domingo, 21 de agosto de 2016

Scissor´s cut - Art Garfunkel (1981).

    
            Quando eu me desfiz de grande parte de minha coleção em 2011, Garfunkel ficou. Sempre o considerei o cantor branco de música pop mais consistente da década de 70. Destaco, porém, outros grandes nomes, como Barry Manylow. Mas isto é papo pra quem tem gosto mais eclético, e não somente o gosto por rock ou pop, não é mesmo?

            Art conseguiu se destacar - como todos sabem - na dupla com Paul Simon, deixando um legado de canções no subconsciente americano e mundial até hoje. Sua carreira solo tem altos e baixos, mas bem consistente por quase uma década depois que se separou da dupla. Aliando-se a músicos competentes e compositores de alto calibre a partir de 1973. Tenho seus 5 primeiros álbuns-solo e uma coletânea com Paul Simon, quase obrigatória...


 



            Este disco de 1981 é absolutamente do melhor que ele produziu, embora somente tenha gerado um single - "A heart in New York" - e longe de ser seu trabalho mais reconhecido tanto por crítica quanto por vendagens. Descobri em notas na Internet de que este álbum foi marcado pela perda da namorada de Art à época, o que se nota no romantismo das canções.  

            "A heart in New York" foi ovacionada pelo público quando executada no famoso concerto de 1981 no Central Park, o qual reuniu a famosa dupla e que deu origem a um dvd e a um álbum duplo. A Grande Maçã mais uma vez foi cantada a verso e prosa e ganhou mais esta homenagem. Neste disco - como em outros da carreira - mais uma vez temos a sessão de canções do fabuloso compositor Jimmy Webb, uma parceria profícua que ficou estabelecida no álbum “Watermark”. Composições de Webb renderam a Garfunkel alguns de seus maiores sucessos, como "All I know" e "Crying in My Sleep". De Webb são 3 e das mais fortes do disco: a faixa título - que fala de brigas conjugais e conta com o backing-vocal bem colocado de Leah Kunkel (que trabalhou também com James Taylor), "In cars" - que evoca a época de ouro da América (os anos 50, onde aquela geração saboreou um pós guerra de crescimento econômico e euforia onde imagens do sonho americano, milk-shakes e namoros nos drive-ins foram muito bem explorados pelo cinema) e "That´s all I got to say", que consta como tema de um filme (“O último unicórnio”) e realmente possui aquela aura infantil que nos remete à momentos lúdicos. Linda. Outro destaque é "Bright eyes", magnífica e sublime e uma prova do que um grande refrão faz com uma canção. "Can't Turn My Heart Away" e "So easy to begin" são daquelas canções calmas, defendidas com maestria pela voz de tenor suave de Art. "Hang on in" é pra cima e dançante, mas destoa do resto do repertório...

            A crítica da Rolling Stone deu a este disco 4 estrelas em 81. Minha cópia é holandesa da CBS. Outro disco dele que destaco - e sua melhor performance nas paradas - é "Breakaway" de 1975. Boas dicas para quem quer ter um disco para namorar no escurinho e aproveitar o melhor que a música americana pop nos deu à época, com nomes fundamentais como Paul Simon, James Taylor, Carole King, Don McLean entre outros. Saudações!  


ENGLISH VERSION

When I sold great part of my collection in 2011, Garfunkel stayed. I have always considered him the more consistent white pop singer from the 70´s. I would highlight, however, other big names such as Barry Manylow. But this is another subject to eclectic tastes, and not only the taste for rock or pop, right?

Art managed his highlights - as everyone knows - in double with Paul Simon, leaving a legacy of songs in American and world subconscious until today. His solo career has its ups and downs, but well consistent for almost a decade after that separation - allying musicians authorities and composers of high caliber from 1973. I have his first 5 solo albums and a collection with Paul Simon, almost obligatory...

This 1981 work is absolutely the best he has produced, although only has generated a single - "A heart in New York" - and far from his more recognized works by both critical and sales. I discovered in Internet notes that this album was recorded soon after the loss of his girlfriend at the time, which led to the romanticism of the songs.

"A heart in New York" was a mark when performed in the famous concert back in Central Park, 1981 - which brought together the famous double and rose a DVD and a double album. The Big Apple was once more sung in “verse and prose” and won another great tribute here. In this work – like others in his career - once again we have the session of songs by fabulous composer Jimmy Webb, which stablished a fruitful partnership back in the “Watermark” album. Compositions of Webb earned Garfunkel some of its greatest successes, such as "All I know" and "Crying in My Sleep". By Webb we have 3 of the strongest here: The title track - which speaks of marital discord and counts with the well placed backing-vocal by Leah Kunkel (who also worked with James Taylor), "In cars" - that evokes the golden era of America (the 50´s, where that generation savored a post-war economic growth and euphoria and where images of the American dream, milk-shakes and dating in drive-ins were very well explored in movies) and 'That's all I got to say", which appears as a movie theme (“The last unicorn”) and really has that childhood aura that refer us to ludic moments. Beautiful. Another highlight is "Bright eyes' - magnificent and sublime and a proof of what a great chorus can make to a song. "Can't Turn My Heart Away" and "So easy to begin" are those calm songs, defended masterfully by Art´s voice of smooth tenor. "Hang on in" is upbeat and dancing, but in disharmony with the rest of playlist...

    The Rolling Stone review gave this work 4 stars back in 81. My copy is from CBS Holland. Another work from him that I can surely highlight - and his best performance in outages - is "Breakaway" from 1975. Good tips for anyone who wants to have a disc to a semi-dark dating and enjoy the best that the American pop music gave us in that era, with fundamental names such as Paul Simon, James Taylor, Carole King, Don McLean among others. Greetings!

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Born Sandy devotional - The Triffids (1986).

