sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Munich - garimpando em terras germânicas.

Após um hiato, volto aqui para falar de minha recente passagem pela capital da Bavária, onde tirei uma tarde para compras de vinil na belíssima Munique. Optei por 3 delas, porém, há várias outras espalhadas pela imensa cidade -  - tanto de material usado quanto de novidades ou especialidades musicais. Não vou tecer detalhes de como chegar a cada uma delas, até porque depende de qual setor da cidade você vai ficar hospedado. E também porque há uma certa complexidade envolvendo metrô, ônibus e trens. Munich é enorme! Há alguns sites que falam mais especificamente destas lojas, dentre os quais os sites https://www.yelp.com.br/search?cflt=vinyl_records&find_loc=Munique%2C+Bayern
e o www.bestvinyl.de e que contam com a localização, avaliação e sites das lojas. Boa pesquisa...

- SCHALLPLATTENZENTRALE -   (Lindwurmstrasse 209, 80337 Munich).

Esta é A LOJA se você quiser apenas vinil, em grande quantidade e ótimos preços. Saí de lá com 5 LPs – os quais listo aqui – a apenas EURO 5.99 cada um. Uma bagatela, levando-se em conta que quatro deles não saíram no Brasil, ou, se saíram, custam hoje o olho da cara. Uma loja sem luxo, apertada pela quantidade de material, mas vale cada minuto de seu tempo. Vários estilos para todos os gostos. 

Não espere porém, bistrô com café, poltrona para sentar, discos lacrados e nem muito menos reedições.  Apenas o velho e bom garimpo de usados...mãos à busca! Eis os itens que agreguei à minha coleção:

REM – Reckoning (1984);
Ultravox – Vienna (1980);
Randy Newman – Sail away (1972);
OMD – Dazzle ships (1983);
Faiground attraction – Ay fond kiss (1990).


- MONO RECORDS -  (Haidhausen - Breisacher Str. 21, 81667 Munich).

Esta foi uma decepção! Muito material lacrado novo, porém a loja não consegue se destacar por nenhum nicho específico...nem 70, nem 80, nem tanto Indie assim...Há uma parte interessante de trilhas sonoras em vinil que fará a alegria dos aficcionados, e uma ampla variedade de cds usados – este sim o mote da loja. Também dvds (inclusive duplos) a um ótimo preço. Nada mais a destacar, fui embora de mãos vazias. Ah, não espere tratamento exemplar por parte do dono...



 - BEST RECORDS -  Theresienstrasse in Schwabing (Theresienstrasse 46, 80333 München).

Este é o verdadeiro sebo musical. Muita variedade de LPs usados, cds, livros, e outras coisas mais. Você provavelmente pode perder o dia inteiro nesta loja. O forte deles é material dos anos 70. Hard, heavy, psicodelia...mas se encontra material de cantores, de outras nacionalidades, enfim. Vale a visita, apesar de que eu mesmo não levei nada pois os preços são salgados mesmo para LPs comuns (em média EURO 15.00).




É isso, pessoal. Munich como cidade para compras musicais é muito dez, pois a Alemanha possui, no quesito de produção de vinil, uma qualidade bem considerável (e superior à nossa, claro). Além de ser um dos 3 maiores pólos de consumo musical da Europa. Fui!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Visita à loja RECORDistori (RJ).

Conheci a loja carioca que inaugurou suas atividades em Janeiro/2017 na Rua Alcindo Guanabara 17/1201, bem pertinho do Teatro Municipal e Teatro Rival. O dono, Willis, e seu ajudante, ambos me deixaram bem à vontade e me auxiliaram na garimpagem o que certamente já ditou a atenção dispensada aos garimpeiros...




O acervo da loja é muito bom e grande, contando com todos os gêneros musicais e alguns itens importados também. Todos os gêneros organizados por ordem alfabética, limpos e com plásticos.

