segunda-feira, 9 de maio de 2016

Soy loco por ti America... - discos de artistas de lingua hispânica.

Neste post apresento alguns itens de artistas latinos (ou de língua latina) de minha coleção. Vamos lá:

"Baglietto" é o terceiro álbum de estudio do cantante rosarino argentino Juan Carlos Baglietto,publicado pela EMI Music em 1983. Destaco as músicas - e principalmente a letra -  "Carta de un león a otro" e "Amor en otras palabras". Deste álbum participou também Fito Páez. Vale destacar que, antes de Fito, Baglietto foi o primeiro artista a emplacar disco de ouro na categoria rock argentino.
                Mercedes Sosa dispensa comentários. Esta coletânea da série "A arte de" traz todos os sucessos da cantora em LP duplo, cujo destaque é um encarte - que não faz parte do álbum - à época de seu show aqui no Rio de Janeiro. Para ouvir com calma e se sentir latino...




LP: "A Arte de Mercedes Sosa"

                Silvio Rodriguez é um estupendo trovador cubano, excelente cantor, poeta e cujas letras remetem à revolução cubana, seu folclore, amor, isolamento. É considerado como o melhor compositor de seu país no século XX. Tenho de seus trabalhos os títulos: Días y flores (em cd, de 1975), Mujeres (1978),Rabo de nube (1980) e Unicornio (1982). Sua música é latina até a médula, doce,  mas também feroz em suas mensagens repletas de referências à história de Cuba e as lutas internas do ser. Maravilhoso.




LP´s "Rabo de nube", "Mujeres" e "Unicornio" de Silvio Rodriguez. E o de Baglietto.

                Alguns álbuns são curiosos como o disco "Et le Siens" do cigano Manitas de Plata gravado na cidade francesa de Camargue à época da procissão para Santa Sara de Kali (madrinha do povo cigano). Muito ligado à raiz de seu povo, foi durante anos parceiro de Jose Reys, nada mais nada menos que o pai de alguns integrantes dos Gipsy Kings e pai do violonista solo dos Kings, Tonino Baliardo. O disco por ser música de raíz é de difícil audição, porém, com uma arte (em formato gatefold) muito bonita - trazendo fotos da procissão.
                Outro disco curioso traz o espanhol Juan Manuel Serrat declamando poesias em "Dedicado a Antonio Machado, poeta",de 1969. Muito agradável de se escutar, de um lirismo impressionante.



LP´s "Dedicado a Antonio Machado, poeta" de Serrat e "Et les siens" de Manitas de Plata.

                De Fito Páez, todos que gostam de música pop já ouviram falar. O roqueiro número um da Argentina possui sólida carreira (tendo gravado também com os Paralamas nos anos 90), veio ao Brasil um par de vezes e com uma discografia muito respeitada. Para mim, um dos melhores álbuns da minha coleção é o ao vivo (cd) "Euforia",da turné do álbum "Circo Beat" que o consagrou em seu país. Este eu comprei para ter alguma coisa da música argentina quando estive por primeira vez em Buenos Aires em 1996...e para nada me arrependi. Esta foto é do álbum “Giros” de 1985.




LP de Fito Paez, sem título na capa.

                O recém-falecido saxofonista de jazz Gato Barbieri também diz presente em minha coleção. Do argentino tenho, além do excepcional trabalho (em cd) da trilha "O último tango em Paris", o álbum "Tercer mundo" do qual pude dedicar uma resenha individual neste blog. A arte é das mais lindas de minha humilde coleção. Um trabalho para ser apreciado com muita
atenção e em momentos de introspecção. Descanse em paz, Gato...    


Capa interna em formato gatefold do álbum de Iglesias ao vivo.

                Por fim, um disco de Julio Iglesias ao vivo no Olympia de Paris em 1976. Em formato gatefold caprichado e raro, pois saiu em outros mercados em formato simples e com a foto de capa reduzida. Traz reportagens impressas de jornais e revistas de época em lingua espanhola na parte interna e traz imagens da casa de espetáculos francesa por dentro e por fora. Desde já um dos meus itens-xodó da coleção. Aprecio o trabalho de Iglesias, embora não cogite em ter outros discos dele. Gosto, porém,de seu repertório romântico tanto quanto gosto de Charles Aznavour e Roberto Carlos!