(postagem de abril/16)
            Os Triffids (cujo nome foi inspirado numa novela pós-apocalíptica) foi um grupo formado pelo vocal e compositor David McComb em Perth, Australia, em 1978. A banda, que gravou 5 álbuns de estúdio e vários EP´s ao longo de sua trajetória, teve seu ápice com este disco. Este seu segundo álbum – com a banda já como um sexteto após várias formações - foi gravado em 1985 em Londres e mixado em Liverpool na tentativa da banda de furar as fronteiras de seu país e atingir o estrelato internacional. Em janeiro de 85 o semanário NME londrino já havia previsto que eles seriam o próximo sucesso – tal como ocorreria com o Suede em 93 – cujo caminho para tal se consolidou com a banda abrindo shows para o Echo & the Bunnymen e tocando em vários outros festivais famosos do continente europeu antes da gravação desta obra.

            O lançamento pela gravadora Rough Trade se deu em 1986 catapultada pelo single Wide open road que atingiu o posto 26 na parada britânica, enquanto que o álbum figurou nos 30 mais. Esta canção em particular figura entre as 30 maiores(!) músicas australianas de todos os tempos de acordo com a Associação Australiana APRA. David McComb morreu em 1999 (dez anos após o fim da banda) de complicações de um transplante de coração junto à efeitos da heroína. Não pôde ver a banda incluída no Hall of Fame de seu país em 2008.

            Born Sandy devotional - cujo título se deve a uma canção não incluída no disco – ocupa a quinta posição(!) entre os 100 melhores álbuns da indústria fonográfica da Austrália (outubro de 2010), o que não é pouca coisa com nomes como o AC/DC e o Midnight Oil entre os 5 primeiros.  A Melody Maker citou que o disco era “um clássico...com dez canções sobre vida e amor numa paisagem hostil sub-tropical” enquanto o NMExpress citou a obra como “um clássico...música para ser levada a sério”. A Sounds usou de palavras como “milagre” ou “harmonia de beijos curadores” em sua resenha na qual dizia que era de longe o mais brilhante álbum do ano de 1986.


            Sobre o disco, menciono alguns destaques: além da já clássica Wide open road, outras de destaque são The Seabirds com seu clima de praia, uma guitarra marcante pontuando as estrofes e a  estória de um casal em crise. Life of crime tem excepcional trabalho de cozinha, num tema de arranjo climático como um filme noir e bem poderia ter sido tema para qualquer documentário ou filme de gângsters;  Stolen property traz uma interpretação “raçuda” de David. Mescla ao mesmo tempo solidão e confinamento, amplitude e vastidão...Tivesse o cineasta Win Wenders aguardado mais 4 anos e teria nesta canção um belo tema para seu filme “Paris, Texas” (de 83).; Personal things mostra de que forma os Doors influenciaram não só os Bunnymen: num ótimo trabalho de Graham Lee e Jill Birt nos teclados, a banda lembra o clima presente no álbum “Strange days” e bebe nos timbres marcantes de Ray Manzarek. Tender is the night é apontada como algo autobiográfica e cantada pela tecladista Birt, fechando o álbum e acompanhada por David. Tarrilup bridge segue a mesma linha.  

            Creio que apenas Born... e Calenture saíram no Brasil. Esta edição é nacional de 1987 e pertenceu à rádio Alpha (não sei de que estado é e com um número fixado 1884 típico de arquivos de mídia de rádios ou afins). O encarte é bem bacana, pois, além de trazer as fantásticas letras vem também com um encarte-envelope trazendo fotos de seus integrantes a cores. Eu havia vendido minha edição em 2011 no que eu chamei de “grande tarde escura” porém pensei seriamente em comprar novamente após assistir a uma série de documentários de 2007 sobre os grandes álbuns australianos de música pop.

            A All Music Guide (AllMusic), através de seus usuários, deu 4 1/2 (em 5 estrelas) a este álbum.  O jornal britânico The Guardian deu 4 (em 5 estrelas).
Fonte: https://en.wikipedia.org




ENGLISH VERSION

            The Triffids (whose name was inspired by a post-apocalyptic novel) was a group formed by vocals and songwriter David McComb in Perth, Australia, in 1978. The band, who recorded 5 studio albums and numerous EP's ´ throughout its history, had its zenith with this album. This second album - with the band as a sextet after several formations - was recorded in 1985 in London and mixed in Liverpool on the band's attempt to break-out the borders of their country and make into international pop-stardom. This year (in january) the londoner weekly NME had already predicted that they would be the next big thing – as would occur with the Suede in 1993 – whose path to such effort was consolidated by opening for Echo & the Bunnymen and playing in several other famous Europe festivals before the recording of this work.


            The release by record label Rough Trade took place in 1986 catapulted by the single Wide open road that ranked #26 in the UK charts, while the album reached position #27. This particular song is among the 30 biggest (!) Australian songs of all time according to the Australian Association APRA. David McComb died in 1999 (ten years after the end of the band) of complications from a heart transplant alongside  the effects of heroin. He could not see the band included in the Hall of Fame of his country in 2008.


              On the disc, I mention some highlights: in addition to the now classic Wide open road, other interesting tracks are The Seabirds with their beach “mood”, a striking guitar scoring the stanzas and the story of a couple in crisis. Life of crime has exceptional drum/bass work, a theme of climatic arrangement as a film noir and could well have been subject to any documentary or gangster movie;  Stolen property brings a great interpretation by David - it merges at the same time loneliness and confinement, breadth and vastness. Had the german filmmaker Win Wenders awaited more 4 years and would have in this song a beautiful theme for his film "Paris, Texas" (83).; Personal things shows how the Doors have influenced not only the Bunnymen: a great work of Graham Lee and Jill Birt on keyboards, the band remembers the climate present in Doors songs like “People are strange” and drink in the tones of Ray Manzarek. Tender is the night is pointed as a autobiographical song and sung by keyboardist Birt, closing the album.


