quinta-feira, 28 de maio de 2015

XIV Feira de vinil do Instituto Bennet, RJ - 14 de junho.

Pois é. A melhor feira do Rio teve lugar no já tradicional Instituto Bennet num dia fabuloso de sol outonal na cidade, praticamente ocupando o domingo inteiro para delírio dos compradores. Ótimo ambiente, com tudo encima - lanchonete, banheiros e organização 10!


Os expositores conhecidos - Zoyd, Locomotiva, Zico & Chico, Zoeira (SP) e outros paulistanos atraídos pelo sucesso da feira compareceram. As já tradicionais lojas cariocas Tropicália Discos, Mara Records e Lovinyl obviamente marcaram presença. A feira "bombou" como já era esperado, com ofertas para todos os gostos e preços diversos.
  

Particularmente foi a melhor feira para mim. Levei os seguintes itens para minha coleção - que vem crescendo mês a mês. E o melhor, paguei preços justos por todos: 
  • Echo & the Bunnymen (Songs to learn and sing, nacional) - impecável;
  • Siouxie & the Banshees (Once Upon A Time / The Singles, nacional) - impecável;
  • Nirvana (Nevermind, importado) - reedição com as letras e vinil vermelho!;
  • Deodato (Prelude) - edição de 1973;
  • Zé Ramalho (A peleja do diabo contra o dono do céu) - completo, impecável;
  • Pink Floyd (The dark side of the moon, nacional) - em ótimo estado e barato, o que é difícil;
  • Pink Floyd (Meddle) - edição americana impecável; 
  • U2 (Boy, nacional) - impecável e ainda veio um pôster da banda que saiu na BIZZ de 1985!;  


 Já deixa saudades e aguardamos pela próxima a ocorrer no segundo semestre. Bye!
 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

The view from the top - Cat Stevens.

Nesta postagem falo de um disco que é uma compilação de músicas de Stevens de suas primeiras gravações (8 músicas de "Matthew and Son" e 9 músicas de "New Masters", sendo ambas de 1967) e que antecipavam o enorme sucesso do músico na década seguinte. Contém jóias pop que já prenunciavam aptidões radiofônicas como "Granny", "The First Cut Is The Deepest" e "The View From The Top".


Nada comparado ao estouro mundial do compositor com o álbum "Tea for the tillerman" (de 1970). Após uma década de intenso sucesso, Cat deixou a música em 1980 retornando apenas em 2006 com o nome Yusuf Islam, não sem antes produzir ele mesmo polêmicas fora da indústria do disco. Bem, vamos a algumas breves observações minhas sobre a obra:

A1) Where Are You - Linda balada, bem ao estilo que o consagrou.     
                                                                              
A2) Northern Wind - Com arranjos de cordas, bem densa. Outra que poderia muito bem ser tema de filme de época.

A3) It's A Super (Dupa) Life - Pop de rádio, alegre e descompromissada. Se Jean Luc Godard tivesse filmado "Acossado" no final dos anos 60, esta poderia tranquilamente ser tema do filme.
                    
A4) Lady - Balada tranquila e com um vocal cantado de forma moderada. Destaque.
               
A5) Bring Another Bottle Baby - Das minhas favoritas. Arranjo leve, bem tropical, típico som das canções californianas anos 60. 
               
A6) Granny - Esta chega a figurar entre os sucessos da primeira fase de sua carreira. Possui um dos melhores arranjos e melodia bem trabalhada.
              
B1) The Tramp - Interessante tema social com base em voz & violão e breve e bela intervenção de metal à moda hispânica.
                
B2) I'm So Sleepy - utilizando a voz no estilo infantil, Cat nos brinda com uma das melhores melodias do disco, bem intimista.
              
B3) Blackness Of The Night - pop music ao estilo balada intimista e com letra "lírica", lembra o tema A2 mas menos pomposa nos arranjos. Alcançou junto à "Kitty" apenas a posição 47 na parada britânica. 
                
B4) The First Cut Is The Deepest - sucesso do cantor e carro-chefe, a interpretação emotiva é uma das mais marcantes de sua carreira. Esta canção, além de sucesso em sua voz, também o foi com quatro outros artistas em regravações!
                  
B5) Come On Baby (Shift That Log) - harmonia dançante, sem grande destaque.
                    
B6) Humming Bird - Evoca uma nostalgia renascentista, com alta riqueza harmônica.
                     
C1) The View From The Top - Melodia bem trabalhada com orquestração pomposa, também um dos pontos altos do disco. Creio fale sobre um tema espiritual como tantos ao longo de sua carreira.
                     