Capa do álbum ao vivo de Iglesias.

                Bem, é isso, pessoal. Espero poder ter compartilhado de forma bacana estes itens latinos de minha coleção. Saudações!


ENGLISH VERSION

In this post I point at items of Latin artists (or latin language) present  in my collection. Here we go:
"Baglietto" is the third studio album of Argentine Juan Carlos Baglietto – a Rosario singer, published by EMI Music in 1983. I highlight the songs-and especially the lyrics - "Carta de un león a otro" and "Amor en otras palabras". This album also has Fito Páez contribution. Worth mention is that, before Fito, Baglietto was the first artist to go “gold” on sellings in Argentine rock category.
Mercedes Sosa dispenses comments. This compilation album from the "the art of" series brings all the successes of the singer in double LP, whose highlight is a booklet-which is not part of the album- from the time of her show in Rio de Janeiro. To listen calmly and feel like a latin one.
Silvio Rodriguez is a great Cuban Troubadour, excellent singer, poet and whose lyrics refer to the Cuban revolution, its folklore, love, isolation. Is regarded as the best composer of his country in the 20th century. From his work I have “Días y flores” (in cd, 1975), “Mujeres” (1978), “Rabo de nube” (1980) and “Unicornio” (1982). His music is latin to the spine, sweet  but also fierce in his posts filled with references to the Cuba history and the inner battles of humanity. Wondefull.
Some albums are curious like the album "Et le Siens" by Manitas de Plata recorded in the french city of Camargue at the time of the procession to Santa Sara Kali (godmother of the Gypsy people). Very attached to the roots of his people, the man was for years partner of Jose Reys, the father of some members of the Gipsy Kings and father himself of solo guitarist from the Kings, Tonino Baliardo. The disc is a difficult-hearing one for being root music, however, with an art (in gatefold format) very beautiful - bringing images of the procession.
Another curious work brings the Spanish Juan Manuel Serrat declaiming poetry in "dedicated to Antonio Machado, poet", 1969. Very pleasant to listen to, a stunning lyricism.
Of Fito Páez, everyone who likes pop music has ever heard of. The guy has Argentina's number one rock solid career (having recorded with Brazilians Paralamas do Sucesso in the  90´s), came to Brazil a couple of times and with a highly respected discography. For me, one of the best albums in my collection is live (cd) "Euphoria", the tour registry for the "Circo Beat" album that enshrined him in his country. This one I bought to have anything of Argentinian music when I was for the first time in Buenos Aires in 1996 ... and nothing to be regretted. This photo shows the cover for “Giros” album.
The late jazz saxophonist Gato Barbieri is also a presence in my collection. By Gato, I got, besides the exceptional work (on cd) "Last tango in Paris", the album "Third World" which I could devote a full review on this blog. This brings one of the most beautiful vinyl art of my humble collection. A work to be enjoyed with a lot of attention and in moments of introspection. RIP Gato…
Finally, an album of Julio Iglesias live at the Olympia in Paris in 1976. In gatefold format fancy and rare, released in other markets in simple format and with a small cover photo. Brings reports printed in some newspapers and magazines by the time in Spanish language inside and  images of French theater inside and outside. Already one of my favourite ones. I appreciate the work of Iglesias, although I don't consider having other works by him. I appreciate, however, the romantic repertoire as much as I do with Charles Aznavour and Roberto Carlos.

Well, that's all, folks. Hope I have shared this nice Latin items from my collection with you. Greetings!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Entrevista com a Zoyd Music, SP - dezembro 2015.



                Neste post trago uma mini-entrevista feita com o proprietário da Zoyd Discos de São Paulo, o Ézio. Situada na galeria vizinha à da Galeria do Rock, a Zoyd tem a tradição de vender bons vinis a um ótimo preço, com maior enfoque no Rock dos anos 80. Também é assídua participante na Feira de discos do Colégio Bennet no Rio de Janeiro.
                Já comprei altos itens com eles como um single do The Cure, o primeiro do A Flock of seagulls, uma coletânea dupla dos Housemartins, etc. Por ocasião de minha última visita à capital paulista, estive na minha loja preferida e publico aqui um bate-bola sobre a loja, seu dono e seu acervo.