            Born Sandy devotional - whose title is of a song not included on the album – occupies the 5 (fifth!) position among the 100 best albums of the music industry of Australia (October 2010), which is no small feat with names such as AC/DC and the Midnight Oil between the first 5 on list. The Melody Maker cited that the record was "a classic ... with ten songs about life and love in a hostile sub-tropical landscape" while the NMExpress cited the work as "a classic music to be taken seriously". The Sounds used words like "miracle" or "harmony kisses" in his review and stating that this was by far the most brilliant album for the year of 1986.
            I think only Born... and Calenture were released in Brazil. This 1987 edition is brazilian and belonged to Alpha Radio (from which Brazil state I don´t know) with an “1884” adhesive fixed number typical of radio media files or the like. Alongside the record it comes with the fantastic lyrics sheet and an insert bringing color photos of its members. I had sold my edition in 2011 in what I´ve called “the big dark afternoon” but I thought seriously to buy it again when watching a 2007 documentary series  about the great Australian albums in pop music...  



Lápis de cor - Fátima Guedes (1981).

(postagem de 21/mar/16)
               A música de Fátima está no meu inconsciente desde a adolescência por causa da execução nas rádios da fenomenal "Cheiro de mato" (1980) que marcou muito aquela fase da minha vida e
de nossa MPB. Curioso por querer conhecer mais da artista, terminei conhecendo outros
trabalhos dela e destaco este!





               Lápis de cor (1981) é seu terceiro álbum pela EMI Odeon e teve boa receptividade de crítica
após dois álbuns muito fortes e a participação na final do MPB Shell 80 com "Mais uma boca".
Fátima chegou neste trabalho maduro já com a respeitabilidade da mídia e de artistas consagrados.
O álbum, na minha visão, é uma ode ao amor, às lembranças da infância, ao sentimento da mulher
ainda lutando para liberar seus medos na ainda machista sociedade do começo da década. Vamos a ele...
               "Arco íris" tem o piano de Eduardo Souto Neto - maestro do Rei Roberto Carlos - permeando a linda melodia onde Fátima passeia entre a fantasia de fadas e gnomos. "Fraqueza" e "Desacostumei de carinho" (segunda do lado B) falam da mulher em estado de ruptura no dilaceramento de relações afetivas, tema tão presente na obra da cantora. "Pelo Cansaço" é um samba à Paulinho da Viola (pelo menos me remeteu a tal) com excelente presença de metais e arranjo cheio, com muito balanço. Em "No fim da casa" ela descreve com ternura imagens e momentos vividos com seu avô - em letra comovente - ao lembrar tempos passados nos detalhes de uma convivência que suplanta o tempo. Os versos muito especiais e a entrega interpretativa da cantora fazem desta uma faixa muito emotiva. Impossível não lembrar do meu próprio avô...Saudades... "A bailarina" encerra o lado A apenas com teclado e voz. Faz uma ponte entre a solitária dançarina da caixinha de música e o sentimento da compositora. Linda, suave, quase se podendo vislumbrá-la num quarto triste num fim de tarde a alegrar a alma da casa...





               O lado B abre com a canção-título, obrigatória para quem escolhe manter a criança que vive dentro de nós ativa, mesmo face aos desequilíbrios da vida! Emociona com uma interpretação magistral de Fátima - dando um acento propositalmente infantil - que permeia a linda melodia formando um conjunto harmônico irresistível e majestoso. Esta é uma das canções que me faz chorar sempre que a escuto..."Celeste" é como o título: calma, com harmonia belíssima liderada pelo teclado sempre marcante de Gilson Peranzetta. "Bicho medo" traz uma levada com arranjo de sotaque nordestino deliciosa. "Eu" fecha o disco numa letra desabafo maravilhosa com a presença de Simone, num arranjo deslumbrante pontuando a melodia. Não há como descrever o contraponto vocal entre as duas lá pelo fim da música!


               Eu havia me desfeito deste LP em 2011, porém fui atrás e o recuperei na mesma loja que havia comprado meu lote. Foi uma injustiça contra a minha pessoa. Fátima o autografou. Este é definitivamente um LP que me emociona fundo. A leveza e afinação da voz da Fátima, combinada às belas harmonias em canções ternas e cheias de saudosismo nas letras atinge em cheio o coração. Se você gosta de MPB corra atrás desta obra que traz a capa (do consagrado artista Elifas Andreato) em formato de encaixe, como se fosse mesmo a saudosa caixa de lápis de cor da Faber Castell. Obra maiúscula de nossa música. 

  
        
                Seu mais recente trabalho é "Transparente", o qual me permitiu estar com a cantora
no show de lançamento do Rio de Janeiro (fotos 3 e 4), um luxo! Saudações. A página oficial de Fátima é:
 
http://www.cantorasdobrasil.com.br/cantoras/fatima_guedes.htm  

domingo, 7 de agosto de 2016

Cinco álbuns fundamentais(2): Here at last...BEE GEES...live - The Bee Gees (1977).

(postagem de 21/jul/16)
Este é mais um tributo meu a uma das bandas que contribuiu para meu gosto e opção musical ao longo dos anos. Um dos 5 álbuns fundamentais da minha existência também. O trio vocal mais famoso de todos os tempos, os irmãos Gibb. Este disco foi escolhido porque, além de servir como um resumo da primeira fase da banda, foi o único registro musical que tive nos 3 formatos: k7, vinil e optei por ficar com o atual em cd. Os Bee Gees foram meus primeiros professores, eu diria.
                

                Ao contrário de álbuns ao vivo em que o público nem mesmo é captado com clareza e se tem a impressão de se estar escutando um disco de estúdio comum – como no caso do “Arena” do Duran Duran – este é quente, bem mixado, e o burburinho está lá para se sentir parte do show.

                A banda já estava no caminho sem volta do rhythm´n´blues  desde o “Main course” de 1975 (para mim o melhor deles) e em 1976 consolidou esta opção com “Children of the world”. Partiram para uma turnê e deixaram este registro impecável gravado em Los Angeles em 20 de dezembro de 1976. Na verdade, se poderia escrever sobre todas as faixas mas resolvi dar um highlight nos grandes momentos deste disco duplo.



