quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Cinco álbuns fundamentais(5): Dog man star - Suede (1994).


                Meu último item dos 5 álbuns fundamentais, “Dog man star” é o melhor disco dos anos 90 ao lado do segundo do Portishead, outra pedreira. Dos que eu conheço, acho que só o The Verve fez um álbum tão fenomenal quando este na década.
                O Suede tinha de provar a si mesmo em 94 que seria capaz de continuar seu rumo de sucesso após a saída traumática do guitarrista Bernard Butler ainda durante a maturação do álbum por questões pessoais (entre elas a morte de seu pai). Tarefa nada fácil, porém a banda sempre teve um bandleader dos maiores dos anos 90 na figura de Brett Anderson e encontrou no baixinho Richard Oakes – um fã da banda – a figura para assumir tal tarefa.  



                Vamos a ele. Não é um álbum para as massas (como o primeiro) , mas é um álbum mais conceitual, digamos assim. Introducing the band abre o disco de forma sombria e rápida, bateria acentuada nos tons e com vocais metálicos antevendo We are the pigs - uma ode ao caos (com um clipe simples mas magnífico) que poderia muito bem ter sido trilha sonora para a quebradeira nos subúrbios de Paris em algum ponto dos anos 2000.  Heroine possui soberbo trabalho de guitarra de Butler, muito up. Alguns singles estão até hoje como grandes sucessos da banda: The wild ones por exemplo, há quem considere a música mais perfeita da banda. Grande balada com vocal de outro mundo de Anderson (que bem poderia ter sido cantor lírico). Daddy´s speeding possui arranjo muito bom e ênfase nos teclados – mas não o trabalho de teclado mais xôxo que a banda seguiu depois de 96. The power é de um riff poderoso e auxiliado por cordas, lembrando muito canções de Bowie em sua fase pré-rocker. O single New generation é radiofônica, bem prá cima, com  guitarras marcantes e a bateria certeira para chamar o público a levantar-se nos shows. Particularmente não me é favorita. This hollywood life começa com sax sumindo em fade. É um rock vigoroso, com toda a banda pulsando forte e um solo marcante. The 2 of us é lindíssima balada, minha preferida no álbum junto à “We are the pigs”. Define algo da capa (por assim dizer). Algumas bandas tentam a vida inteira fazer uma balada assim, sem sucesso. Lírica! “Black or blue” traz um clima meio The Verve com arranjo que nos recorda as gravações de Scott Walker no final dos 60´s. Grandiosa. Enfim, Asphalt world (cuja maioria de seus fãs considera a melhor música deles) é uma obra-prima de harmonia / letra. Com reviravoltas harmônicas, climas contando sobre submundo, delírio, prostituição, etc...poderia ser lembrada como o é “Kashmir” na carreira do Led Zeppelin. Still life fecha o disco de forma calma, assim como o fecho do disco de 93 da banda: evocando espaço, casais, nos graves de Brett Anderson e pomposa orquestração. Não falo das letras porque o próprio encarte não facilita a tarefa, com péssima escolha de cores / fundo.  



                Vale ressaltar que o Suede saiu em turnê para a divulgação do disco consolidando sua posição de mestres do Britpop pela Europa, o que rendeu o maravilhoso dvd chamado “Introducing the band” com extras que incluem todas as projeções para as canções utilizadas ao vivo na turnê, além de clipes e os registros de partes dos shows propriamente ditos no norte do continente.

                A capa evoca um mix de Bowie (grande influência da banda) com The Smiths, trazendo uma imagem de solidão e erotismo. Se você quer conhecer algo do Britpop, comece por este disco, e o resto será restante. A melhor banda dos anos 90 britânico, com um guitarrista implacável – embora não tenha terminado o disco – e o melhor letrista/cantor. O que não é pouco. Eles estiveram no Brasil num festival Loola destes mas pelo preço e por ser em SP, acabei não indo. Abaixo, uma pequena coleção de revistas importadas com capa do Suede.