•Quando a Zoyd iniciou os trabalhos - quanto tempo tem a loja de vida? ***R: A Zoyd foi fundada em 20/10/1990 pelo Rodnei e pelo Jose Carlos, que além da loja também foi um selo. Eu era cliente desde então e a partir de 1997 comprei a loja, mas como trabalhava em um banco, fui assumi-la somente a partir de 2001.
•Qual o estilo de rock que mais vende em sua loja? (Sei que os anos 80 são o forte da mesma, porém, qual seria o estilo que mais sai?) ***R: Além dos anos 80, Classic rock, alternativos anos 90 e obscuridades dos anos 70 e um pouco de musica brasileira independente. Não temos novidades e muito menos lançamentos de bandas a partir do anos 2000... só velharia !!!
•Quais suas 3 bandas preferidas? ***R: 3 bandas apenas é terrível, tinha que ser pelo menos 30...bem são: Roxy Music, James e Tindersticks.
•Você possui coleção particular - pode falar a respeito sobre o número de seu acervo e década principal dos grupos da mesma? ***R: Além de lojista sou colecionador... o que é uma loucura...minha coleção é bem eclética, tanto nos estilos como em formatos, claro que priorizando o vinil, mas tenho muitas fitas k7 ( + de mil ) originais, cds, compactos tanto em 7, 10 e 12 polegadas, vídeo lazer, vhs, dvd, São aproximadamente 4 mil discos, 2 mil cds e uns 300 compactos, indo desde Clementina de  Jesus, Cocteau Twins , Clash, Zappa , Blondie, Walter Franco, Itamar Assumpção, Big Country, Sigur Ros, Front 242, Tricky, Led Zeppelin, Free, Black Oak Arkansas, Alien Sex Fiend, Eleven Pound, etc.
•Um recado para o pessoal amante do vinil. ***R: É muito mais que um prazer, um estado de espirito.
                Vida longa às lojas de rua! Obrigado ao Ézio pelo tempo dispensado em responder às questões. A Zoyd fica no Centro Comercial Presidente, Loja 16 - 1º Andar - R. Vinte e Quatro de Maio, 116 – metrô República, São Paulo. Email: zoyddiscos@uol.com.br.
Fotos 3 e 2: Alvaro Az, Foto 1: site http://vinyleafins.blogspot.com.br.









    






                 

     






sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Night people - Classix Nouveaux (1981).

 
Este é um grupo inglês formado em 1979 (UK) e que teve relativo sucesso na Europa, tendo inclusive feito vários shows no Leste Europeu ainda na época em que poucos se aventuravam para além da cortina de ferro comunista. Inclusive tiveram algumas músicas no topo da lista de alguns destes países como Polônia e a antiga Iugoslávia. Tendo como destaques e como dupla de compositores seu líder e vocal Sal Solo e o baixista Mick Sweeney. O grupo foi inserido no movimento NEW-ROMANTIC do início dos anos 80 junto a grupos como Duran Duran, Spandau Ballet e Flock of Seagulls, sendo, porém, mais dark, denso e explorando muito bem o visual de vampiro de boutique de Sal Solo junto à onda fashion que acompanhou todo o movimento e foi um dos chamativos da banda.


“Night People” é o debut da banda, de 1981, tendo alcançado a posição 66 na parada inglesa. Foreward abre instrumentalmente o disco, climática e dark. Guilty é o hit radiofônico e presença certa em pistas de dança dos anos 80, com o falsete característico do vocal, baixo marcante e o riff de guitarra super bem manjado. Segue com Run Away que é agitada e demonstra toda a capacidade vocal de Solo - abusando de agudos - e com os backings precisos de seus membros, porém, sem estar entre as mais fortes deste trabalho. A Guerra Fria entre a então URSS e os EUA à época é tema muito interessante de duas músicas: A) Every home should have one, onde a letra discursa sobre o grampo em telefones nos lares de indivíduos, a espionagem e a falta de individualidade. B) Tokyo foi lançada como single e cita as 2 grandes potências como nações impotentes para deter o avanço tecnológico e mercadológico da indústria nipônica. 623 é um instrumental breve em que Solo utiliza uma pianola de mão e teve um clipe interessante valendo-se de um filme de terror em preto-e-branco. Or a movie explora o tema da solidão nos tempos modernos com grande arranjo coletivo e traz um som de relógio num tic-tac em seu início e fim. Inside outside foi o terceiro single do trabalho e tem ótimos vocais de apoio e parece também remeter à liberdade dos sonhos numa dura fase da sociedade. No violins, no sympathy tem um refrão muito bom e excepcional harmonia. Dois grandes petardos são Soldier com seu refrão de guerra, grande apoio vocal (de novo) e trabalho de bateria. A curiosidade fica por conta da introdução via teclado cuja harmonia lembra o tema de 2001 de Kubrick...A melhor do disco é justamente a última: Protector of night é dark, com excelente arranjo, retratando algo como um pesadelo e Solo em uma interpretação gutural, digna de nota. Tranquilamente poderia ser o tema de abertura da série “Salem”, ao invés da proposta pelo xarope Marilyn Manson.
 