                Disco 1: A abertura de “I´ve gotta get a message to you” com metais traz o público numa explosão receptiva que contagia, enquanto Robin entoa os primeiros versos. Esta canção não é das preferidas do público, mas funciona muito ao vivo devido a seu arranjo que traz elementos como o country, por exemplo. “Love so right” é minha balada predileta e o público feminino vem abaixo com o falsete de Barry, sua marca registrada. É uma versão que – creio – nunca conseguiram igualar, pois o arranjo de vozes do fim da canção – com Maurice (não tenho certeza) pontuando os trinados de Barry já vale o disco. Prestem atenção. Maravilha.  “Come on over” traz Robin transformando uma música balada country normal num crescendo com sua voz distinta. Muito superior à versão em estúdio. Olivia Newton John creio já a havia gravado também, mas não há como comparar. Virando o lado (rs) temos o meddley anunciado por Barry que passou a fazer parte de todos os shows dos irmãos – trazendo o material pop- romântico deles de sua fase pré-balanço. Já vale o disco (de novo) com destaque para o impecável arranjo vocal da sinistra “New York mining disaster  1941” e o hino de Robin “I started a joke”. Depis do meddley, este set fecha com chave de ouro com a mulherada caindo de prantos com o falsete de Barry que marcou pra sempre a linda “How can you mend a broken heart”. Esta desde já um dos pontos altos de shows do trio.

Disco 2: O lado 3 é o mais “fraco” dos 3, com ênfase no balanço em 3 músicas da fase mais moderna do trio e fechando com o grande momento de Barry – “Words”, outra que não pode faltar nunca.  O último lado é poderoso, com destaque para a banda de apoio e traz os dois principais hits do já citado álbum de 1975. “Wind of change” traz um falsete de outro mundo (!) de Maurice – que sabia como ninguém pontuar o que os outros dois faziam nos vocais principais – e os metais pegando fogo. A minha canção pop preferida deles vem em seguida. “Nights on Broadway”  traz uma mensagem da noite, das ruas, de vivência. Já era poderosa em estúdio e ficou ainda mais aqui. Há espaço para os três brilharem e merece atenção redobrada. Notem como Barry muda de entonação vocal como somente um mestre é capaz de fazer. Robin entra na “bridge” antes do refrão com uma afinação impecável e Maurice tem o seu ponto alto do show com um falsete que começa terminando os versos de cada refrão até explodir numa estridência típica deles lá pelo final. Uma apoteose. A triste mas linda balada “Lonely days” fecha o disco com o bye-bye da banda e a sensação de que esta turnê foi – pelo menos nos arranjos – a melhor da história da banda.


Há vasto material do trio na Internet e não quero discorrer muito. Apenas a citação de que, depois dos Beatles, foram a única banda com 3 músicas no top five dos Estados Unidos no final dos anos 70, ajudaram a estabelecer a onda disco sem nunca perder as raízes pop e country, flertaram com o rhythm´n´blues e marcaram gerações.  Compre para ontem se for escolher apenas um item da discografia da banda. Saudações.


crédito das fotos: A. Andrady.



ENGLISH VERSION

This is another tribute to one of the bands that contributed to my taste and musical option over the years. One of the 5 albums of my existence, too. The most famous vocal trio of all time, the brothers Gibb. This album was chosen because, in addition to serve as a summary of the first phase of the band, was the only musical registry I got in 3 formats: k7, vinyl and I chose to stay with the cd format. They were my first teachers, I'd say.

Unlike live albums which the audience is not captured with clarity and you have the impression to be listening to a common studio work – as in the case of "Arena" by Duran Duran – this is hot, well mixed, and the buzz is there to make you feel part of the show. 

The band was already on the path of no return by choosing rhythm´ n´ blues since the "Main course" of 1975 (for me the best one) and in 1976 consolidated this option with "Children of the world". They went on tour and left this impeccable record registered in Los Angeles in December 20, 1976. In fact, one could write about all the tracks but I decided to give a highlight on the big moments of the double disc. 

Disc 1: the opening  "I've gotta get a message  to you with horns brings the audience in a contagious explosion, while Robin sings the opening lines. This song never was a public's favorite, but it works very well live due to its arrangement that brings such elements as country, for example. Next "Love so right" is my favorite ballad and the female audience went mad with Barry´s falsetto, his trademark. Is a version that – I believe – they never equaled again live because of that voice arrangement here. Maurice (not sure) punctuates the trills of Barry making the record worths the price. Pay attention. Wonderfull.  "Come on over" features Robin transforming a normal country ballad music into something big with its distinctive voice. Far superior to the studio version. Olivia Newton John I believe already had recorded that tune, but there's no way to compare. Turning the side (rs) we have the meddley announced by Barry that became part of every show of the brothers – bringing them pop material throughout their earlier phase to the stage. Worth the price (again) with the impeccable vocal arrangement of the sinister "New York mining disaster 1941" and Robin´s anthem "I started a joke". After medley is gone, this set closes with a golden key with the chicks in tears with Barry´s falsetto which  marked forever the beautiful "How can you mend a broken heart". This already shows one of the high points of the trio.

Disc 2: the side 3 is the less interesting, with emphasis on disco sounds in 3 songs and closing with the great moment of Barry -"Words" (another that cannot be out of their gigs).  The last side is powerful, especially the work of the backing band and shows  the two main tracks of the aforementioned album of 1975. "Wind of change" brings a falsetto (from another world!) by Maurice – who knew well how to punctuate what the other two did in lead vocals - and the horns & brass on fire. My favorite pop song of them comes next. "Nights on Broadway" brings a message of the night, the streets and of human experience. That track was already powerful in studio and became even more here. There's room for the three musketeers shine and deserves attention. Notice how Barry changes his vocal intonation as only a master can do. Robin enters the bridge with an impeccable tuning and Maurice has its high vocal point of the show with a modulation in falsetto that starts by the ending of the verses until he explodes in a typical stridency.  An apotheosis. The sad but beautiful ballad "Lonely days" closes the disc with the bye-bye and the feeling that this tour was – at least in the arrangements – the best in the band's history. 


