec Camera de Roddy Frame. Três personagens e suas vidas arriscadas e vazias. É sobre os amigos de Nick tornarem-se junkies.
Morrissey fez escola e Clowes foi um bom aluno.


6. "Bound to Be"
Grande intro, porém, uma letra simples falando de como um casal se completa no outro. Excelente trabalho vocal. Arranjo harmônico de arena.

7. "Moving On"
Marcante no álbum,com intro de guitarra precisa, o arranjo explode lindo ao longo da canção permeando a letra
de refrão pegajoso. Terminada a parte vocal, a banda mostra do que é capaz com um elegante instrumental. Me lembrei
de composições da fase final do Style Council. "E o que começou como uma aposta de independência, terminou numa
arma".
 
8. "The Love Parade"
O carro chefe do disco. Refrão pegajoso e um pop poderoso! Aí se vê a influência do DA em trabalhos posteriores como o do Lake Heartbeat - que não tiveram projeção. Citação à The Mamas and the Papas ao final? Vale o disco.

9. "The Party"
Noto influência dos Bee Gees anos 60. Peter Buck (R.E.M.) toca guitarra junto à Gilmour e o DA cita "Life in a Northern
 Town" - primeira faixa.

10. "One Dream"
O disco encerra com esta linda balada.Ao som de trompete e violão - do tipo que Paul Weller faria.
Grande final!

Interessante matéria com a banda neste link: http://www.beatrix.pro.br/mofo/academy.htm
Recomendo este álbum para todos os que apreciam um grande trabalho pop. Até a próxima!

Crédito das fotos: 1(coleção particular), 2(site w.ww.allmusic.com), 3(site www.en.wikipedia.org).

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A música pop perfeita parte1: EBTG - Baby, the stars shine bright (1986).


Depois de longo hiato, eis me aqui de novo para falar sobre um dos álbuns pop perfeitos em minha modesta opinião. Mesmo quem não entende inglês, ou não curte tanto o estilo vai render-se a este disco. Impossível não sentir uma ponta de nostalgia, uma saudade de um lugar, de alguém, de momentos, refletir sobre a complexidade do amor ouvindo esta dádiva sonora...



A dupla Everything But The Girl (formada pelo casal Ben Watt e Tracey Thorn) estava em seu terceiro trabalho, após ter iniciado o movimento “new bossa” junto a outros nomes como Sade e Matt Bianco em seu primeiro álbum e depois do rock-pop do segundo disco. Aqui estamos. Influenciados por gênios como Burt Bacharach, decidiram pegar suas composições e, com arranjos belíssimos de Ben para orquestra, direcionaram este álbum de 1986. Ah, ele foi gravado no mítico Abbey Road de Londres.

Tracey – cuja voz é bastante peculiar e bem superior à contemporâneas suas como Debbie Harry ou Chrissie Hynde - está no seu auge como cantora. E Ben, um guitarrista econômicamente  genial e de voz bem colocada, idem como composer. As composições têm em sua maioria temas machistas de casal, desilusão amorosa...mas super bem costurados pelos refrões ganchudos de ambos como letristas. “Dont leave me behind” é – apesar do título – bem alegre e o videoclipe/música tocou muito à época nas danceterias do Rio de Janeiro com Tracey apresentando um visual comportado - ao contrário do visual punk do ano anterior com "When all´s well"... O tema remete ao estrelato e como isso pode destruir uma relação - o mesmo tema da letra de ”A country mile”. 
“Come on home” também foi lançada em single, é arrebatadora do ponto de vista harmônico e com a figura feminina implorando a volta do homem ao lar...algo bem recorrente como tema geral desta obra. ”A Country Mile” (de novo esta) e “Careless” surgem magníficas aos ouvidos, tratando de entrega total ao ser amado. “Little Hitler” fala de pessoas comuns com personalidades fortes e que tendem a se tornar monstros, sem apontar ninguém em particular, apesar do crítico musical William Ruhlmann ter notado conotações realmente político-anti-fascistas na letra. Bem atual, digamos assim - ou não poderia se aplicar a Donald Trump e seu discurso equivocado? 