A decoração da loja impressiona: Tanto posters tradicionais emoldurados, quanto capas de vinil importadas também na moldura, montagens de fotos na madeira feitas pelo próprio Willis quanto cartazes dão um ar muito aconchegante ao espaço. A loja conta com venda de jogos, cds, revistas de época - como edições da famosa Rolling Stone americana - e dvs também.
Quanto aos preços, em média, os nacionais de artistas brasileiros a R$ 30,00 e os de grupos estrangeiros a R$ 50,00. Quanto aos importados, varia muito como não podia deixar de ser.



Optei por um item que buscava há muito: "Hora de lutar", de Geraldo Vandré. Embalado numa sacolinha de pano prá lá de simpática que certamente irei levar de volta para futuras aquisições!

Sem dúvida alguma uma loja que veio para ficar!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Unknown pleasures - Joy division (1979).


                Nunca fui muito fã de Joy Division. Sempre achei a banda monótona, prá baixo, Ian Curtis um cantor de segunda, músicas lúgubres. Sempre tentei entender o porquê de tanta admiração pelo nome da banda. Mas quem disse que não amadurecemos a opinião? Algumas impressões da banda me fizeram mudar e respeitar mais o Joy recentemente...como por exemplo:
                a) Eles retrataram como ninguém a Manchester dos anos 80 e a opressão que recaía no proletariado da época e toda uma década de dureza que viria sob o governo de Margareth Tatcher;

                b) Ian Curtis curtia The Doors, mas, para mim, ele foi mais poeta. Morrison tinha letras muito chapadas, hippies mesmo – e  muitas delas ficaram obsoletas dentro da era 60´s. O Joy é mais atemporal, pouca coisa soa descartável no lirismo de Curtis;
                c) A cozinha influenciou toda a geração pós-punk dos anos 80, o que não é pouco. As temáticas sombrias e os timbres foram o estopim para o som gótico. A bateria industrial de Morris, as linhas de baixo inspiradas de Hook e a guitarra hipnotizante e seca de Sumner não existiam antes deles. Some-se a isso uma influência de Kraftwerk pra lá de positiva e o estrago estava feito - escola criada para 3 décadas de música pop;

                d) Os temas de solidão, introspecção, visões urbanas, símbolos de opressão de massas – como o nazismo – e forças demolidoras das grandes cidades terminaram por me conquistar. Poucas bandas conseguiram soar tão inovadoras em seu tempo, esta é que é a verdade.

                Acabei por me ater às impressões das letras para escrever este review, já que muito se sabe da arte da capa – que acabou virando um ícone pop - ,da sonoridade e da história da banda. Comprei o álbum influenciado pelos depoimentos do documentário da banda de 2007 (essencial) e pelo mistério que acompanhou a banda, muitos esclarecidos recentemente pelas publicações de Deborah Curtis e outros escritores. E saí atrás das letras do álbum de estréia, pois são raras as edições deste álbum que contenham as ditas cujas.

                Day of The Lords me remete ao nazismo, mas também pode ser a perda da inocência da juventude, jogos juvenis carregados de malícia. She´s lost control fala de um fato real, ocorrido quando Curtis testemunhou uma mulher “tendo um piti” nervoso num serviço público e que o marcou muito. Disorder pode ser a trilha definitiva de sua cidade-símbolo da revolução industrial, cheia de imagens (...“no décimo andar, pelas  escadarias abaixo, é uma terra de ninguém”). 



                Desilusão com a vida e trabalho, marca registrada do cantor presente em Candidate  (“...vivendo sob suas regras, é tudo o que sabemos”) como também Shadowplay (...”eu deixei eles usarem você para seus próprios fins”) e Insight (“...mas eu não me importo mais, perdi a vontade de querer mais.” ou “nós perdemos nosso tempo”). Sombras de um passado e da infância aparecem nesta última(“...eu me lembro quando éramos jovens”). A interpretação de “New dawn fades” é um pouco mais difícil, parece relatar a experiências pessoais de Ian. Estas são algumas de minhas impressões sobre este grandioso álbum. Não estão todas as canções, mas espero ter atiçado a curiosidade de quem quer conhecer um pouco mais a banda. Saudações!

crédito das fotos: Wikipédia.