There are vast material of the trio on the Internet and I don't want to talk much. Only quote that, after the Beatles, they were the only band with 3 songs in the top five in the United States at the end of the 70´s, help to stablish the wave disco era without ever losing the roots in pop and country, flirted with the rhythm n blues ´ and scarred generations.  Buy this item if you choose just one of their discography. Greetings.

photo credits: A. Andrady.

Cinco álbuns fundamentais(1): WAR - U2 (1982).

(postagem de 21/jun/16)
  Este foi um dos álbuns que me levaram a cantar, a formar uma banda, a tentar uma carreira, a povoar minha mente de fantasias musicais, de contestações, de poesias...O U2 estourou nas rádios brasileiras em 1985, após a arrasadora apresentação da banda no Live Aid, em Wembley. As rádios começaram a executar “Sunday Bloody Sunday” e “New year´s day” bastante, ajudando a divulgar a banda e uma nova febre nascia aqui no Brasil. Este álbum e o “The Unforgettable fire” foram dois álbuns de cabeceira – mesmo! – pois nesta época cansava de escutar os dois álbuns em fita k7 tarde da noite, tentando mergulhar na conturbada Europa dos anos 80. Fundamental na carreira da banda, este álbum foi prejudicado pelo roubo das letras de Bono por alguém não identificado durante a confecção da obra (o que mostra a maestria do vocal com os escritos, pois conseguiu reunir de novo grandes ideias e insatisfações num álbum incrível).
               Outros discos também foram “barra pesada” (politicamente falando) nos anos 80, certo? Bandas como o Big Country, O Clash ou o New Model Army foram bandas politizadas, mas que não chegaram tanto ao mainstream quanto o U2 falando abertamente de seus conflitos à época. Vamos ao petardo em si...



“Sunday Bloody Sunday” abre o disco como um imortal grito de protesto anti-bélico referindo-se ao massacre da cidade de Londonderry em 1972 pelas tropas inglesas contra os católicos irlandeses. Até hoje é um símbolo da banda e da época. Resta dizer que o U2 não apoiava o IRA em suas ações terroristas contra o domínio britânico da coroa real. O destaque, além da letra, é o violino super bem-colocado por Steve Wickham na canção. Está entre as 500 maiores canções do pop para a Rolling Stone (#272). 

“Seconds” é permeada por violão e uma letra que fala sobre a Guerra Fria da então URSS contra os EUA e a iminência nuclear de um simples apertar de botão vir a deflagrar o fim do mundo. Adam Clayton manda uma linha de baixo super interessante...Fria, com bateria marcante, não foi sucesso mas é muito boa faixa. The Edge divide o canto com Bono nesta, sendo inclusive a voz principal.

“New year´s day” dispensa comentários. A linda linha de teclado de The Edge, a letra ( referindo-se ao sindicato Solidariedade de Lech Walesa da Polônia) e a interpretação apaixonada de Bono fizeram desta um dos 10 maiores sucessos da carreira da banda, sem dúvidas. No disco, a duração dela é mais longa do que a que é executada pela banda ao vivo, com uma estrofe a mais. Está entre as 500 maiores canções do pop para a Rolling Stone (#435). 

“Like a song” não se destaca tanto, porém, é a performance mais dramática de Bono, colocando os pulmões pra fora e a banda chegando junto, super engajada.

“Drowning man” é belíssima, também contando com um violino marcante, com a banda quase flutuando (é esta a sensação que me traz esta música) e Bono declamando uma letra cheia de paixão e sentimentos nobres pelo seu amor. Destaque certo do disco.
Algumas fotos e clippings importados da banda. 

              O lado B abre com “The refugee”, também não muito conhecida. A bateria de Larry Mullen arrebenta tudo desde o início. Uma harmonia não tão rica, mas com um refrão que difere de suas estrofes raivosas, por assim dizer.  Seu final traz uma daquelas melodias típicas para a massa acompanhar junto. Faixa muito interessante, poderia muito bem ter sido incluída na trilha sonora do filme “Em nome do pai” – cuja música tema é de Bono, por sinal.


“Two hearts beat as one” foi o segundo single do disco. Dançante e pop – pelo menos em relação às demais – conta com um trabalho bacana da cozinha e uma letra mais para cima. Aqui no Brasil foi lançado um remix desta canção que chegou a tocar bastante nas danceterias (!) do Rio de janeiro em 1985/1986. 

“Red light” também é mais para cima, com trabalho de backing-vocals e letra (segundo a Wikipedia) em referência à prostituição. O trompete de Kenny Fradley entra muito bem, solando e encerrando a música em clima de trilha-sonora. Vale a audição com cuidado.

Em seguida vem a minha preferida do disco. “Surrender” nunca foi igualada ao vivo...O clima desta gravação é único, coisa de estúdio, junção de pessoas e feeling de momento. A aflição de Sadie, a garota-tema da canção numa letra passional (mais uma) de Bono, os teclados incidentais, a bateria arranjada de forma minuciosa por Mullen, a estupenda performance vocal de Jessica Felton ao longo da faixa e o impressionante arranjo de vozes que fecha a canção – com o maestro Bono no comando das massas imaginárias - faz com que esta música seja uma das 10 gravações mais memoráveis do grupo em toda a carreira (cito aqui também a linda “A sort of homecoming” do ano seguinte). É o grande destaque em minha opinião.

“40” foi, durante muito tempo, a faixa que fechava os shows da banda. Espiritual, quente, onde a banda saía do palco e Mullen fechava sozinho o show. Preste atenção na colocação das vozes desta gravação. The Edge e Bono trazem muito lirismo à canção e te deixam com uma certa melancolia. Genial...