"Don't Let the Teardrops Rust Your Shining Heart" segue a tradição de baladas americanas e "Come Hell or High Water" traz um arranjo no estilo country. “Sugar Finney” é um dos pontos altos, rezando a lenda ter sido escrita com um olhar em Marilyn Monroe (“...a América é livre, barata e fácil...”) e todas as tentações que levaram à destruição do mito platinado. Um refrão matador e um arranjo de sopros à la banda Vitória Régia de Tim Maia e...pronto! Já cola nos ouvidos. Outra canção de outro mundo é “Cross my heart”, uma ode à entrega cega a um grande amor – mesmo que este te faça sofrer e te paralise as vontades. Uma canção super bem construída, sem palavras.

O site de música Pitchfork.com considerou este álbum o melhor dentre os 4 primeiros da banda, dando uma nota de 7.2 por ocasião do relançamento de seu catálogo no mercado. Críticas do público normalmente abraçam este álbum com no mínimo 4 estrelas...

Um disco que ouço há 30 anos (!) desde que o comprei logo após ter saído no Brasil e que até hoje considero uma obra-prima – visto que todas as canções são da dupla. Para quem só conhecia o duo pelo mega-sucesso “Missing” – onde eles flertaram em cheio com as pistas de dança – fica a dica de um dos mais belos trabalhos feitos na música pop inglesa no período pós punk. Delicie-se.

Fotos: sites wikipedia.org (capa) e www.thenational.ae (banda).
Texto: Alvaro Az.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Munich - garimpando em terras germânicas.

Após um hiato, volto aqui para falar de minha recente passagem pela capital da Bavária, onde tirei uma tarde para compras de vinil na belíssima Munique. Optei por 3 delas, porém, há várias outras espalhadas pela imensa cidade -  - tanto de material usado quanto de novidades ou especialidades musicais. Não vou tecer detalhes de como chegar a cada uma delas, até porque depende de qual setor da cidade você vai ficar hospedado. E também porque há uma certa complexidade envolvendo metrô, ônibus e trens. Munich é enorme! Há alguns sites que falam mais especificamente destas lojas, dentre os quais os sites https://www.yelp.com.br/search?cflt=vinyl_records&find_loc=Munique%2C+Bayern
e o www.bestvinyl.de e que contam com a localização, avaliação e sites das lojas. Boa pesquisa...

- SCHALLPLATTENZENTRALE -   (Lindwurmstrasse 209, 80337 Munich).

Esta é A LOJA se você quiser apenas vinil, em grande quantidade e ótimos preços. Saí de lá com 5 LPs – os quais listo aqui – a apenas EURO 5.99 cada um. Uma bagatela, levando-se em conta que quatro deles não saíram no Brasil, ou, se saíram, custam hoje o olho da cara. Uma loja sem luxo, apertada pela quantidade de material, mas vale cada minuto de seu tempo. Vários estilos para todos os gostos. 

Não espere porém, bistrô com café, poltrona para sentar, discos lacrados e nem muito menos reedições.  Apenas o velho e bom garimpo de usados...mãos à busca! Eis os itens que agreguei à minha coleção:

REM – Reckoning (1984);
Ultravox – Vienna (1980);
Randy Newman – Sail away (1972);
OMD – Dazzle ships (1983);
Faiground attraction – Ay fond kiss (1990).


- MONO RECORDS -  (Haidhausen - Breisacher Str. 21, 81667 Munich).

Esta foi uma decepção! Muito material lacrado novo, porém a loja não consegue se destacar por nenhum nicho específico...nem 70, nem 80, nem tanto Indie assim...Há uma parte interessante de trilhas sonoras em vinil que fará a alegria dos aficcionados, e uma ampla variedade de cds usados – este sim o mote da loja. Também dvds (inclusive duplos) a um ótimo preço. Nada mais a destacar, fui embora de mãos vazias. Ah, não espere tratamento exemplar por parte do dono...