ENGLISH VERSION
I've never been a big fan of Joy Division. I always thought the band monotonous, down, Ian Curtis a second singer, lugubrious songs. I've always tried to understand why so much admiration for the band's name. But who's to say one cannot change his mind? Some impressions of the band made me change and respect more the Joy name recently ... as for example:
a) They portrayed the Manchester of the 80´s better than any band and the oppression that rested in the proletariat through a whole decade of hardness that would come under the government of Margaret Thatcher;
b) Ian Curtis was into The Doors, but, to me, the first was more poet. Morrison was very high, into hippies lyrics– and many of his poetry became obsolete and attached to 60´s. Joy is more timeless, very little sounds disposable in Curtis´s poems;
c) The whole post-punk generation bass-drums was influenced by them, which is not a little point. Dark themes and timbres were the fuse for the Gothic sound. The industrial drums by Morris, the Hook-inspired bass lines and the mesmerizing, dry guitar by Sumner did not exist before them. Add to that an influence of Kraftwerk and the damage was done-school created for 3 decades of pop music;
d) Themes of solitude, introspection, urban visions, symbols of mass oppression – like nazism-and shattering forces of large cities conquered me. Few bands have managed to sound so innovative in their time, this is the truth.
I stick to the impressions of the letters to write this review, since so much is known of the cover art – which turned out to be a pop icon, the sound and the band's history. I bought the album influenced by statements from the band's 2007 documentary (essential) and the mystery that accompanied the band, many enlightened recently by Deborah Curtis publications and other writers. And I run out for some lyrics from this debut album, as rare are the editions which contain the written.
Day of The Lords brings me back to the Nazis, but also can be the loss of the innocence of youth, youth games filled with malice. She's lost control  speaks of an actual fact, occurred when Curtis witnessed a woman having a nervous breakdown in public service – it surely had an impact on him. Disorder can be the final track of his city-symbol of the industrial revolution, full of images (... "on the 10th floor, the stairs below, is a no man's land"). Disillusionment with life and work, the singer's trademark present in Candidate ("... living under its rules, is all we know") as well as in Shadowplay (... "I let them use you for their own ends") and Insight ("... but I don't care any more, I've lost the will to want more." or "we lost our time"). Shadows of the past and childhood appear in this last ("I remember when we were young"). The interpretation of "New dawn fades" is a little more difficult, apparently reporting the personal experiences of Ian. These are some of my impressions of this great album. Not all of the songs, but I hope to have woken the curiosity of those who want to learn a little more. Greetings!
photo credit: Wikipedia.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Cinco álbuns fundamentais(5): Dog man star - Suede (1994).


                Meu último item dos 5 álbuns fundamentais, “Dog man star” é o melhor disco dos anos 90 ao lado do segundo do Portishead, outra pedreira. Dos que eu conheço, acho que só o The Verve fez um álbum tão fenomenal quando este na década.
                O Suede tinha de provar a si mesmo em 94 que seria capaz de continuar seu rumo de sucesso após a saída traumática do guitarrista Bernard Butler ainda durante a maturação do álbum por questões pessoais (entre elas a morte de seu pai). Tarefa nada fácil, porém a banda sempre teve um bandleader dos maiores dos anos 90 na figura de Brett Anderson e encontrou no baixinho Richard Oakes – um fã da banda – a figura para assumir tal tarefa.  