C2) Portobello Road - Homenagem à famosa feira londrina. Alegre e viva, típica folk-song com assobios pontuando a harmonia, foi o primeiro single de 67 (segundo da carreira), alcançando o posto 28 na parada britânica. 
                                                                             
C3) I'm Gonna Be King - Apenas uma pop music ao longo do disco com timbres datados dos anos 60. Sem maior importância.
                 
C4) Moonstone *- Sua força reside na rica melodia, com instrumental de cordas bastante cheio.
                    
C5) I Love Them All *- Assim como outras desta fase, possui características típicas das canções dos anos 60, com final "lírico", eu diria...  
                     
C6) I've Found A Love - Típica música para as rádios, baseada em riff de violão e um regrão ganchudo. Pop song com uma ponte interessante.
                     
D1) Come On And Dance *- Pontuada por metais, também soa datada.
                     
D2) Image Of Hell - Com arranjo de country song, esta balada pungente lembra bastante as composições dos Bee Gees na década. A letra é sobre relacionamentos. 
                     
D3) I'm Gonna Get Me A Gun - De harmonia bem alegre e com ritmo frenético, creio ser uma crítica social bem ao estilo corrosivo de Cat. Alcançou o posto 6 na parada britânica.
                     
D4) A Bad Night - Pop de rádio com ritmo suave, poderia bem ser trilha de filmes de época.
                     
D5) Ceylon City *- Outra com características de arranjo e estrutura típicas dos anos 60 (junto às demais com *). Sem maior destaque. 
                     
D6) School Is Out - A harmonia segue a melodia em vários pontos e tem uma ponte instrumental maneira...mas nada comparada a outro sucesso seu com o tema escola: "Old school yard".

 
Esta edição é da Espanha (selo DERAM), duplo, com linda capa e contracapas. O formato gatefold traz duas fotos preto-e-branco do músico sacadas ao vivo. Uma belezura. Há outra edição (do selo DECCA) com a capa trazendo uma outra foto do cantor - mas na minha opinião, menos interessante.
Eu havia comprado este na extinta e saudosa "Modern Sound" em Copacabana e me desfeito do mesmo em 2011 (sic). Para minha surpresa, mais de 3 anos depois o mesmo disco voltou para mim. Sim, é o (meu) mesmo disco! Sei disso por alguns sinais perceptíveis no label e capa. Nem acreditei.
E o mais interessante é que pude ouvir melhor a obra e valorizá-la muito mais. Como o nosso momento de vida muda a "visão" da audição, não?
 
Fica a dica para quem quer conhecer o excepcional músico que é Cat Stevens,
antes da imensa fama nos anos70.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

XIII Feira do Vinil no Downtown, Barra da Tijuca.

No domingo 12 de abril rolou a XIII feira do vinil na Barra da Tijuca. Muito superior à do ano passado, diga-se de passagem...com ofertas e preços para todos os gostos e a presença de lojistas já consagrados aqui do Rio, como a "Tropicália", a "Mara Records" e "Satisfaction". Porém, marcaram presença também as paulistas "Zico & Chico" e "Locomotiva", por exemplo.

 
 
Nesta feira pude recomprar o The best of the Doors (duplo) a um preço ótimo, além do Under a blood red sky (U2) importado e o Late for the sky de Jackson Browne também importado. Este último, bem barato, comprei a título de curiosidade - pois não curto tanto assim o trabalho do compositor. Minha esposa levou lps de artistas nacionais na já tradicional banca do casal "Jerry Discos" que marca presença todos os meses na Rua do Lavradio.  
 
 
Domingo com sol e garimpagem é sempre bom. Achei também que contribuiu o fato de não ter muita barulheira de shows ou discotecagem alta - tornando o clima mais favorável em relação à última feira no Rio, no salão do Cordão do Bola Preta. É isso, pessoal. Agora, é aguardar a próxima! 
 
 
 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Visita à Mara Records, RJ - 5 de abril.

A SuperNut Mara Records já é tradicional loja de vinil no Rio de Janeiro, porém eu só havia tomado conhecimento dela pelas feiras da cidade. Neste domingo de Páscoa eu e minha esposa tivemos a satisfação de conhecer a loja e seu dono, o Fábio.


A loja é especializada em venda de artistas nacionais, embora lá você possa encontrar rock, jazz, trilhas, cantores(as) de todas épocas,
compactos, enfim...muita coisa boa!
O cliente pode escutar um disco que esteja na dúvida ou curiosidade de comprar, além de ter a calma necessária - visto que as visitas são agendadas - para garimpar à vontade num parque de diversões somente seu. Nesta visita eu trouxe dois importados - um de Cat Stevens (pré fase
70´s), um de Barbra Streisand e o volume 2 do Festival MPB Shell de 1981. loja é especializada em venda de artistas nacionais, embora lá você possa encontrar rock, jazz, trilhas, cantores(as) de todas épocas, compactos, enfim...muita coisa boa! O cliente pode escutar um disco que esteja na dúvida ou curiosidade de comprar, além de ter a calma necessária - visto que as visitas são agendadas - para garimpar à vontade num parque de diversões somente seu. Nesta visita eu trouxe dois importados - um de Cat Stevens (pré fase 70´s), um de Barbra Streisand e o volume 2 do Festival MPB Shell de 1981.