 - BEST RECORDS -  Theresienstrasse in Schwabing (Theresienstrasse 46, 80333 München).

Este é o verdadeiro sebo musical. Muita variedade de LPs usados, cds, livros, e outras coisas mais. Você provavelmente pode perder o dia inteiro nesta loja. O forte deles é material dos anos 70. Hard, heavy, psicodelia...mas se encontra material de cantores, de outras nacionalidades, enfim. Vale a visita, apesar de que eu mesmo não levei nada pois os preços são salgados mesmo para LPs comuns (em média EURO 15.00).




É isso, pessoal. Munich como cidade para compras musicais é muito dez, pois a Alemanha possui, no quesito de produção de vinil, uma qualidade bem considerável (e superior à nossa, claro). Além de ser um dos 3 maiores pólos de consumo musical da Europa. Fui!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Visita à loja RECORDistori (RJ).

Conheci a loja carioca que inaugurou suas atividades em Janeiro/2017 na Rua Alcindo Guanabara 17/1201, bem pertinho do Teatro Municipal e Teatro Rival. O dono, Willis, e seu ajudante, ambos me deixaram bem à vontade e me auxiliaram na garimpagem o que certamente já ditou a atenção dispensada aos garimpeiros...




O acervo da loja é muito bom e grande, contando com todos os gêneros musicais e alguns itens importados também. Todos os gêneros organizados por ordem alfabética, limpos e com plásticos.

A decoração da loja impressiona: Tanto posters tradicionais emoldurados, quanto capas de vinil importadas também na moldura, montagens de fotos na madeira feitas pelo próprio Willis quanto cartazes dão um ar muito aconchegante ao espaço. A loja conta com venda de jogos, cds, revistas de época - como edições da famosa Rolling Stone americana - e dvs também.
Quanto aos preços, em média, os nacionais de artistas brasileiros a R$ 30,00 e os de grupos estrangeiros a R$ 50,00. Quanto aos importados, varia muito como não podia deixar de ser.



Optei por um item que buscava há muito: "Hora de lutar", de Geraldo Vandré. Embalado numa sacolinha de pano prá lá de simpática que certamente irei levar de volta para futuras aquisições!

Sem dúvida alguma uma loja que veio para ficar!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Unknown pleasures - Joy division (1979).


                Nunca fui muito fã de Joy Division. Sempre achei a banda monótona, prá baixo, Ian Curtis um cantor de segunda, músicas lúgubres. Sempre tentei entender o porquê de tanta admiração pelo nome da banda. Mas quem disse que não amadurecemos a opinião? Algumas impressões da banda me fizeram mudar e respeitar mais o Joy recentemente...como por exemplo:
                a) Eles retrataram como ninguém a Manchester dos anos 80 e a opressão que recaía no proletariado da época e toda uma década de dureza que viria sob o governo de Margareth Tatcher;

                b) Ian Curtis curtia The Doors, mas, para mim, ele foi mais poeta. Morrison tinha letras muito chapadas, hippies mesmo – e  muitas delas ficaram obsoletas dentro da era 60´s. O Joy é mais atemporal, pouca coisa soa descartável no lirismo de Curtis;
                c) A cozinha influenciou toda a geração pós-punk dos anos 80, o que não é pouco. As temáticas sombrias e os timbres foram o estopim para o som gótico. A bateria industrial de Morris, as linhas de baixo inspiradas de Hook e a guitarra hipnotizante e seca de Sumner não existiam antes deles. Some-se a isso uma influência de Kraftwerk pra lá de positiva e o estrago estava feito - escola criada para 3 décadas de música pop;

                d) Os temas de solidão, introspecção, visões urbanas, símbolos de opressão de massas – como o nazismo – e forças demolidoras das grandes cidades terminaram por me conquistar. Poucas bandas conseguiram soar tão inovadoras em seu tempo, esta é que é a verdade.