A banda durou apenas 3 discos (até 1985) e vários singles, tendo destaque em países como Portugal, Israel...e alguma presença na parada do Reino Unido através da já citada Guilty, Is it a dream (top 20) e Never again. Uma banda que poderia tranquilamente ter avançado mais década adentro, não ficando a dever nada a seus compatriotas de movimento. Teve pelos menos os dois primeiros álbuns lançados por aqui. Indico este álbum a quem curte bandas como o The Mission, Sisters of mercy e afins... Minha cópia é portuguesa da época.

A All Music Guide (AllMusic), através de seus usuários, deu 4 (em 5 estrelas) a este álbum. Fonte: https://en.wikipedia.org. Foto1,2: acervo pessoal, Foto3: Jay Myrdal (internet).

Para quem curte os anos 80, indico o Projeto AutoBahn (SP) com muita coisa sobre a música e a mídia da década em http://www.autobahn.com.br/index.html

English version: 
 This is an English group formed in 1979 (UK) and had relative success in Europe, and even made several shows in Eastern Europe still at a time when few had ventured beyond the Communist iron curtain. Even had some songs at the top of the list of some of these countries like Poland and the former Yugoslavia. Having as highlights and mainly composers vocal Sal Solo and bassist Mick Sweeney.

The Group was inserted into the NEW-ROMANTIC movement of the early 80´s with groups like Duran Duran and Spandau Ballet, but more dark, dense and exploring very well the vampire figure of Solo next to the boutique fashion wave that accompanied the entire movement and was one of the band´s eye-catching.

"Night People" is the 1981 debut album of the band, having achieved the position #66 on english charts. Foreward opens instrumentally the album, darkly and climatic. Guilty is the radio hit, a right presence in dance floors of the decade with the characteristic falsetto vocals, bass and the easy-led guitar riff. Follows with Run Away that is stirred and demonstrates all the vocal ability of Solo (treble abusing) and with the precise backing-vocal of its members, however, without being among the strongest of this work. The cold war between the USSR and the USA at the time is a very interesting theme of two songs: A) Every home should have one, where lyrics speak about the individual home´s clip on phones, espionage and the lack of individuality. B) Tokyo was released as a single and cites the 2 great powers as nations so powerless to stop the technological advancement and marketing of Japanese industry. 623 is a brief instrumental in which Solo utilizes a hand-piano and had at the time an interesting clip using a horror movie in black and white. Or the movie explores the theme of solitude in modern times with great collective arrangement and brings a sound of a clock ticking in its beginning and end. Inside outside was the third single from work and has great backing vocals relating to such freedom of dreams in a tough stage of society. No violins, no sympathy has a very good and exceptional harmony chorus. Two big firecrackers are Soldier with his war chorus, great backing vocals (again) and drum work. Curiosity is an introduction via keyboard whose harmony reminds me of Kubrick's 2001 theme ... The best of the album is just the latest: Protector of night is dark, with excellent arrangement, portraying something as a nightmare and Solo in a throaty interpretation, worthy of note. Easily could be the open theme for the serie "Salem", instead of the proposal by Marilyn Manson syrup… The band lasted only 3 albums (until 1985) and several singles, having featured in countries such as Portugal, Israel and some presence in the United Kingdom charts with already cited Guilty, Is it a dream (top 20) and Never again. A band that could easy have lasted more years though the decade, owing nothing to their new-romantic pals. They had at least the first two albums launched in Brazil. I nominate this album to anyone who´s into bands such The Mission, Sisters of mercy and the likes ... My copy is a portuguese one (from Portugal).