                Vamos a ele. Não é um álbum para as massas (como o primeiro) , mas é um álbum mais conceitual, digamos assim. Introducing the band abre o disco de forma sombria e rápida, bateria acentuada nos tons e com vocais metálicos antevendo We are the pigs - uma ode ao caos (com um clipe simples mas magnífico) que poderia muito bem ter sido trilha sonora para a quebradeira nos subúrbios de Paris em algum ponto dos anos 2000.  Heroine possui soberbo trabalho de guitarra de Butler, muito up. Alguns singles estão até hoje como grandes sucessos da banda: The wild ones por exemplo, há quem considere a música mais perfeita da banda. Grande balada com vocal de outro mundo de Anderson (que bem poderia ter sido cantor lírico). Daddy´s speeding possui arranjo muito bom e ênfase nos teclados – mas não o trabalho de teclado mais xôxo que a banda seguiu depois de 96. The power é de um riff poderoso e auxiliado por cordas, lembrando muito canções de Bowie em sua fase pré-rocker. O single New generation é radiofônica, bem prá cima, com  guitarras marcantes e a bateria certeira para chamar o público a levantar-se nos shows. Particularmente não me é favorita. This hollywood life começa com sax sumindo em fade. É um rock vigoroso, com toda a banda pulsando forte e um solo marcante. The 2 of us é lindíssima balada, minha preferida no álbum junto à “We are the pigs”. Define algo da capa (por assim dizer). Algumas bandas tentam a vida inteira fazer uma balada assim, sem sucesso. Lírica! “Black or blue” traz um clima meio The Verve com arranjo que nos recorda as gravações de Scott Walker no final dos 60´s. Grandiosa. Enfim, Asphalt world (cuja maioria de seus fãs considera a melhor música deles) é uma obra-prima de harmonia / letra. Com reviravoltas harmônicas, climas contando sobre submundo, delírio, prostituição, etc...poderia ser lembrada como o é “Kashmir” na carreira do Led Zeppelin. Still life fecha o disco de forma calma, assim como o fecho do disco de 93 da banda: evocando espaço, casais, nos graves de Brett Anderson e pomposa orquestração. Não falo das letras porque o próprio encarte não facilita a tarefa, com péssima escolha de cores / fundo.  



                Vale ressaltar que o Suede saiu em turnê para a divulgação do disco consolidando sua posição de mestres do Britpop pela Europa, o que rendeu o maravilhoso dvd chamado “Introducing the band” com extras que incluem todas as projeções para as canções utilizadas ao vivo na turnê, além de clipes e os registros de partes dos shows propriamente ditos no norte do continente.

                A capa evoca um mix de Bowie (grande influência da banda) com The Smiths, trazendo uma imagem de solidão e erotismo. Se você quer conhecer algo do Britpop, comece por este disco, e o resto será restante. A melhor banda dos anos 90 britânico, com um guitarrista implacável – embora não tenha terminado o disco – e o melhor letrista/cantor. O que não é pouco. Eles estiveram no Brasil num festival Loola destes mas pelo preço e por ser em SP, acabei não indo. Abaixo, uma pequena coleção de revistas importadas com capa do Suede.



                Bem, com esta postagem fecho a série dos meus cinco álbuns fundamentais. Nada mal. 5 trabalhos, 4 bandas estrangeiras (uma de cada década dos anos 60 aos 90) e uma coletânea de MPB. Ecletismo, como defendo eu. Não se pode ficar "fechado" apenas em uma década de música. Existem milhares de trabalhos interessantes a expandir os sentidos auditivos! Saudações.
Crédito das fotos: discogs.com (1,2), coleção particular (3).

ENGLISH VERSION

               My last item of 5 fundamental albums, "Dog man star" is the best album of the 90´s besides  Portishead´s second album, another great one. I think only The Verve made an album so phenomenal like this in the Britpop movement.

               Suede had to prove himself in 94 that would be able to continue its course after the traumatic exit of guitarist Bernard Butler during the maturation of the album by personal issues (including the death of his father). Task not easier, however the band had a greatest bandleader in Brett Anderson and found in Richard Oakes - a fan of the band- the figure to assume the task.