                Acabei por me ater às impressões das letras para escrever este review, já que muito se sabe da arte da capa – que acabou virando um ícone pop - ,da sonoridade e da história da banda. Comprei o álbum influenciado pelos depoimentos do documentário da banda de 2007 (essencial) e pelo mistério que acompanhou a banda, muitos esclarecidos recentemente pelas publicações de Deborah Curtis e outros escritores. E saí atrás das letras do álbum de estréia, pois são raras as edições deste álbum que contenham as ditas cujas.

                Day of The Lords me remete ao nazismo, mas também pode ser a perda da inocência da juventude, jogos juvenis carregados de malícia. She´s lost control fala de um fato real, ocorrido quando Curtis testemunhou uma mulher “tendo um piti” nervoso num serviço público e que o marcou muito. Disorder pode ser a trilha definitiva de sua cidade-símbolo da revolução industrial, cheia de imagens (...“no décimo andar, pelas  escadarias abaixo, é uma terra de ninguém”). 



                Desilusão com a vida e trabalho, marca registrada do cantor presente em Candidate  (“...vivendo sob suas regras, é tudo o que sabemos”) como também Shadowplay (...”eu deixei eles usarem você para seus próprios fins”) e Insight (“...mas eu não me importo mais, perdi a vontade de querer mais.” ou “nós perdemos nosso tempo”). Sombras de um passado e da infância aparecem nesta última(“...eu me lembro quando éramos jovens”). A interpretação de “New dawn fades” é um pouco mais difícil, parece relatar a experiências pessoais de Ian. Estas são algumas de minhas impressões sobre este grandioso álbum. Não estão todas as canções, mas espero ter atiçado a curiosidade de quem quer conhecer um pouco mais a banda. Saudações!

crédito das fotos: Wikipédia.


ENGLISH VERSION
I've never been a big fan of Joy Division. I always thought the band monotonous, down, Ian Curtis a second singer, lugubrious songs. I've always tried to understand why so much admiration for the band's name. But who's to say one cannot change his mind? Some impressions of the band made me change and respect more the Joy name recently ... as for example:
a) They portrayed the Manchester of the 80´s better than any band and the oppression that rested in the proletariat through a whole decade of hardness that would come under the government of Margaret Thatcher;
b) Ian Curtis was into The Doors, but, to me, the first was more poet. Morrison was very high, into hippies lyrics– and many of his poetry became obsolete and attached to 60´s. Joy is more timeless, very little sounds disposable in Curtis´s poems;
c) The whole post-punk generation bass-drums was influenced by them, which is not a little point. Dark themes and timbres were the fuse for the Gothic sound. The industrial drums by Morris, the Hook-inspired bass lines and the mesmerizing, dry guitar by Sumner did not exist before them. Add to that an influence of Kraftwerk and the damage was done-school created for 3 decades of pop music;
d) Themes of solitude, introspection, urban visions, symbols of mass oppression – like nazism-and shattering forces of large cities conquered me. Few bands have managed to sound so innovative in their time, this is the truth.
I stick to the impressions of the letters to write this review, since so much is known of the cover art – which turned out to be a pop icon, the sound and the band's history. I bought the album influenced by statements from the band's 2007 documentary (essential) and the mystery that accompanied the band, many enlightened recently by Deborah Curtis publications and other writers. And I run out for some lyrics from this debut album, as rare are the editions which contain the written.
Day of The Lords brings me back to the Nazis, but also can be the loss of the innocence of youth, youth games filled with malice. She's lost control  speaks of an actual fact, occurred when Curtis witnessed a woman having a nervous breakdown in public service – it surely had an impact on him. Disorder can be the final track of his city-symbol of the industrial revolution, full of images (... "on the 10th floor, the stairs below, is a no man's land"). Disillusionment with life and work, the singer's trademark present in Candidate ("... living under its rules, is all we know") as well as in Shadowplay (... "I let them use you for their own ends") and Insight ("... but I don't care any more, I've lost the will to want more." or "we lost our time"). Shadows of the past and childhood appear in this last ("I remember when we were young"). The interpretation of "New dawn fades" is a little more difficult, apparently reporting the personal experiences of Ian. These are some of my impressions of this great album. Not all of the songs, but I hope to have woken the curiosity of those who want to learn a little more. Greetings!
photo credit: Wikipedia.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Cinco álbuns fundamentais(5): Dog man star - Suede (1994).