Minha coleção de revistas / livros tendo o U2 como tema e/ou capa. 
A respeito de outros aspectos do álbum: Foi todo gravado em Dublin em 1982 (lançado em 1983), tendo como produtor Steve Lillywhite. O garoto da capa (Peter Rowen), que era da vizinhança de Bono - esteve também presente na capa do álbum “Boy” - ilustrou a turnê do disco e se tornou um símbolo da banda. Outro fato interessante é que a arte é em cinza e vermelho, mesmas cores do jornal “Solidariedade Semanal” do movimento polonês. 

            Alguns números da Rolling Stone: A capa de “War” foi eleita pelos leitores em 1991 como a 42ª melhor de todos os tempos. O disco está entre os 40 maiores da década segundo os críticos da revista. O álbum é listado como um dos 500 maiores de todos os tempos (#223). Chegou a número 1 no Reino Unido e a número 12 nos EUA. 
            Respeito muito o “The Unforgettable fire” de 1984 – outro essencial da banda – porém, “War” consegue soar magnífico sem faixas descartáveis como o seu sucessor. Este disco foi um dos que não consegui me desfazer e até hoje me causa espanto ao escutar. Minha cópia é nacional de 1985, em estado de zero e comprada – quem se lembra – na extinta rede Gabriella Discos. Aqui eu pago uma dívida (mais uma) a uma banda de cabeceira, antes do U2 se transformar numa caricatura de si mesmo, com Bono (sic) se achando um business showman à la Sinatra, perder o rumo durante os anos 90 e perder o fã de carteirinha que vos fala. Meu respeito e agradecimento à banda, porém, são eternos...

Fotos: acervo pessoal. Review por Alvaro Az. Quer ler mais sobre este magnífico álbum? Saiba mais em:   https://pt.wikipedia.org/wiki/War_(%C3%A1lbum)



ENGLISH VERSION

This was one of the albums that send me to sing, to form a band, trying a career, to populate my mind of musical fantasies, objections, poetry... U2 blew in the Brazilian radios in 1985, after their overwhelming presentation at Live Aid in Wembley. The radios began to perform "Sunday Bloody Sunday" and "New year's day"  so much, helping to promote the band and a new fever was born here in Brazil. This and "The Unforgettable fire" were two bedside albums-really! - because this time I got “tired” of listening to these two albums on tape late at night, trying to soak in the troubled Europe of the middle 80´s. Vital in the band´s career, this album was hindered by the theft of Bono lyrics by someone unidentified. What shows the mastery of U2 vocal with the lyrics, as he managed to put all his disatisfaction and ideas on an amazing album.

Other discs were also "heavy" (in political aspects) in the 80´s, right? Bands like Big Country, the Clash or  New Model Army were politicized bands, but didn't make it to the mainstream as U2 – talking openly of world´s conflicts at the time. Let's go to the bomb itself…

"Sunday Bloody Sunday" opens the disc as an immortal anti-belicist cry referring to the Londonderry massacre back in 1972 by British troops against Irish catholics. Until today is a symbol of the band and that season. Needless to say that U2 did not support the IRA in its terrorist actions against the British rule of the Royal Crown. The highlight, beyond the letter, is the violin presence by Steve Wickham in the song.

"Seconds" is pervaded by acoustic guitars and a letter that talks about the so-called Cold War and the nuclear looming with a simple push of a button generating the end of the world. Adam Clayton puts a very interesting bass line. Cold - with striking drums  - was not a success but is very good track. The Edge is the mainly vocal in this track, dividing work with Bono.

"New year's day ´" waiver comments. Beautiful keyboard riff from The Edge, the lyrics (referring to the Lech Walesa´s Solidarnosc in Poland) and the passionate interpretation of Bono have made this one of the 10 biggest hits of the band's career, no doubt. On disk, the length is longer than the live version performed by the band, with one more stanza.

"Like a song" don't stand out as much, however, is the most dramatic performance of Bono, putting their lungs out and the band coming together, super committed.

"Drowning man" is beautiful, also counting on a violin, with the band almost floating (that is the feeling that brings me this song) and Bono declaiming a letter full of passion and noble sentiments for his love. Sure a presence on this work.

The B side opens with "The refugee", also not very known. Larry Mullen drums bursts from the top. A harmony not as rich, but with a chorus that differs from the rest, so to speak. The ending brings one of those typical melody lines as to make the masses come in and sing together. Very interesting track, could very well have been included in the soundtrack called "In the name of the father" – whose theme is sung by Bono.

"Two hearts beat as one" was the second single from the album. A pop dancing tune – at least compared to the others – has a cool drum & bass work and up lyrics.  Here in Brazil the market released a remix of this song that came to play hard in the danceclubs (!) of  Rio de Janeiro by 1985/86.

"Red light" is also uplift, with good backing-vocal work and lyrics (according to Wikipedia) in reference to prostitution. Kenny Fradley´s trumpet solo and work goes very well,  pushing the ending as in a soundtrack mood. Worth listening carefully.

Then comes my favourite on the disc. "Surrender" was never equaled live ... The climate of this recording is unique: a studio junction of people and feelings at that particular moment. Sadie's distress, the girl-theme song in a passionate lyric (another one) by Bono, the incidental keyboards, drums arranged meticulously by Mullen, the great performance of Jessica Felton along the track and the striking arrangement of voices that closes the song- with maestro Bono in charge at imaginary masses - makes this song one of the 10 most memorable recordings of the group throughout their career (I quote here also " A sort of homecoming " in the following year). This is the highlight - in my opinion.

"40" was, for a long time, the song that closed their concerts. Spiritual, "hot", where the band left the stage and Mullen would close the show alone. Pay attention to the placement of the voices in this tune. The Edge and Bono bring richness to “Bible” lyrics, leaving you with a certain melancholy. Genius. 