               On to the album, now. It's not an album for the masses (like the first), but it's a conceptual album, so to speak. Introducing the band opens the way dark and fast, sharp battery in shades and with metal vocals looking ahead We are the pigs -an ode to chaos (with a simple clip but magnificent) that could very well have been the soundtrack for Qadir in the suburbs of Paris in some point of the years 2000. Heroine has Butler's superb guitar work, too. Some singles are today as the band's greatest hits: The wild ones for example, some people consider the most perfect music. Big ballad with lead vocals from another world to Anderson (who could well have been lyrical singer).Daddy's speeding ´ has very good arrangement and emphasis on keyboards – but not the keyboard work more limp Dick that the band followed after 96. The power is a powerful riff and aided by ropes, remembering very Bowie songs in his pré-rocker phase. Single New generation radio is, well up with striking guitars and drums accurate to call the public to rise in concert. Particularly it is favorite. This hollywood life begins with sax disappearing fade. Is a vigorous rock, with the whole band and thumping a solo. The 2 of us is beautiful ballad, my favorite on the album by the "We are the pigs". Defines something the cover (so to speak). Some bands try to whole life do a ballad like this, without success. Lyrical! "Black or blue" features a climate means The Verve with arrangement which reminds us of the recordings of Scott Walker at the end of the 60 ´ n. Grand. Anyway, Asphalt world (which most fans consider the best song of them) is a masterpiece of harmony/lyrics. With harmonic twists, telling climates on underworld, delirium, prostitution, etc. could be remembered as "Kashmir" in the career of Led Zeppelin. Still life closes the disc so easy, as well as the disc of the band 93: evoking space, couples, serious us Brett Anderson and pompous orchestration. I'm not talking about the letters because the liner notes do not makes it easy, with bad choice of colors/background.

               It is worth mentioning that Suede went on tour after the album release, consolidating its position of masters of Britpop by Europe, which yielded the wonderful dvd called "Introducing the band" with extras that include all the projections to the songs used on live tour, as well as clips and parts of the show´s registry in the North of the continent.

               The cover evokes a mix of Bowie (major influence of the band) with The Smiths, bringing an image of loneliness and eroticism. If you want to know something of the Britpop, go for this piece, and the rest is the rest.  The best band in the 90´s, with a relentless guitarist- although he has not finished the disc- and 90´s best lyricist/singer. They were in Brazil for the Loola festival but I don´t saw them for the price and distance combination. Below, a small collection of imported magazines with Suede  covers.

               Well, with this post I close the series of my five key albums. Not bad. 5 works, 4 foreign bands (one from each decade of the 60´s to 90´s) and a collection of MPB. Eclecticism, as I a\ rgue I. You can't be "closed" only in a decade of music.  There are thousands of interesting works to expand the ear senses. Greetings.
Photo credit: discogs.com (1.2), private collection (3).




               

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Cinco álbuns fundamentais(4): The game - Queen (1980).

               
                Mais um da série “meus 5 álbuns fundamentais”, o Queen me introduziu ao rock. Foi o grupo que me fez passar a escutar e consumir o estilo. A partir de uma fita k7 de um amigo de época (que na verdade não colecionava vinis nem nada) acabei tão entusiasmado pela música – e mais tarde pelos clipes do disco - que acabei levando o k7 de presente. E era cópia, hein? Posteriormente comprei o disco nacional deste meu amigo. Vieram outras aquisições do grupo que passou a ser meu preferido. Comprei todos até o fraco "Hot Space” de 82.

                Falar do grupo é chover no molhado. Há vasta literatura. O sucesso como uma das grandes bandas da história é bem documentado. Prefiro me ater às faixas do disco. Além de seus 4 sucessos explícitos (“Save me”, “Crazy little thing called love”, The game” e “Another one bites the dust” – todas lançadas com clipes promocionais) outras são as razões para se adquirir este álbum.