Allmusic guide (AllMusic), through its users, gave 4 (5 stars) to this album. Source: https://en.wikipedia.org. Photo1,2: personal collection, Photo 3: Jay Myrdal (internet).













 


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Let the snakes crinkle their heads to death - Felt (1986).


                Quem não sabe da existência do FELT, vale dizer que é uma banda oitentista de Birmingham (UK) e que teve seu centro na figura de Lawrence (na foto p&b), seu líder, guitarrista e compositor. A banda lançou 10 álbuns e 10 singles ao longo da década com muita rotatividade em sua formação, destacando-se o EXCEPCIONAL guitarrista Maurice Deebank, responsável por texturas únicas com suas semi-acústicas. Lawrence foi influenciado – até no nome da banda – pelos americanos do Television de Tom Verlaine e gravaram os trabalhos por três independentes inglesas nesta ordem: Cherry Red, Creation e ÉL. Não vale a pena falar de letras ou melodias, visto que o vocal preguiçoso presente mais como acompanhamento nas canções não é digno de nota. Mas as harmonias...aí sim, é onde a banda deixou seu legado e influenciou bandas como o Belle & Sebastian nos anos 90. A banda também primava pelas excepcionais capas de seus álbuns – principalmente nos trabalhos com a Cherry Red Records.

Este álbum é de 1986 – primeiro pela Creation records – e retrata canções curtas, bem estruturadas em sua concepção de singeleza e simplicidade. Não é considerada uma obra de extrema importância, pois sua obra-prima se daria no álbum seguinte (Forever breathes the lonely word) segundo uma própria fonte da Creation Records. Claro, isso sem falar dos 4 primeiros trabalhos maravilhosos com o já citado Deebank. Let the snakes... é um de seus dois álbuns instrumentais e...dura APENAS 19 minutos! Evoca para mim, acima de tudo, espiritualidade, infância, utopias, momentos, desejos, bem-estar...imagens, imagens e...imagens! É o que a banda nos brinda com este trabalho. Lawrence pela primeira vez tocou todas as guitarras num álbum e as faixas foram compostas depois de Ignite the seven cannons. Vale a pena mencionar que este disco figura em listas de melhores álbuns de audiófilos como o do colega do Reino Unido Adrian Denning (http://www.adriandenning.co.uk/extra/top100.html). O que achei interessante ao escrever esta resenha foi escutar as canções e não falar muito de estruturas de composição, deixando o imaginário funcionar e compartilhar o que algumas delas me remetem. Vamos lá...

Song for William S. Harvey lembra um destes filmes engraçados do diretor francês Jacques Tati (Meu tio, As férias do Sr. Hullot) ou bem poderiam ilustar cenas de filmes de Chaplin. Ou um carro rodando numa estrada numa tarde ensolarada de verão. Uma delícia e grande trabalho dos teclados. Ancient city where I lived parece ter sido retirada da atmosfera dos sons de uma cidade litorânea, inclusive com sons de pássaros. E que guitarra matadora! The Seventeenth century traz um maravilhoso entrelace de teclados e guitarra que fica densa do nada e te faz gravitar entre lembranças boas do passado. Uma das mais sublimes da banda. The Palace remete a uma era vitoriana com camadas sonoras que se sobrepõem. Jewel sky parece mais uma vinheta – imagine estar num agradável café em Paris ou Buenos Aires com aquela confusão de transeuntes para cá e para lá na avenida...vc escolhe... Viking dress é de um teclado marcante e me lembra a infância e toda a sua magia, profunda de sentimentos e pureza. A utopia das amizades. Sapphire mansions remete ao clima do início do disco - prá cima, com arranjo cheio e o clima da cidade grande e seu vai-e-vem interminável. E cada um que conte o que lhe vem à mente!




O FELT não teve grande sucesso fora da Europa, apesar de ser cultuada e de ter colocado um número 1 nas paradas britânicas com a brilhante “Primitive Painters” de 1985 ( do único álbum lançado no Brasil). Aos que querem conhecer a banda melhor, comece pelos 2 primeiros discos, um estrondo. Por exemplo, em minha opinião eles conseguiram compor o melhor tema instrumental da década, com “Serpent Shade”. Foi praticamente a única banda da qual não tive coragem de me desfazer de nenhum item em 2011 quando dei uma “limpa” em minha coleção. Uma banda (ao lado dos Smiths) que me influenciou no foco em composições simples. Boa viagem e um viva à mágica da música com esta pequena obra-prima...
Veja a biografia da banda em: http://www.adriandenning.co.uk/feltbiog.html

Para quem curte os anos 80, indico o Projeto AutoBahn (SP) com muita coisa sobre a música e a mídia da década em http://www.autobahn.com.br/index.html.