            Regarding other aspects of the album: it was all recorded in Dublin in 1982 (released in 1983), with producer Steve Lillywhite. The cover boy (Peter Rowen), which lived in Bono´s brotherhood, was also the cover model for "Boy". An image that illustrated the tour and became a symbol for the band. Another interesting fact is that the art is in gray and red, same colors of the weekly "Solidarnosc" journal in Poland´s movement. 

            Some Rolling Stone magazine pool numbers: The cover art was pointed as number 42 in a hundred list by Rolling Stone´s writers in 1991. Appears on the 500 greatest albuns of all time (#223) by its critics and also on the greatest albuns of the decade (#40). Reached number 1 in the UK and number 12 in the U.S.

I have great respect for the follower 1984´s "The Unforgettable fire" – another essential record - but "War" can sound magnificent without disposable tracks. This record was one that I couldn't get rid of and even today causes me passion to listen to. My copy is brazilian in mint condition and bought – who remembers that? – in extinct Gabriella disc store. Here I pay a debt (another one) to the band, before U2 become a caricature of theirselves, with Bono (sic) finding himself a business showman like Sinatra, lose their way during the 90´s and lose this fan who speaks. My respect and gratefulness to the band, however, are eternal.

Photos: personal collection. Review by Alvaro Az. Read more at: https://pt.wikipedia.org/wiki/War_ (% C3% A1lbum)

terça-feira, 21 de junho de 2016

XVII Feira de vinil no Instituto Bennet, RJ - 16 de junho.


A XVII feira de discos no Instituto Bennet arrebentou numa tarde de temperatura impecável e organização idem. Esta edição homenageou o músico Wilson das Neves. Vários expositores como de costume oferecendo preços – em sua maioria – muito bons. Às 11:30 a feira já estava com grande volume de aficionados se debruçando nas bolachas mais deliciosas do planeta.

 

Destaco nesta edição duas coisas: retiraram a discotecagem dos DJ´s da sala principal – o que atrapalhava a negociação com os lojistas e interação dos discófilos – para alocarem no pátio, onde o som se propaga melhor por ser mais aberto. E a deliciosa refeição da cozinha do colégio, muito bem feita, caseira e com preço acessível.

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Partindo agora para as ofertas...estavam incríveis. Destaco a Sonzera de São Paulo (http://www.sonzerarecords.com) com seu furgão azul que trouxe um acervo espetacular com preços muito bons, além de atendimento de qualidade. Blocos bem divididos por gênero, LPs bem cuidados, enfim, todo um profissionalismo que deixa exemplos. Este pessoal se estabelece definitivamente como uma das forças do setor no Brasil. A Tropicália também não ficou atrás, com importados muito interessantes, aquele desconto sempre conhecido nas compras e o pessoal nota dez, que trabalha também em parceria com a Satisfaction discos do organizador Marcello Maldonado. A Supernut Records do Fabio levou pra feira – como de costume – sua promoção de leve 3 por um preço único que funciona. É saber escolher...


Compactos importados para todos os gostos muito bons, apesar do preço dos 7” ser um pouco salgado em relação àos long plays. Sempre me falta um pouco de paciência para garimpar compactos! Os importados beiravam a faixa de R$120,00, enquanto que os nacionais, pela maior oferta, variavam bastante.

Nesta feira consegui vários itens que vinha buscando há tempos e não havia adquirido ou por preços altos (como no Mercado livre) ou pelo estado do item. Destaco uma edição importada do “The crossing” do Big Country por apenas R$ 20 mangos com letras em alto relevo douradas e capa texturizada verde escuro. A nacional era de cor azul normal. Um luxo. Outros destaques foram o “Brain salad surgery” do ELP em sua edição completa de 1973 (a melhor capa da música pop em todos os tempos na minha opinião) e a edição de aniversário de 25 anos do “War” do U2 (com encarte envelope, mais letras e fotos num livreto caprichado). Vale dizer que esta edição está descontinuada. O álbum foi tema recente neste blog. Mesmo sem conhecer muitas feiras pelo país me atrevo a dizer que está entre as 3 maiores do Brasil.  Segue a foto dos itens que adquiri e algumas fotos do evento.  Aguardamos a próxima com ansiedade já...



Fotos:1,4 (Alvaro Az); 2 e 3 (Wilza Santos); filmagem: Wilza Santos.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Soy loco por ti America... - discos de artistas de lingua hispânica.

Neste post apresento alguns itens de artistas latinos (ou de língua latina) de minha coleção. Vamos lá:

"Baglietto" é o terceiro álbum de estudio do cantante rosarino argentino Juan Carlos Baglietto,publicado pela EMI Music em 1983. Destaco as músicas - e principalmente a letra -  "Carta de un león a otro" e "Amor en otras palabras". Deste álbum participou também Fito Páez. Vale destacar que, antes de Fito, Baglietto foi o primeiro artista a emplacar disco de ouro na categoria rock argentino.
                Mercedes Sosa dispensa comentários. Esta coletânea da série "A arte de" traz todos os sucessos da cantora em LP duplo, cujo destaque é um encarte - que não faz parte do álbum - à época de seu show aqui no Rio de Janeiro. Para ouvir com calma e se sentir latino...




LP: "A Arte de Mercedes Sosa"

                Silvio Rodriguez é um estupendo trovador cubano, excelente cantor, poeta e cujas letras remetem à revolução cubana, seu folclore, amor, isolamento. É considerado como o melhor compositor de seu país no século XX. Tenho de seus trabalhos os títulos: Días y flores (em cd, de 1975), Mujeres (1978),Rabo de nube (1980) e Unicornio (1982). Sua música é latina até a médula, doce,  mas também feroz em suas mensagens repletas de referências à história de Cuba e as lutas internas do ser. Maravilhoso.




LP´s "Rabo de nube", "Mujeres" e "Unicornio" de Silvio Rodriguez. E o de Baglietto.