                Meu último item dos 5 álbuns fundamentais, “Dog man star” é o melhor disco dos anos 90 ao lado do segundo do Portishead, outra pedreira. Dos que eu conheço, acho que só o The Verve fez um álbum tão fenomenal quando este na década.
                O Suede tinha de provar a si mesmo em 94 que seria capaz de continuar seu rumo de sucesso após a saída traumática do guitarrista Bernard Butler ainda durante a maturação do álbum por questões pessoais (entre elas a morte de seu pai). Tarefa nada fácil, porém a banda sempre teve um bandleader dos maiores dos anos 90 na figura de Brett Anderson e encontrou no baixinho Richard Oakes – um fã da banda – a figura para assumir tal tarefa.  



                Vamos a ele. Não é um álbum para as massas (como o primeiro) , mas é um álbum mais conceitual, digamos assim. Introducing the band abre o disco de forma sombria e rápida, bateria acentuada nos tons e com vocais metálicos antevendo We are the pigs - uma ode ao caos (com um clipe simples mas magnífico) que poderia muito bem ter sido trilha sonora para a quebradeira nos subúrbios de Paris em algum ponto dos anos 2000.  Heroine possui soberbo trabalho de guitarra de Butler, muito up. Alguns singles estão até hoje como grandes sucessos da banda: The wild ones por exemplo, há quem considere a música mais perfeita da banda. Grande balada com vocal de outro mundo de Anderson (que bem poderia ter sido cantor lírico). Daddy´s speeding possui arranjo muito bom e ênfase nos teclados – mas não o trabalho de teclado mais xôxo que a banda seguiu depois de 96. The power é de um riff poderoso e auxiliado por cordas, lembrando muito canções de Bowie em sua fase pré-rocker. O single New generation é radiofônica, bem prá cima, com  guitarras marcantes e a bateria certeira para chamar o público a levantar-se nos shows. Particularmente não me é favorita. This hollywood life começa com sax sumindo em fade. É um rock vigoroso, com toda a banda pulsando forte e um solo marcante. The 2 of us é lindíssima balada, minha preferida no álbum junto à “We are the pigs”. Define algo da capa (por assim dizer). Algumas bandas tentam a vida inteira fazer uma balada assim, sem sucesso. Lírica! “Black or blue” traz um clima meio The Verve com arranjo que nos recorda as gravações de Scott Walker no final dos 60´s. Grandiosa. Enfim, Asphalt world (cuja maioria de seus fãs considera a melhor música deles) é uma obra-prima de harmonia / letra. Com reviravoltas harmônicas, climas contando sobre submundo, delírio, prostituição, etc...poderia ser lembrada como o é “Kashmir” na carreira do Led Zeppelin. Still life fecha o disco de forma calma, assim como o fecho do disco de 93 da banda: evocando espaço, casais, nos graves de Brett Anderson e pomposa orquestração. Não falo das letras porque o próprio encarte não facilita a tarefa, com péssima escolha de cores / fundo.  



                Vale ressaltar que o Suede saiu em turnê para a divulgação do disco consolidando sua posição de mestres do Britpop pela Europa, o que rendeu o maravilhoso dvd chamado “Introducing the band” com extras que incluem todas as projeções para as canções utilizadas ao vivo na turnê, além de clipes e os registros de partes dos shows propriamente ditos no norte do continente.

                A capa evoca um mix de Bowie (grande influência da banda) com The Smiths, trazendo uma imagem de solidão e erotismo. Se você quer conhecer algo do Britpop, comece por este disco, e o resto será restante. A melhor banda dos anos 90 britânico, com um guitarrista implacável – embora não tenha terminado o disco – e o melhor letrista/cantor. O que não é pouco. Eles estiveram no Brasil num festival Loola destes mas pelo preço e por ser em SP, acabei não indo. Abaixo, uma pequena coleção de revistas importadas com capa do Suede.