Outras matérias interessantes em blogs:
http://sergiocostagomes.blogspot.com.br/2010/02/felt.html
http://www.beatrix.pro.br/mofo/felt.htm

ENGLISH VERSION:
Those who do not know of the existence of FELT, I tell you it's an 80´s band of Birmingham (UK) and had its center in the figure of Lawrence, their leader, guitarist and composer. The band released 10 albums and 10 singles throughout the decade with a lot of turnover in its formation, highlighting the exceptional guitarist Maurice Deebank, responsible for unique textures with his acoustic guitar. Lawrence was influenced – even in the name of the band-by Tom Verlaine of Television and recorded the work for three British independent labels in this order: Cherry Red, Creation and Él.
 
It's not worth talking about lyrics or melodies, as their sound is full of lazy vocals accompaniment to the songs and not worthy of note. But the harmonies ... then Yes, it is where the band left their legacy and influenced bands such as Belle & Sebastian in the 90´s. The band was also exceptional on their album´s cover subject -mainly in the work with the Cherry Red Records.
 
This album is from 1986 – first by Creation records - and portrays short songs, well-structured in its design simplicity and singleness. Is not considered a work of the utmost importance, because their masterpiece would rest on the next album (titled Forever breathes the lonely word) as told by a source of Creation Records itself. Of course, not to mention the 4 early wonderful works with the aforementioned Deebank.
 
Let the snakes... is one of their two instrumental albums and ... only lasts 19 minutes! Evokes for me, above all, spirituality, childhood, utopias, moments, wishes, welfare ... images, pictures and pictures! That's what the band gives us with this work. Lawrence for the first time played all guitars in an album, and the tracks were composed after Ignite the seven cannons. It is worth mentioning that this record figure on lists of best albums of audiophiles as the colleague from the United Kingdom Adrian Denning (a hard FELT fan). What I found interesting when writing this review was to listen to the songs and not talk so much about composition structures, leaving the imagination to work and share what some of them refers to me. Let´s go...
 
Song for William S. Harvey reminds me one of these funny movies from french director Jacques Tati (My uncle, The vacation of Mr. Hullot) or might as well illustrate Chaplin movie scenes…or a car running on a road on a sunny summer afternoon. Dellicious and great job of keyboards. Ancient city where I lived seems to be retract from the atmosphere of a seaside town, including sounds of birds. What a killing guitar! The Seventeenth century brings a wonderful weave of keyboards and guitar that is dense and makes you gravitate between good memories of the past. One of the band´s most sublimes. The Palace refers to a Victorian era with overlapping sound layers. Jewel sky looks more like a sticker-imagine being in a cosy café in Paris or Buenos Aires with that confusion of passers-by on the promenade ... you choose… Viking dress has a remarkable keyboard and reminds me of childhood and all its magic, deep feelings and purity. The utopia of friendships. Sapphire mansions refers to the climate in the beginning of the album - up, with full arrangement and the climate of the big city and his endless back-and-forth. And each of you tell me what comes to your minds.
FELT hadn´t great success outside Europe, in spite of being worshipped and have placed a number 1 in the UK charts with the brilliant "Primitive Painters" in 1985 (the only album released in Brazil). Those who want to know the band better, start with the 2 first albums, a bang. In my opinion, they have managed to compose the best instrumental theme of the Decade, with "Serpent Shade". It was virtually the only band which I didn't have the heart to get rid of any item in 2011 when I gave a clean in my collection. A band (alongside the Smiths) that influenced me in focus on simple compositions. Have a good trip and a long live the magic of music with this little masterpiece.
See biography at: http://www.adriandenning.co.uk/feltbiog.html

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

XV Feira de vinil - Instituto Bennet, 08 de novembro.