                Foi o primeiro disco do Queen utilizando sintetizadores e começou a ser germinado em 79, com a composição “Crazy little...”. A banda deixou de lado o visual glitter-histriônico dos anos 70 para entrar nos anos 80 mais clean, com visual de badboys dos anos 50. A capa é muito bacana e as edições laminadas do disco são um must. A banda reparte entre si as composições de forma bem distribuída, com todos trazendo ótimas canções – e o que é melhor para quem gosta de pop – de curta duração. Se não me engano foi o primeiro produzido por eles também. Chegou à primeira posição em 4 países.

                Não vou falar dos sucessos... “Dragon attack” é uma pedreira, com a cozinha arrepiando enquanto abre espaço para May desfilar pontiagudas notas de sua guitarra inconfundível. “Need your loving tonight” é mais animada e traz como marca o coro de vozes bem colocadas dos 4 e que também se diz presente em “Sail away sweet sister”. “Coming soon” mostra Roger Taylor num perfeito domínio de apoio nos backing-vocals e “Don´t try suicide” é uma baita composição, climática como pede a letra, com linda linha de baixo, intervenções com um timbre muito legal de May, aquele coro de refrão bem construído pela banda e um final em fade maravilhoso...”Rock it” me soa como a menos interessante do disco (perdoável). Isto tudo fora as letras sensacionais e as melodias super bem encaixadas por Mercury (sem comentários) e por 2 backing-vocals de peso como May e Taylor.






                Lembro que gostava de ficar batucando ao imitar as viradas de Roger, lembro do clipe sensacional de “Save me” – até hoje um dos mais belos dos anos 70 (e antes da MTV) e a harmonia arrasa-quarteirão de “Another one bites the dust” para colocar a casa de pernas pro ar (meu irmão sofreu) e provando que de funk a banda entendia bem também! Um discaço – o meu preferido da banda – que moveu a banda de forma a consolidar sua posição como uma das mais bem sucedidas da história do rock. God save the Queen.

Crédito das fotos:  Wikipedia (1), Discogs (2,3).        

ENGLISH VERSION

Another in the series "my 5 fundamental albums", Queen introduced me to rock. They were responsible to made me listen to and consume the style. From a tape from a friend of the time (which does not actually collected vinyls or anything) I got so excited by the music – and later by clips from the album - that I ended up taking the k7 as a gift. And an outworn copy, right? Later I bought the album copy from my friend. Then came other acquisitions of the group who happened to be my favorite since then. I bought all the stuff  until 82´s "Hot Space".
Talking about the group is like “raining in the wet” as we call here in Brazil (rs). There is vast literature about them so the success as one of the greatest bands in history is well documented. I'd rather stick to its tracks. In addition to its explicit 4 hits ("Save me", "Crazy little thing called love", The game" and "Another one bites the dust" - all released with promotional clips) there are other reasons to purchase this album.
Was the first album by the group using synthesizers and started to be germinated in 79, with the composition "Crazy little ...". The band left the histrionic glitter visual of the seventies to enter the 80´s more clean, wearing a badboy look of the 50´s. The cover  is very cool and laminated editions of the album are a must. The band share among themselves the compositions so well distributed, with everyone bringing great songs – and what's best for those who like pop: short songs. If I'm not mistaken, was the first album produced by them as well. Peaked number one in 4 countries.
I'm not going to talk about the successes… "Dragon attack" is a quarry, highlighting the drum & bass work while making room for May pointing his accurate guitar notes. "Need your loving tonight" is one of the “ups” from the record and brings their well-known voice arrangement (also noted in "Sail away sweet sister"). "Coming soon" shows Roger Taylor in a perfect area for support in backing vocals and "Don t ´ try suicide" is one hell of a composition, climate as the title points, with beautiful bass line, guitar interventions with a very nice timbre, a pop chorus and ending in fade. "Rock it" sounds like the least interesting of the disk. All this with great lyrics and melodies well fitted for Mercury great chant (no comments) and 2 superb vocal supports by May and Taylor.
            I remember trying to tap imaginary drums like Roger, I remember the sensational clip of "Save me" – one of the most beautiful of 70´s (and before MTV!) and the harmony blockbuster of "Another one bites the dust" putting my house down -  and proving the band also understood funk rhythm too! My favorite Queen work – that moved the band in order to consolidate their position as one of the most successful in the history of rock. God save the Queen.