Uma tarde muito proveitosa, de bom diálogo, humor, ótimos produtos e preços!
Enfim, agradecemos a hospitalidade do Fábio e pretendemos continuar a frequentar esta loja que é uma maravilha na zona sul do Rio...Enjoy!



domingo, 22 de fevereiro de 2015

The third world - Gato Barbieri.

Antes de tudo, este exemplar (em edição importada americana) é a prova viva do porquê o vinil é o PRODUTO ARTÍSTICO MAIS COMPLETO DO SÉCULO XX: reúne além do som, fotografias (por Ray Ross), o texto integral da revista Jazz & musician (por Laurent Goddet) e a excepcional capa por Patrizia Mancuso (suponho também seja argentina). Aliás, uma das capas mais bonitas que já vi. Uma obra maiúscula de arte!!!

Difícil me é comentar um álbum de jazz, pois escutei pop e rock minha vida inteira. Mas já conhecia o artista pela famosa trilha de "Last tango in Paris". Barbieri é saxofonista argentino e ganhador do Grammy em 72 com a dita trilha-sonora citada acima. Desde a época de sua mudança para a Europa, no começo dos anos 60, o artista confessou que não ouvia e nem entendia o tango... distanciando-se, assim, de suas raízes latinas. Isto mudou no final da década, quando assinou com o selo Flying Dutchman (da ABC Impulse Records) e estreou com esta maravilha de álbum. Apesar de sua fama crescente no velho mundo, o artista experimentou o despertar de um sentimento de resgate - agregando os elementos da música de sua terra natal e, por que não, brasilidades. 4 músicas apenas. Climas, percussão e gritos lancinantes que parecem o de um animal selvagem solto na natureza. É o que me remeteu o som de seu sax tenor com uma banda de apoio mais que afinada - com destaque para o piano de Lonnie Liston Smith. Alguns consideram este um registro único no jazz, com uma sonoridade atonal encima de ritmos latinos. Algo incomum no gênero. A obra foi gravada em dois dias, em 24/25 de novembro do mítico ano de 1969, ano este que marcou a música (Woodstock), comportamentos (como o incidente no circuito de Altamont) e a ida do homem à lua como ponto histórico definitivo.


O lado um, se é que se pode dizer "mais fraco", conta com 2 peças: Introduction/Cancion Del Llamero inicia com um cântico lamurioso de alguma parte da América Latina - um híbrido de canto indígena com cigano e emendando em Tango, com sua harmonia belíssima repetida num crescendo cheio de improvisações alucinantes (destaque para a dupla do baterista Beaver Harris e o percusionista Richard Landrum). Barbieri vai do lamento ao grito histérico com seu sax. Já Zelao é puro exercício de jazz, uma loucura que desata num caos completo. O lado dois diz a que veio. Inspirado no personagem interpretado por Maurício do Valle em "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964) de Glauber Rocha, ele compôs "Antonio das Mortes" (grafado errado na contra-capa como "Antonio das Mortas"). Gato esteve muito próximo de cineastas durante seus anos europeus e sua música pontua isto de forma pungente neste tema - como faria no aclamado filme de Bertolucci 3 anos mais tarde. É possível sentir a dramaticidade na segunda metade da canção, algo angustiante como o sertão em si. "Bachianas brasileiras" passeia pelo tema de Villa Lobos ora aparecendo mais o piano, ora a percussão na exploração da harmonia central sem nunca enjoar o ouvido...

De quebra encontrei um recorte de algum jornal brasileiro datando de 1972 (possivelmente o JB), citando um convite de Barbieri a Gal Costa para que pudesse se juntar a ele num concerto na Europa. Coisas que a gente somente encontra em vinil usado...! Guardei, é claro. Este álbum certamente pelo seu estado é um dos 5 mais difíceis da minha modesta coleção e curti muito ter contato com este jazz louco.

Deixo o link sobre postagem referente a Barbieri no blog: http://jazzerock.blogspot.com.br/search/label/Gato%20Barbieri.



Ano: 1969 / Gravadora: Flying Dutchman / Gênero: Jazz / Formato: gate fold / Estado da capa: 4 / Estado do vinil: 5 / Qualidade do som: 5 / Avaliação: 5 / Origem: E.U.A. / Distribuição: ABC - Impulse Records / Código: FD 10117 CTH.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Feira de vinil da Teodoro Sampaio, SP - agosto 2014.