              Mais um dia feliz. Ou um dia de fúria, tal o enxame de pessoas que já se acotovelavam nos stands nas primeiras horas... E assim permaneceu até – pelo menos – umas 18:30 hs. Foi a XV feira de vinil no Instituto Bennet. Muitos expositores novos se fizeram presentes, como o pessoal da Engenharia do Vinil (Centro SP) e a Informal discos (que faz parceria atualmente com a Mara Records). Outros da capital paulista que já tem participação tradicional como a Zoyd (da galeria do Rock) e a BigPappa Records se fizeram presentes. Outros destaques foram a Sensorial Discos (SP) que trouxe lp´s lacrados da última geração indie, a  Zoeira (SP) com seu tradicional furgão azul,  a já famosa Tropicália (com seu staff super gente boa), o Jerry (com seus itens sempre bem cuidados) e a Renaissence da Tijuca entre mais de 60 expositores.
 
 
                A feira organizada pela Satisfaction Discos (RJ) trouxe como plus 2 ex-integrantes da banda setentista Azymuth (foto acima) que estiveram pelos corredores dando a esta edição um charme especial.  Eles receberam o troféu Feira do Vinil do Rio 2015 das mãos do organizador do evento, Marcelo (ao fundo na mesma foto). Junte-se a isto a venda de camisetas, cds, dvds e discotecagem na área 2 (pátio) e teremos os ingredientes ideais para um dia inesquecível para os fãs da bolacha negra. 

 
Ézio da Zoyd discos (esquerda) e Lúcio da Sensorial discos (direita) 

                Também agora – e para futuras feiras – o Instituto serve almoço na própria cantina do local, o que é garantia de conforto para os ávidos garimpadores que não querem se afastar de seu local sagrado nem perder tempo em dias como estes nem mesmo para encher a pança...! Fica apenas a ideia – se já não está sendo feito – para que a organização possa publicar na rede a doação para a Casa de Francisco de Assis dos alimentos não perecíveis que é pedida como entrada para o evento. Transparência é sempre bom nestes casos, certo?

                           
                             Junto ao batera do Azymuth (Mamão) e perdido no paraíso.

                Sem dúvida - e mesmo sem conhecer muitas - esta está entre as 3 melhores feiras de vinil do  país. Seguem os itens comprados:
  • Born sandy devotional - The Triffids;
  • Roupa nova (83);
  • Choque - Kiko Zambianchi;
  • The greatest hits of the Lovin´ Spoonful (import);
  • Main course - Bee Gees;
  • Tudo passará - Nelson Ned;
  • Autobahn (capa azul) - Kraftwerk;
  • A la demand espéciale - Charles Aznavour;
  • Speak like A child - The Style Council (compacto import);

 









 

 

 

 

 

 


 

 








sexta-feira, 30 de outubro de 2015

GA, 1979 - Guilherme Arantes.

                Escrever sobre Guilherme Arantes é uma dívida para mim. Artista hoje reconhecido pela sua obra a qual dispensa comentários na história da moderna MPB, é o artista a que mais shows pude assistir...
Voltando no tempo, como não se maravilhar com sua figura – adolescente que eu era – com as madeixas irrequietas, as caretas, o corpo saltando do piano como um ensandecido. Alguns artistas chamavam a atenção muito pelo visual ou gestual, como ele, Belchior ou – óbvio – Ney Matogrosso...e era muito bom aguardar Guilherme mostrar o sucesso do momento no Globo de Ouro da TV Globo! 
Guilherme Arantes teve esta primeira fase de sua carreira marcada por canções de revolta teenage urbana– nada a se estranhar para um jovem vivendo os loucos anos 70, saído de uma banda progressiva numa cidade como Sampa e seguindo uma carreira contrária ao desejo de seus pais. O ápice desta primeira fase irada e brilhante (que considero entre 1976 a 1980) foi o álbum “Coração Paulista”, de 1980.