Photo credits: Wikipedia (1), Discogs (2,3).  

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

XVIII Feira de vinil no Instituto Bennet, RJ - 13 de novembro.

A XVIII feira estava excelente (como sempre) e nem a chuva atrapalhou. Seguem os itens comprados:
  • Unknown pleasures (Joy Division, reedição 180 grs da Rhyno);
  • Extractions (Dif Juz - da gravadora 4AD);
  • Filigree & shadow (This Mortal Coil - da gravadora 4AD);
  • Invisible sun (The Police - single 7");
(atualizado em 15/nov/2016 com fotos da feira por: Wilza Santos).

A Feira do Vinil do Rio chega à 18º edição no domingo, 13 de novembro. Como já de costume, no Instituto Bennet, Flamengo, de 11:30 até 20:00hs.


Neste evento o premiado – com o Troféu Feira do Vinil - será o compositor, arranjador e maestro Arthur Verocai, além do  lançamento de 2 livros: “História e Discografia Ilustrada do Rock Instrumental na América do Sul e as Raridades Vocais” (Laércio Martins) e o outro “Memórias do Baterista Canhoto”, de Romir Andrade, que já foi baterista de Roberto Carlos.
A feira é gratuita, apenas solicitando como entrada simbólica 1 (um) kg de alimento, a ser doado para a Seara Espiritualista Falangeiros de Aruanda (SEFA) e organizada pelos produtores Marcelo Maldonado e Marcello MBGroove (coletivo Vinil É Arte).


Nesta 18º edição também haverá o lançamento do disco "Joutro Mundo presents Brazilian Boogie e Disco Reworks vol. 1",  do DJ e produtor Jonas Rocha. Durante o evento vários DJs apresentarão seus sets em vinil e cerca de 60 expositores de todo o Brasil estarão presentes com discos e cds. A feira terá também estandes de venda de cds, equipamentos de áudio, marcas de roupas e acessórios com esta temática.


Uma das maiores feiras do Brasil em matéria de vinil...você não pode perder esta! Rumo às bolachas!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Entrevista com a Sebo Espaço Alternativo / Feira Vinil Vivo de Curitiba (PR, setembro 2016).

          Por ocasião de uma viagem de turismo à Curitiba, resolvi fazer um tour por lojas de vinil da capital paranaense, sabedor do significativo movimento de vinil por lá há tempos. E foi hiper produtivo...
         
As lojas de Curitiba são relativamente perto umas das outras, concentrando-se a maioria no Centro. O melhor para o bolacheiro/garimpeiro é se hospedar próximo à Praça Osório, por exemplo. Soube - quando cheguei - que a Feira do Canal da Música havia sido cancelada (sic), tornando-se fundamental percorrer as lojas durante minha estada. Houve tempo para tudo, por sorte. 

De maneira geral, as lojas são bem organizadas, ainda que eu não tenha encontrado grandes novidades em 180 gr. e nem muito material de bandas oitentistas (meu foco). Fui a 3 delas. A primeira, do já amigo Werkley, a Sebo Espaço Alternativo. A loja conta com miniaturas, gibis, dvds, cds, e, claro, muito vinil. Muito dez e com atendimento diferenciado! (fotos 2, 3 e 6)


           A segunda foi a Sonic Som (https://www.facebook.com/EspeciariasSonoras/?fref=ts). Esta me pareceu a melhor das que visitei, com variedade grande de estilos (alguns vinis lacrados) e uma loja que conta também com antiguidades e objetos para decoração vintage. Muito exótica! (fotos 4,5).