                Alguns álbuns são curiosos como o disco "Et le Siens" do cigano Manitas de Plata gravado na cidade francesa de Camargue à época da procissão para Santa Sara de Kali (madrinha do povo cigano). Muito ligado à raiz de seu povo, foi durante anos parceiro de Jose Reys, nada mais nada menos que o pai de alguns integrantes dos Gipsy Kings e pai do violonista solo dos Kings, Tonino Baliardo. O disco por ser música de raíz é de difícil audição, porém, com uma arte (em formato gatefold) muito bonita - trazendo fotos da procissão.
                Outro disco curioso traz o espanhol Juan Manuel Serrat declamando poesias em "Dedicado a Antonio Machado, poeta",de 1969. Muito agradável de se escutar, de um lirismo impressionante.



LP´s "Dedicado a Antonio Machado, poeta" de Serrat e "Et les siens" de Manitas de Plata.

                De Fito Páez, todos que gostam de música pop já ouviram falar. O roqueiro número um da Argentina possui sólida carreira (tendo gravado também com os Paralamas nos anos 90), veio ao Brasil um par de vezes e com uma discografia muito respeitada. Para mim, um dos melhores álbuns da minha coleção é o ao vivo (cd) "Euforia",da turné do álbum "Circo Beat" que o consagrou em seu país. Este eu comprei para ter alguma coisa da música argentina quando estive por primeira vez em Buenos Aires em 1996...e para nada me arrependi. Esta foto é do álbum “Giros” de 1985.




LP de Fito Paez, sem título na capa.

                O recém-falecido saxofonista de jazz Gato Barbieri também diz presente em minha coleção. Do argentino tenho, além do excepcional trabalho (em cd) da trilha "O último tango em Paris", o álbum "Tercer mundo" do qual pude dedicar uma resenha individual neste blog. A arte é das mais lindas de minha humilde coleção. Um trabalho para ser apreciado com muita
atenção e em momentos de introspecção. Descanse em paz, Gato...    


Capa interna em formato gatefold do álbum de Iglesias ao vivo.

                Por fim, um disco de Julio Iglesias ao vivo no Olympia de Paris em 1976. Em formato gatefold caprichado e raro, pois saiu em outros mercados em formato simples e com a foto de capa reduzida. Traz reportagens impressas de jornais e revistas de época em lingua espanhola na parte interna e traz imagens da casa de espetáculos francesa por dentro e por fora. Desde já um dos meus itens-xodó da coleção. Aprecio o trabalho de Iglesias, embora não cogite em ter outros discos dele. Gosto, porém,de seu repertório romântico tanto quanto gosto de Charles Aznavour e Roberto Carlos!


Capa do álbum ao vivo de Iglesias.

                Bem, é isso, pessoal. Espero poder ter compartilhado de forma bacana estes itens latinos de minha coleção. Saudações!


ENGLISH VERSION

In this post I point at items of Latin artists (or latin language) present  in my collection. Here we go:
"Baglietto" is the third studio album of Argentine Juan Carlos Baglietto – a Rosario singer, published by EMI Music in 1983. I highlight the songs-and especially the lyrics - "Carta de un león a otro" and "Amor en otras palabras". This album also has Fito Páez contribution. Worth mention is that, before Fito, Baglietto was the first artist to go “gold” on sellings in Argentine rock category.
Mercedes Sosa dispenses comments. This compilation album from the "the art of" series brings all the successes of the singer in double LP, whose highlight is a booklet-which is not part of the album- from the time of her show in Rio de Janeiro. To listen calmly and feel like a latin one.
Silvio Rodriguez is a great Cuban Troubadour, excellent singer, poet and whose lyrics refer to the Cuban revolution, its folklore, love, isolation. Is regarded as the best composer of his country in the 20th century. From his work I have “Días y flores” (in cd, 1975), “Mujeres” (1978), “Rabo de nube” (1980) and “Unicornio” (1982). His music is latin to the spine, sweet  but also fierce in his posts filled with references to the Cuba history and the inner battles of humanity. Wondefull.
Some albums are curious like the album "Et le Siens" by Manitas de Plata recorded in the french city of Camargue at the time of the procession to Santa Sara Kali (godmother of the Gypsy people). Very attached to the roots of his people, the man was for years partner of Jose Reys, the father of some members of the Gipsy Kings and father himself of solo guitarist from the Kings, Tonino Baliardo. The disc is a difficult-hearing one for being root music, however, with an art (in gatefold format) very beautiful - bringing images of the procession.
Another curious work brings the Spanish Juan Manuel Serrat declaiming poetry in "dedicated to Antonio Machado, poet", 1969. Very pleasant to listen to, a stunning lyricism.
Of Fito Páez, everyone who likes pop music has ever heard of. The guy has Argentina's number one rock solid career (having recorded with Brazilians Paralamas do Sucesso in the  90´s), came to Brazil a couple of times and with a highly respected discography. For me, one of the best albums in my collection is live (cd) "Euphoria", the tour registry for the "Circo Beat" album that enshrined him in his country. This one I bought to have anything of Argentinian music when I was for the first time in Buenos Aires in 1996 ... and nothing to be regretted. This photo shows the cover for “Giros” album.
The late jazz saxophonist Gato Barbieri is also a presence in my collection. By Gato, I got, besides the exceptional work (on cd) "Last tango in Paris", the album "Third World" which I could devote a full review on this blog. This brings one of the most beautiful vinyl art of my humble collection. A work to be enjoyed with a lot of attention and in moments of introspection. RIP Gato…
Finally, an album of Julio Iglesias live at the Olympia in Paris in 1976. In gatefold format fancy and rare, released in other markets in simple format and with a small cover photo. Brings reports printed in some newspapers and magazines by the time in Spanish language inside and  images of French theater inside and outside. Already one of my favourite ones. I appreciate the work of Iglesias, although I don't consider having other works by him. I appreciate, however, the romantic repertoire as much as I do with Charles Aznavour and Roberto Carlos.

Well, that's all, folks. Hope I have shared this nice Latin items from my collection with you. Greetings!