Este disco de 1979 pela Warner - e com produção do ex-mutante Liminha - tocou pouco nas rádios. Houve dois compactos distintos lançados como “singles”. Um contendo Estrelas / Biônica (sem foto de capa) e outra com estas duas mais Êxtase e Só o prazer (com a reprodução da foto do LP mesmo). Também teve a posterior reedição mais do que merecida em cd com a inclusão da faixa “Estatísticas” que esteve presente num festival de 1979. 
O álbum abre com a marchinha Loucos e Caretas, num dueto com Emilinha Borba, que, apesar de ser de geração distinta, funciona e muito. Pra cima, com os dois dialogando de forma irreverente, é um bom cartão de visitas trazendo um teclado super alegre. Logo em seguida vem Só o prazer, que penso não ter ficado mais na memória do público por falta de trabalho nas rádios por parte da gravadora ou mesmo pelo refrão lá-lá-lá que pode não ter agradado a alguns. Mas é uma canção pop bem construída e esteve presente em algumas coletâneas de sucessos do compositor. Seguindo temos dois petardos – as baladas Entre eu e você e Hei de aprender. E, creia-me, estão entre as baladas mais lindas de sua carreira com letras maduras com relação à pessoa amada (a primeira) e uma reflexão profunda sobre o ser humano (a segunda, onde solta a voz). Já valem o disco! Fechando o lado A, A cor do cacau traz, como o próprio título já dá a pista, uma harmonia de verão bem praiana, cujo teclado me lembra até um toque de Hawaii. 
O lado B abre com o petardo Êxtase, que até hoje toca nas FMs e é tema de casais apaixonados pelo Brasil afora. A lira de um caboclo é um aparte no disco, apenas cordas e voz, num clima “provençal” onde o autor fala de sua relação com a música. Bom dia retrata em música o que seriam cenas do cotidiano de um sujeito numa grande metrópole...curiosa, prá cima e agitada. A bandinha vem logo em seguida, (será que faz parte das memórias de Guilherme?) com um côro infantil irresistível e que já prenunciava trabalhos dele para o público mirim de grande sucesso como foram “Xixi nas estrelas” e “Lindo balão Azul”. Gostosa de ouvir! Estrelas, a seguinte, traz uma letra apaixonada e um teclado com certa melancolia e me pergunto por que Arantes não explorou mais seu lado baladeiro tão bem quanto neste disco em trabalhos posteriores. Sua performance vocal é marcante nesta faixa. Biônica fecha o álbum num clima de festa, agradável música pop para as rádios, mas que não chegou a figurar entre suas canções mais conhecidas.

Depois do sucesso impactante no MPB Shell de 80 com “Planeta Água”, o single “Deixa chover” (de 1981 e minha música pop preferida de seu repertório) e dois bons álbuns em 82 e 83 , a carreira de Arantes entrou numa divisão inusitada. Ele começou a tocar feito água nas rádios com o álbum “Despertar” (do hit “Cheia de charme” de 1985), manteve o hábito de figurar suas canções entre os temas de novelas ao longo dos anos 80... mas sua música ficou – em minha opinião – mais fria. Digo fria em relação ao uso de sintetizadores e outros bichos em seu som. Ele trocou as letras mais sociais por temas românticos, muitas vezes até sendo tachado de brega por muitos, o que fez com que houvesse uma retração de seu antigo público – como eu. Seu som ficou mais cheio, sem perder a qualidade, porém... Que saudade do pianista solitário a entoar suas angústias! Mas a vida muda, os músicos absorvem as tecnologias, o mercado vai em outra direção e – vale a pena lembrar – todos os medalhões da MPB tiveram uma queda em vendagens e sucesso a partir dos anos que marcaram o rock Brasil como uma nova força em nossa mídia musical.

Guilherme Arantes certamente lançou álbuns de destaque em todas as décadas (o belo “New Classical Piano Solos” de 2000, “Pão” de 1990), etc. que podem não ter a força de seus primeiros trabalhos ou do consagrado “Despertar”, porém, recentemente descoberto por alguns artistas da nova geração, sua herança musical se perpetua. Eu agradeço a Guilherme a quem uma vez gritei “mestre!” em um show no extinto Canecão e fui respondido com uma breve explanação do porquê Arantes gostava tanto de casas intimistas...Então, valeu mestre!
Crédito das fotos: 1- acervo próprio, 2- Internet, 3- GA fã clube: facebook.com/guilhermearantesfc.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Títulos de minha coleção.

Acompanhe nesta publicação todos os meus títulos. O meu catálogo está sendo construído de a poucos no site da Discogs: https://www.discogs.com/user/alvaroasc/collection
 
Pode perguntar o que desejar saber. 
Esta coleção consiste basicamente de material da MPB (artistas e Rock Brasil) e de bandas dos anos 80, que são as que mais gosto. Hoje em dia a coleção está um tanto eclética! 

Saudações a todos.