          A terceira - da qual não levei nada mas vale a menção - foi a HiFi (https://www.facebook.com/Hifi-Sebo-533517173330216/?fref=ts), com muitas bolachas e também miniaturas. Pouca coisa importada, mas variedade na área pop. (foto 7). Vale a conferida nas três, pessoal. Os preços obviamente variavam bastante, como rezam as regras atuais para o vinil. Consegui levar 3 LPs por bons preços e ótimo estado.



            Ao sair para Curitiba, já sabia da 1 Feira Vinil Vivo, no Hotel Nacional Inn. Obviamente fui como oportunidade de marcar presença numa feira no Paraná. Esta ofereceu, além de uma sala com alguns dos expositores da capital, venda de mercadorias para cozinha, banho, perfumes, chocolates, decoração - muito bem organizada e com ótimos produtos. A seção de vinil bombou (foto 9). Desta feita, levei o segundo do Fellini com o pessoal da "Nosso acervo" (foto 8).


          Também fiz uma entrevista com o Werkley da Sebo Espaço Alternativo (https://www.facebook.com/seboespacoalternativo/?fref=ts), a qual transcrevo abaixo. Agradeço o tempo do amigo lojista que, além de atender super bem, possui uma loja pra lá de bacana...valeu, Werkley! Também agradeço a acolhida dos curitibanos. Até a próxima, pessoal...

•Quando a SEA iniciou os trabalhos - quanto tempo tem a loja de vida? R: Iniciei a loja em 1989 com o nome de Alternatyva Records, somente com discos de vinil e camisetas de bandas. A tecnologia evoluiu e veio o advento do CD , que na época era divulgada pela mídia e por toda a indústria fonográfica como a oitava maravilha do mundo, não riscava, não pulava ,era de fácil transporte (pelo seu tamanho) e o som era imbatível, um som digital, limpo, sem ruído ou chiados (presentes nos discos de vinil). Como o brasileiro adora novidades e estar na "moda" rapidamente o disco de vinil foi posto de lado e trocado pelo cd , que decretou a "morte" do vinil. Com o passar dos anos o cd por si próprio se encarregou de acabar com o mito criado e provou que além de ser fácil de piratear o som do cd não é nem de perto aquilo que foi "alardeado" e por consequência se encarregou de "trazer" o vinil de volta. No formato de "sebo" e com o nome de Espaço Alternativo a loja vai fazer 9 anos.

  •Qual o estilo de rock que mais vende em sua loja? R: O rock vende bem em todas as suas denominações: rock clássico ( beatles / rolling stones / david bowie , etc..) hard rock / heavy metal (ac/dc, iron maiden, kiss, led zeppelin, deep purple , etc ...) pop (u2 / rem / talking heads ) progressivo (yes/ pink floyd , etc ) death/trash /black e outros (slayer / sepultura / korzus / exciter / venom, etc ..) rock brasileiro anos 70/80 ( mutantes / titãs / secos e molhados /casa das maquinas, etc).
  •Quais suas 3 bandas preferidas? R: minhas 3 bandas preferidas ....kiss / iron maiden / slayer.
  •Você possui coleção particular - pode falar a respeito sobre o número de seu acervo e década principal dos grupos da mesma? R: Sim , tenho coleção particular dividida entre discos de vinil, cds e dvds, além de inúmeras revistas e memorabilia . 95 % da coleção é rock principalmente internacional como Kiss que tenho tudo e muito mais , iron maiden , black sabbath , running wild , savatage , slayer , possessed , anthrax , faz tempo que não conto, mas devo ter uns 2.500 - 3.000 itens entre vinil /cd / dvd ...talvez mais.
  •Um recado para o pessoal amante do vinil. R: A todos os fâs do vinil que já são clientes e p/ aqueles que não conhecem o Espaço Alternativo venham fazer uma visita e garimpar aquele vinil que você procura há tempos , sempre com preço justo e com novidades toda semana. Aceitamos encomendas e fazemos trocas (mediante avaliação) .