                Bem, com esta postagem fecho a série dos meus cinco álbuns fundamentais. Nada mal. 5 trabalhos, 4 bandas estrangeiras (uma de cada década dos anos 60 aos 90) e uma coletânea de MPB. Ecletismo, como defendo eu. Não se pode ficar "fechado" apenas em uma década de música. Existem milhares de trabalhos interessantes a expandir os sentidos auditivos! Saudações.
Crédito das fotos: discogs.com (1,2), coleção particular (3).

ENGLISH VERSION

               My last item of 5 fundamental albums, "Dog man star" is the best album of the 90´s besides  Portishead´s second album, another great one. I think only The Verve made an album so phenomenal like this in the Britpop movement.

               Suede had to prove himself in 94 that would be able to continue its course after the traumatic exit of guitarist Bernard Butler during the maturation of the album by personal issues (including the death of his father). Task not easier, however the band had a greatest bandleader in Brett Anderson and found in Richard Oakes - a fan of the band- the figure to assume the task.

               On to the album, now. It's not an album for the masses (like the first), but it's a conceptual album, so to speak. Introducing the band opens the way dark and fast, sharp battery in shades and with metal vocals looking ahead We are the pigs -an ode to chaos (with a simple clip but magnificent) that could very well have been the soundtrack for Qadir in the suburbs of Paris in some point of the years 2000. Heroine has Butler's superb guitar work, too. Some singles are today as the band's greatest hits: The wild ones for example, some people consider the most perfect music. Big ballad with lead vocals from another world to Anderson (who could well have been lyrical singer).Daddy's speeding ´ has very good arrangement and emphasis on keyboards – but not the keyboard work more limp Dick that the band followed after 96. The power is a powerful riff and aided by ropes, remembering very Bowie songs in his pré-rocker phase. Single New generation radio is, well up with striking guitars and drums accurate to call the public to rise in concert. Particularly it is favorite. This hollywood life begins with sax disappearing fade. Is a vigorous rock, with the whole band and thumping a solo. The 2 of us is beautiful ballad, my favorite on the album by the "We are the pigs". Defines something the cover (so to speak). Some bands try to whole life do a ballad like this, without success. Lyrical! "Black or blue" features a climate means The Verve with arrangement which reminds us of the recordings of Scott Walker at the end of the 60 ´ n. Grand. Anyway, Asphalt world (which most fans consider the best song of them) is a masterpiece of harmony/lyrics. With harmonic twists, telling climates on underworld, delirium, prostitution, etc. could be remembered as "Kashmir" in the career of Led Zeppelin. Still life closes the disc so easy, as well as the disc of the band 93: evoking space, couples, serious us Brett Anderson and pompous orchestration. I'm not talking about the letters because the liner notes do not makes it easy, with bad choice of colors/background.

               It is worth mentioning that Suede went on tour after the album release, consolidating its position of masters of Britpop by Europe, which yielded the wonderful dvd called "Introducing the band" with extras that include all the projections to the songs used on live tour, as well as clips and parts of the show´s registry in the North of the continent.

               The cover evokes a mix of Bowie (major influence of the band) with The Smiths, bringing an image of loneliness and eroticism. If you want to know something of the Britpop, go for this piece, and the rest is the rest.  The best band in the 90´s, with a relentless guitarist- although he has not finished the disc- and 90´s best lyricist/singer. They were in Brazil for the Loola festival but I don´t saw them for the price and distance combination. Below, a small collection of imported magazines with Suede  covers.

               Well, with this post I close the series of my five key albums. Not bad. 5 works, 4 foreign bands (one from each decade of the 60´s to 90´s) and a collection of MPB. Eclecticism, as I a\ rgue I. You can't be "closed" only in a decade of music.  There are thousands of interesting works to expand the ear senses. Greetings.
Photo credit: discogs.com (1.2), private collection (3).




               

2 comentários:

  1. Baita trabalho, Álvaro! Parabéns. Falar de obras que nos agradam muito é quase como vender algo. Quando queremos de verdade nos esforçamos com paixão. Acho que vou seguir essa tua ideia e resenhar os meus 5. E ainda nem pensei bem quais são... Bem, 3 deles tenho certeza.
    Procurarei ouvir a banda dessa postagem, não conheço nada dela.
    Grande abraço!

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  2. Sim, sempre é bom mostrarmos as obras que nos agradam mais! Conheça o Suede, sim. Vale a pena.

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