Este post é retroativo à feira - na qual marquei presença pela primeira vez fora do RJ - de agosto/14 na meca do vinil brasileiro. Em São Paulo, em pleno domingo, numa galeria tradicional na Rua Teodoro da Silva (metrô Clínicas) e capitaneada pela Locomotiva Discos. Domingo de sol ameno com vinil à vista...nada melhor! Aproveitei minha estada em Sampa para visitar outras lojas em galerias tradicionais da cidade, como a CelSom, BigPaparecords, etc.

Excelentes produtos, muita coisa importada, bons preços e muitos expositores. Não pude deixar de comparar com a ótima feira do Bennet no Rio. Valeu cada minuto. Acabei por trazer os seguintes itens da capital paulista: 
America (Holiday, importado) - na feira;
Raul Seixas (Gitã) - na feira;
Tears for fears (The hurting, importado) - na feira;
Style Council (Live!, importado);
Van Halen (Van Halen II, importado);
Luiz Melodia (Mico de circo);
Caetano Veloso (Outras palavras);
Egberto Gismonti (Cidade Coração);
Espero poder comparecer a outras feiras tradicionais em São Paulo, onde ofertas e preços são sempre convidativos. Até a próxima postagem.




 

                                                                                                





 
 

domingo, 11 de janeiro de 2015

Now that´s what I call quite good - The Housemartins.

Esta é uma coletânea de 24 músicas da banda de Hull, Inglaterra, que durou apenas 3 anos (1985-1987). Contém singles e as principais músicas de seus dois discos de estúdio. O primeiro (London 0 x 4 Hull) nem sequer chegou a sair por aqui. Os Housemartins ou "a banda que gostava de dizer não” se caracterizaram pelo vocal marcante de Paul Heaton (muitas vezes utilizando-se de recursos à capela como em “Caravan of love” - único número 1 da banda nas paradas - “Lean on me” ou ainda “I´ll be your shelter”), uma sonoridade baseada em guitarras (como o The Smiths ou os Commotions de Lloyd Cole) além de uma excepcional cozinha. Também encontramos metais e pianos pontuais em arranjos matadores como em “Bow down” e “The people who grinned themselves to death” – título do único álbum deles lançado no Brasil.


As harmonias traziam o jingle-jangle característico do rock inglês da época em músicas como “We´re not deep”, “Sheep”, “Always something there to remind me” ou “ The mighty ship” - uma homenagem à igreja batista de Chicago. Lá estão hits da banda no Reino Unido e Nova Zelândia como “Happy hour”, “Me and the farmer”,a balada ”Think for a minute”, "Five Get Over Excited" e o mega-hit no Brasil “Build”, esta última tendo estourado nas rádios e ficando conhecida por seu refrão como “melô do papel”. Muitos pensaram se tratar de uma canção romântica, sendo, na verdade, uma crítica feroz ao progresso sem fronteiras. A política e os temas sociais estão presentes na maioria das letras da banda, mesmo nas baladas (como na belíssima “Flag day”, que alfineta a realeza britânica) e em “Sitting on a Fence”. A banda faz releituras de outros artistas como em “I´ll be your shelter” (Luther Ingram) e “You´ve got a friend” (Carole King), mas sem resultados dignos de nota.


Após o fim do quarteto, o batera Dave Hemingway e Heaton fundaram o “Beautiful South”, cuja sonoridade não ficou distante dos Housemartins – gravando vários álbuns com alguns hits no Reino Unido. Curiosamente, o baixista Norman Cook enveredou pelas pick-ups tornando-se o bem sucedido DJ “Fatboy Slim”. Stan Cullimore (guitarrista) deixou a música. Este álbum traz outros dois nomes da banda em sua primeira formação: Hugh Whitaker (bateria) e Ted Key (guitarra). Ambos saíram da banda antes do segundo trabalho. Meu exemplar provém da Zoyd (ótima loja no Centro de São Paulo) e é um disco raríssimo por aqui, tendo sido editado apenas em cd. Outro destaque do álbum em formato Gatefold é a belíssima capa do francês Pierre Jahan com a torre Eiffel ao fundo. É o rock inglês pós-punk com todo o seu vigor.

Ano: 1988 / Gravadora: Go! Discs LTD / Gênero: Indie rock / Formato: gatefold / Estado da capa: 4 / Estado do vinil: 5 / Qualidade do som: 5 / Avaliação: 5 / Origem: Inglaterra / Distribuição: Crysalis records & Elektra / Código: AGOLP11.333.