                Bem, com esta postagem fecho a série dos meus cinco álbuns fundamentais. Nada mal. 5 trabalhos, 4 bandas estrangeiras (uma de cada década dos anos 60 aos 90) e uma coletânea de MPB. Ecletismo, como defendo eu. Não se pode ficar "fechado" apenas em uma década de música. Existem milhares de trabalhos interessantes a expandir os sentidos auditivos! Saudações.
Crédito das fotos: discogs.com (1,2), coleção particular (3).

ENGLISH VERSION

               My last item of 5 fundamental albums, "Dog man star" is the best album of the 90´s besides  Portishead´s second album, another great one. I think only The Verve made an album so phenomenal like this in the Britpop movement.

               Suede had to prove himself in 94 that would be able to continue its course after the traumatic exit of guitarist Bernard Butler during the maturation of the album by personal issues (including the death of his father). Task not easier, however the band had a greatest bandleader in Brett Anderson and found in Richard Oakes - a fan of the band- the figure to assume the task.

               On to the album, now. It's not an album for the masses (like the first), but it's a conceptual album, so to speak. Introducing the band opens the way dark and fast, sharp battery in shades and with metal vocals looking ahead We are the pigs -an ode to chaos (with a simple clip but magnificent) that could very well have been the soundtrack for Qadir in the suburbs of Paris in some point of the years 2000. Heroine has Butler's superb guitar work, too. Some singles are today as the band's greatest hits: The wild ones for example, some people consider the most perfect music. Big ballad with lead vocals from another world to Anderson (who could well have been lyrical singer).Daddy's speeding ´ has very good arrangement and emphasis on keyboards – but not the keyboard work more limp Dick that the band followed after 96. The power is a powerful riff and aided by ropes, remembering very Bowie songs in his pré-rocker phase. Single New generation radio is, well up with striking guitars and drums accurate to call the public to rise in concert. Particularly it is favorite. This hollywood life begins with sax disappearing fade. Is a vigorous rock, with the whole band and thumping a solo. The 2 of us is beautiful ballad, my favorite on the album by the "We are the pigs". Defines something the cover (so to speak). Some bands try to whole life do a ballad like this, without success. Lyrical! "Black or blue" features a climate means The Verve with arrangement which reminds us of the recordings of Scott Walker at the end of the 60 ´ n. Grand. Anyway, Asphalt world (which most fans consider the best song of them) is a masterpiece of harmony/lyrics. With harmonic twists, telling climates on underworld, delirium, prostitution, etc. could be remembered as "Kashmir" in the career of Led Zeppelin. Still life closes the disc so easy, as well as the disc of the band 93: evoking space, couples, serious us Brett Anderson and pompous orchestration. I'm not talking about the letters because the liner notes do not makes it easy, with bad choice of colors/background.

               It is worth mentioning that Suede went on tour after the album release, consolidating its position of masters of Britpop by Europe, which yielded the wonderful dvd called "Introducing the band" with extras that include all the projections to the songs used on live tour, as well as clips and parts of the show´s registry in the North of the continent.

               The cover evokes a mix of Bowie (major influence of the band) with The Smiths, bringing an image of loneliness and eroticism. If you want to know something of the Britpop, go for this piece, and the rest is the rest.  The best band in the 90´s, with a relentless guitarist- although he has not finished the disc- and 90´s best lyricist/singer. They were in Brazil for the Loola festival but I don´t saw them for the price and distance combination. Below, a small collection of imported magazines with Suede  covers.

               Well, with this post I close the series of my five key albums. Not bad. 5 works, 4 foreign bands (one from each decade of the 60´s to 90´s) and a collection of MPB. Eclecticism, as I a\ rgue I. You can't be "closed" only in a decade of music.  There are thousands of interesting works to expand the ear senses. Greetings.
Photo credit: discogs.com (1.2), private collection (3).